Início » O HUMANISMO DE UM “KILLER”, VISTO POR UM SEU FÃ

O HUMANISMO DE UM “KILLER”, VISTO POR UM SEU FÃ

Por admin
49 visitas
A+A-
Reset

Oh! ai de mim agora! porque a minha alma desmaia diante dos assassinos.” Jeremias 4:31

Todo(a) o(a) moçambicano(a) consciente sabe que o mês de Outubro, a partir de 1986, passou a fazer parte dos cinco mais importantes do ano, tal como o são Fevereiro, Abril, Junho e Setembro. Toda(o) moçambicano(a) lúcida(o) sabe da importância dos dias 3 de Fevereiro 1969; 25 de Junho de 1962; 25 de Junho de 1975; 25 de Setembro de 1964 e 7 de Setembro de 1974. Também todo(a)s nós sabemos o porquê do mês de Outubro a partir de 1986 passou a figurar nos mais importantes para nós, moçambicanos. Com efeito, foi a partir de 19 de Outubro de 1986 que o país perdeu o seu fundador, o ícone da nossa revolução, incontornável nacionalista africano, comprometido com a libertação do seu país do jugo colonial e um pan-africanista, tal como o foram  os destacados: Jomo Kenyatta (Quénia), Peter Abrahams (África do Sul), Hailé Sellasié (Etiópia), Namdi Azikiwe (Nigéria), Julius Nyerere (Tanzânia), Kenneth Kaunda (Zâmbia) e Kwame Nkrumah (Gana), cuja ideologia acreditava na união dos povos de todos os países do continente africano na luta contra o preconceito racial. Foi a partir dessa ideologia que se criou a Organização da Unidade Africana, “OUA”, hoje União Africana, “UA”, que tem como objectivos promover a solidariedade africana, a soberania dos Estados africanos e a integração económica que vai além da cooperação política e cultural no continente.Era somente desse Grande Homem que eu me propunha a falar durante todo o mês de Outubro, pois, mesmo depois da sua morte, os seus feitos e oseu carisma prevalecem e perduram no quotidiano dos moçambicanos, bem como na relação emocional entre ele e o povo. Infelizmente, no domingo passado, num dos programas duma televisão privada, um desagradável episódio desviou a minha atenção. Tratava-se de auto-retrato de um fanático admirador do chamado “Pai da Democracia” que depois de falar do seu orgulho de ter nascido de um pai curandeiro polígamo assumido, “dono” de treze esposas e um batalhão de filhos, os quais os educou numa disciplina “espartana”, que, como se sabe, na Grécia antiga,as crianças, dos sete aos treze anos, aprendiam técnicas para a suplantação da dor e do medo eosadolescentes “efebos” já participavam dos intensos e exigentes treinamentos, após se terem submetido a testes cruéis que lhes avaliavam a coragem e a resistência à dor.O pai do dito cujo, segundo ele, obrigava-os a desfilar todas as manhãs para prestarem-lhe uma vénia matinal, disciplina essa que o fez destacar-se e ser confiado pelo “líder”, ao ponto de ter sido seu “porta-voz”, durante duas décadas, o  que, por seu turno, passou a nutrir uma admiração divina pelo “pai da democracia” a quem garante ser “Homem dum humanismo extraordinário”.Tais declarações caíram-me como uma anedota sem graça, pois como todos sabemos anedota  é uma história curta de final geralmente surpreendente e engraçado com o objectivo de causar risos ou gargalhadas no ouvinte ou leitor(a). Ao contrário, as declarações foram tão ridículas que me causaram dó pelo dito cujo, sobretudo quando a título de exemplo do humanismo do “líder”, contou o seguinte episódio: um dia circulando ele com o “líder” numa caravana lá para as bandas da localidade de Palmeira numa das “missões” de massacrar populações indefesas, ao saber que um dos seus carros atropelou um cão, mandou parar a escolta e exigiu que o canino atropelado tivesse um enterro condigno! Grande gesto de Humanismo! Sempre aprendi que o Humanismo no sentido amplo tinha a ver com a generosidade e compaixão para com as pessoas, sejam elas próximas ou desconhecidas ou sejavalorizar o ser humano e a condição humana acima de tudo. Nunca pensei que a vida de um cão valesse mais do que a de milhares de pessos mortas estupidamente! Que fanatismo! Que sangue frio! Que crueldade!

Kandiyane Wa Matuva Kandiya
nyangatane@gmail.com

Artigos relacionados

Focus Mode