De algum lado deve começar o processo de descongestionamento de Maputo, já que parece que não somos capazes de aumentar o espaço geográfico sem incorrer no erro de invadir outras áreas administrativas que nessa hipótese teriam de ser engolidas.
O que todos os dias estamos a ver é a possibilidade de a capital do país estar a caminhar com ares expansionistas para todos os seus pontos cardeais, mormente para Matola/Boane, Matutuíne, Marracuene/Manhiça e Moamba. Se tal fosse acompanhado por um desenvolvimento real, dir-se-ia que vamos a tempo de assistir a um Megalópolis saudável.
Vemos, porém, o aumento de problemas de toda a índole: desde a falta de transportes, emprego, à criminalidade/imoralidade, passando pelo saneamento e salubridade, a ponto de a capital do país ser uma das primeiras a detectar a cólera no país.
Não teremos razão se daqui a alguns anos os homens do amanhã vierem a nos condenar, não fosse a capacidade que temos de entender as razões históricas que determinaram este estado de coisas que, convenhamos, não foram de todo simpáticas.
O modelo de concentração de todos os poderes num lugar já provou a sua falência em muitos casos pelo mundo. Vimos que não é funcional que tudo se resolva apenas indo a Maputo.
Se a sede do Governo é Maputo, nada explicita que todos os poderes devam estar concentrados aqui, onde não há lugar para as pessoas respirarem o ar puro que ainda temos em Moçambique.
Alguém escreveu em Mocuba estas palavras: Bem-vindo a Mocuba, onde todos os caminhos se cruzam e Moçambique se abraça. São palavras que não vêm ao acaso. Ainda ninguém disse com exactidão que ali não é a metade do nosso país, se quisermos pensar que ele parte do rio Rovuma ao Maputo. Ainda que não fosse.
Mocuba pode acolher justamente, por exemplo, a sede do Parlamento moçambicano, que é uma instituição que funciona colegialmente e em resultado da deslocação de representantes do povo de todo o país.
A outra vantagem seria económica. A sede do Parlamento estaria localizada onde a maioria dos parlamentares iria por via terrestre, tendo em conta que está próximo do maior círculo eleitoral (Nampula, com 47 deputados) e dentro do segundo (Zambézia, com 45).
Estaria perto do terceiro e quarto círculos eleitorais (Cabo Delgado e Tete, com 22 deputados cada), ao lado do quinto círculo eleitoral (Sofala, com 21), não muito longe de Manica, sétimo (com 16 assentos), e limítrofe do nono (Niassa, com 14).
Duma só assentada, tínhamos 187 deputados (mais de metade) a irem ao Parlamento por via terrestre, tal como, querendo, Inhambane (com 14 deputados) poderia optar por essa via, sem precisar de ir a Maputo, pois existem viaturas que legislatura-a-legislatura os mandatários do povo adquirem de forma bonificada. Logo, 201 deputados.
Teríamos assim poucos deputados (cidade e província de Maputo, 16 e 17 deputados, respectivamente, Gaza, com 14, e os dois da diáspora) a precisarem de passagens de avião. É relativamente sustentável transportar 49 deputados de três círculos eleitorais+diáspora. É ou não é?
Falar de Mocuba, de Morrumbala (onde até se diz que está o quilómetro zero) é falar do mesmo espaço centralmente localizado. Não seria coisa estranha, pois há países que enveredaram por essa via para resolver problemas afins.
A consequência imediata é que teríamos um polo de desenvolvimento a partir da localização geográfica da sede do Parlamento; começávamos a dividir-nos aqueles cidadãos que enchem as ruas; teríamos dado um passo concreto de luta contra as assimetrias provocadas propositadamente pela história, essa que quer insistir, discutindo a localização de mais uma cidadela, aqui mesmo onde não há nem água para beber…



