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Salas de aula abandonadas na EPC 1.° de Maio

Por admin
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Erguidas em 2005 pela Comunidade Maometana, com o objectivo de ajudar crianças do bairro residencial 1.° de Maio, município da Matola, província de Maputo, encurtando distâncias de casa para a escola, três salas de aula encontram-se abandonadas.

Trata-se de 12 salas anexas
à Escola Primária
Completa 1.º de Maio,
onde estudam 1098
crianças da 1.ª à 5.ª classes
do Sistema Nacional de Educação.
Do número total de salas
de aula, sete estão a ser aproveitadas
integralmente. Em relação
às restantes, duas estão a ser
reabilitadas e 3 encontram-se
simplesmente abandonadas.
Segundo apurou a nossa reportagem,
um dos tectos da referida
infra-estrutura desabou e,
até ao momento, ninguém teve
coragem de repará-lo. As referidas
salas estão cheias de capim verde alto, não têm janelas, nem
portas.
Entretanto, fontes encontradas
no local revelaram que as
portas e as janelas foram retiradas
por pessoas de má-fé e o
tecto desabou por causa de um
vendaval que assolou a cidade da
Matola.
Durante o trabalho, a nossa
equipa de Reportagem testemunhou
factos deploráveis: os
moradores usam as salas abandonadas
para despejar lixo, para
além de fazerem necessidades
biológicas, uma situação que
constitui um atentado à saúde
das crianças, pois estas convivem
com aquela sujidade diariamente,
por causa da contiguidade
das salas de aula.
Ainda junto da comunidade
ficámos a saber que alguns moradores
usam-nas, sobretudo,
no período nocturno, para manterem
relações sexuais.
Refira-se que o estabelecimento
é composto por dois blocos,
com seis salas em cada um;
tem ainda um campo de futebol.
SITUAÇÃO DOLOROSA
O chefe do Primeiro Bairro,
Suleimane Nhanengue, lamenta
o estado em que se encontram
as salas de aula, e sugere que as
autoridades da educação intervenham
o mais rápido possível,
pois aquelas infra-estruturas
fazem falta àquela comunidade.
Para Nhanengue a intervenção
consistiria na sua demolição
para a construção de novas salas,
de forma vertical, para além
da colocação de iluminação.
Nhanengue entende que se as
condições forem melhoradas podem
servir para aulas do curso
nocturno, ou mesmo para a extensão
do nível de ensino.
“Neste bairro e não só
não temos escola do ensino
secundário, muitas crianças
percorrem longas distâncias à
procura de um estabelecimento
de ensino com este nível. O
único sítio a que recorremos
é Zona Verde, e é muito longe.
Por isso pedimos a reabilitação
e iluminação daquelas salas”,
disse.
Num outro desenvolvimento,
Nhanengue referiu que a infra-estrutura
foi vandalizada e lembrou
que várias vezes é obrigado a escorraçar
algumas pessoas daquelas
salas, que se introduzem para
a prática de relações sexuais.
“Todas as salas tinham
portas e janelas, mas malfeitores
vieram retirá-las. Já estivemos
reunidos e decidimos
inclusive fazer a limpeza e
acautelar que o local não seja
usado para fins impróprios”.
A ESCOLA NÃO É NOSSA
O director da Escola Primária
Completa 1.º de Maio, Hélder
Jamisse, disse que a parte anexa
à escola foi-lhes emprestada
em 2012 para descongestionar a
escola principal que acolhe, para
além de crianças daquele bairro,
também as dos bairros circunvizinhos.
Na altura existiam muitas
turmas que estudavam ao relento
na Escola Primária Completa
1.º de Maio. A situação constrangia
a efectivação dos trabalhos
de leccionação.
Hélder Jamisse referiu, entretanto,
que a sua direcção tem
conhecimento dos problemas que
existem naquelas salas, mas garantiu
estar impossibilitado de
intervir naquelas infra-estruturas
porque não pertencem à escola
que dirige: “São da Comunidade
Maometana”, e, de acordo com
as suas declarações, poderá no
futuro reclamá-las de volta.
“Quando recebemos as
salas aquelas três estavam
sem tecto. Facto revoltante
é que na mesma semana que
recebemos foram retiradas
todas as portas e janelas.
Comuniquei o problema à direcção
distrital da educação.
Ela orientou-me a não fazer
investimento porque as salas
não são nossas. Mesmo assim,
construímos casas de banho e
colocámos portas em algumas
salas”, disse.
Entretanto, anunciou a existência
de uma proposta que
será apresentada na reunião do
conselho da escola, que poderá
acontecer nos próximos dias naquela
escola.
“O nosso plano é fechar o
acesso àquelas salas”, avançou.

Texto de Abibo Selemane
abibo.selemane@snoticias.co.mz

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