Início » INFORMAL: Vendedores ocupam rotunda da “Junta”

INFORMAL: Vendedores ocupam rotunda da “Junta”

Por admin
150 visitas
A+A-
Reset

Vendedores informais invadiram a rotunda contígua ao terminal da “Junta”, na cidade de Maputo.  O negócio é variado. Vende-se de tudo um pouco. Tamanha ousadia, levou inclusive à montagem de barracas, desafiando o perigo que o local oferece, devido ao tráfego (intenso) de veículos na Avenida de Moçambique.

Conforme constatou a nossa reportagem, os vendedores que operam naquele local, vezes sem conta, embaraçam o tráfego rodoviário sobretudo nas horas de ponta, quando se movimentam de um lado para o outro para conseguir ou atender a clientela.

Na lista dos artigos comercializados existe comida confeccionada, sandálias, chinelos, roupa, bijutarias, camas, almofadas, tambores, fogões, grelhas, cadeiras, mesas, carrinhas “tchova”, bem como bebidas alcoólicas em pequenos “bottle stores”.

Alguns dos vendedores, ocuparam parte dos passeios destinados a movimentação de peões e dedicam-se a pequenas reparações de viaturas ou a remendar pneus de carros.

Entretanto, a poucos metros da rotunda, alguns vendedores ergueram barracas entre uma faixa de rodagem de viaturas e a vala de drenagem a céu aberto que se estende para o bairro Luís Cabral, vulgo “xinhambanine”, construída rente ao muro de vedação do Instituto de Veterinária.

Um dos separadores centrais da Avenida de Moçambique, próximo da paragem de autocarros, tem servido de montra preferencial de alguns vendedores, onde colocam à venda almofadas de quarto.

Ainda não muito longe do local, viaturas “mini-bus”, que fazem o transporte de passageiros para a vizinha África do Sul, transformaram um dos lugares numa espécie de entreposto para carregar e descarregar clientes.

CONSCIENTES DO PERIGO

Grande parte desses vendedores desenvolve, há bastante tempo, a sua actividade na zona da “Junta” e reconhece que está o a praticar o negócio num local impróprio e sujeito ao risco de acidente.

Ana Langassitela, natural de Inhambane, mãe de duas filhas, disse que vende comida na zona da “Junta” desde o ano de 2000 e que sustenta a sua família com base no negócio que desenvolve.

A nossa entrevistada integrava um grupo de vendedores que se viu forçado a abandonar um espaço situado junto de uma antiga serração, ora concessionado à cadeia de supermercados “SPAR”.

Em relação ao espaço que ocupa actualmente, a nossa entrevistada disse estar preparada para um dia ter que o abandonar, embora considere que o tipo de negócio que realiza não se enquadra num mercado.  

Outra pessoa que vende comida e refrescos na “Junta”, chama-se Anastácia Filipe, mãe de dois filhos, que disse ter começado a desenvolver a sua actividade há sensivelmente quatro meses.

Aquela vendedeira queixou-se do facto da crise económica estar a afectar o seu negócio, facto que se traduz na redução da procura dos produtos que comercializa por parte dos clientes.

Shelton Zamba, outro dos ocupantes da zona, repara pneus desde o ano de 2012, disse-nos estar preparado para abandonar o local se as circunstâncias assim o ditarem.

Quem também está preparado para abandonar o local é Ester Américo, mãe de três filhos, vendedeira de comida há sensivelmente dois anos.

Outro vendedor com quem trocamos impressões é Simião Mombe, natural de Zavala, que se dedica à comercialização de fogões, grelhas e de máquinas de fabricar blocos há sensivelmente 19 anos.

Embora reconheça que realiza a sua actividade num lugar arriscado, disse que a sua retirada daquele local está condicionada à criação de condições num espaço livre para sua transferência. “Sabemos que podemos ser atropelados, mas não há maneira. Nós estamos aqui há muito tempo”, disse.

Nordino Armando, natural de Massinga, disse que vende bijutarias há 10 anos, tendo começado o seu negócio nas proximidades do Mercado da “Malanga”, de onde foi escorraçado há dois anos pela Polícia Municipal.

Conforme afirmou, caso um dia seja forçado a abandonar a zona da “Junta”, entrará em decadência pois não sabe vislumbra outro lugar viável para desenvolver o seu negócio e garantir o sustento da sua vida.Nota de destaque vai para o facto de a ocupação desordenada e perigosa daquele local envolver, inclusive, cidadãos de nacionalidade estrangeira, sobretudo de origem nigeriana, tendo um deles aberto um pequeno “botle store”.

 

Há condições para os retirar do perigo

– Arnaldo Monteiro, director de mercados e feiras do Conselho Municipal de Maputo,

Arnaldo Monteiro disse que o Conselho Municipal possui um total de cinco mil vagas e que estão a ser envidados esforços no sentido de integrar os vendedores que se encontram na via pública.

Conforme referiu, a edilidade está a rever o memorando de entendimento existente com a ASSOTSI (Associação dos Trabalhadores do Sector Informal), uma vez que há actividades que não podem ser levadas a cabo na via pública, por constituírem um atentado a saúde.

Entretanto, o Comandante da Polícia Municipal no Distrito Municipal KaMubukwana, Naftal Lai, disse que há um trabalho muito avançado de sensibilização feito junto dos vendedores para abandonarem o negócio na via pública. 

Tal como explicou, quando a Policia Municipal quando prepara uma acção operativa que mexe com a sensibilidade das pessoas, tem pautado por actos de sensibilização, no sentido de preparar as pessoas para abandonar os locais impróprios.

Neste momento, disse Lai, está a ser realizada a sensibilização junto dos vendedores da “Junta” e que o trabalho encontra-se numa fase bastante avançada.

Segundo o comandante distrital, pretende-se que os vendedores passem a ocupar os lugares vagos nos mercados de “Luís Cabral”, “25 de Junho”, “Jardim”, “Bagamoio”, “Unidade 7”, “George Dimitrov”, entre outros.

Findo o período de sensibilização, de acordo com Naftal Lai, irão ser tomadas medidas com vista a retirada dos vendedores, quer do passeio do bairro do Jardim, quer da “Junta”.    

Tal como frisou, as ocupações dos espaços foram de livre e espontânea vontade das pessoas, tendo se aproveitado de alguma fragilidade pelo facto do foco de actuação policial se ter centrado na zona norte do distrito.

O comandante garantiu que a retirada dos vendedores das zonas da “Junta”, “Jardim” e “CMC”, entre os bairros do “Albazine” e “Magoanine B”, está para breve e que já foi desenhado um plano para o efeito.

Conforme disse, a situação que se vive na zona da “CMC”, que muitos apelidam de “calçadão”, tem os dias contados e que o trabalho de sensibilização dos vendedores já foi realizado.

O Comandante referi, ainda, que a corporação esteve empenhada em outras actividades prioritárias, como foi o caso da retirada dos vendedores da zona do “George Dimitrov”, vulgo “Benfica”, “Missão Roque” e do Mercado Grossista de Zimpeto.

Pente fino para viaturas

 mal estacionada no “Bagamoio”

A Polícia Municipal, ao nível do Distrito Municipal KaMubukwana, pretende colocar um ponto final ao mau comportamento de automobilistas que frequentam as barracas do bairro do Bagamoio, nas bermas da Avenida de Moçambique.

Conforme nos disse Naftal Lai, a sua corporação vai passar a trancar as viaturas que estiverem mal estacionadas naquela zona, para não perturbarem o trânsito naquela importante via, sobretudo nas noites de sexta-feira e de sábado.

A maior parte dos proprietários das barracas não obedece ao horário fixado para o encerramento dos estabelecimentos e os respectivos clientes estacionam de forma desordenada as suas viaturas.

Texto de Benjamim Wilson

benjamim.wilson@snoticicas.co.mz
 

Artigos relacionados

Focus Mode