O gesto da Universidade Eduardo Mondlane, aoatribuir o título de Doutor Honoris Causa a estas duas figuras, fê-lo em nome do povo moçambicano,assim se pronunciou o
Primeiro-ministro, Alberto Vaquina, durante a cerimónia de entrega destes símbolos, em memória póstuma, ao Eng. Aquino de Bragança e à dra. Ruth First, duas importantes que se evidenciaram na luta contra o colonialismo, discriminação e injustiça social.
“O povo moçambicano soube reconhecer o suor e o sangue que regaram no nosso solo. As suas mortes não foram em vão, pois aqui ficaram as obras”, acrescentou Vaquina, referindo a seguir que o sangue destas duas figuras está a fertilizar o nosso país, através de investigadores que saiem da universidade inspirados pelas suas obras.
O Primeiro-Ministro exaltou, particularmente, Aquino de Bragança pela sua luta vigorosa na denúncia do regime colonial português.“Foi solidário com as lutas de libertação nacional do movimento colonial português em África. Daí que se aproximou da Frelimo mesmo durante a luta”.
Já Ruth First, continuou Vaquina, foi uma activa combatente pelos direitos humanos. “Como jornalista denunciou os horrores a que eram expostos os trabalhadores negros na África do Sul”.
Falando na cerimónia, o reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Quilambo, disse que a atribuição dos títulos Honoris Causa, submetida pela direcção do Centro dos Estudos Africanos da UEM, é um reconhecimento inequívoco destas figuras na criação deste centro de excelência. “Aquino de Bragança ao criar este centro em 1976 e mais tarde com a vinda da Ruth First inscreveram de forma indelével a História de Moçambique e da África”, realçou.
Quilambo destacou ainda os trabalhos de pesquisa realizados por Aquino de Bragança e Ruth First, apontando que “até agora têm grande valor no processo de ensino e aprendizagem no país”.
SÍLVIA BRAGANÇA OFERECE
MANUSCRITOS DE AQUINO À UEM
Sílvia Bragança, viúva de Aquino de Bragança, ofereceu uma colectânea de manuscritos originais do seu marido à Universidade Eduardo Mondlane. “Creio que esta colectânea terá um papel importante na formação dos investigadores de várias gerações que por aqui passarem ”, disse na ocasião.
Sílvia Bragança evocou, durante a sua intervenção, o papel que o seu marido teve na denúncia dos males do regime colonial. “Um dos artigos que vos entrego retrata uma situação que ele viveu no regime colonial. Grupo de soldados portugueses depois de deceparem cabeças de africanos, transformaram-nas em bolas de futebol. Isto mostra quão era sensível aos crimes bárbaros dos colonos”.



