A população do posto administrativo de Macaneta, distrito de Marracuene, está satisfeita com a entrada em funcionamento da ponte que liga aquela comunidade ao resto da província de Maputo. No entanto, exige mais infra-estruturas públicas, de segurança, assim como de gestão de resíduos sólidos.
Oposto administrativo de Macaneta é uma zona turística de referência na província de Maputo, por apresentar lindas praias e boas condições de comodidade. No entanto, até há pouco tempo era difícil chegar ao local por ser de difícil acesso, pois era necessário atravessar o rio Incomáti recorrendo a batelão.
Muitas vezes este meio de transporte avariava e as pessoas eram obrigadas a recorrer a barquinhos que não garantiam segurança. Por isso, muitos turistas preferiam ir para outras praias; outros recorriam a uma entrada para aquelas bandas a partir de Maragra, distrito da Manhiça.
Mesmo assim, em cada dia festivo, com destaque para a quadra festiva e a Páscoa, Macaneta recebia dezenas de visitantes, vindos de diferentes pontos do mundo, com destaque para a África do Sul.
O problema de travessia ficou ultrapassado, no ano passado, 2016, com a abertura da ponte sobre o rio Incomáti que dá acesso àquelas comunidades. A população está satisfeita, mas refere que persistem alguns problemas, como as vias de acesso, a construção de unidades sanitárias, escola do ensino secundário e transporte.
A estrada que parte da ponte para as praias de Macaneta é terraplenada e encontra-se em mau estado, o que dificulta a circulação de viaturas, sobretudo em dias chuvosos.
ROUBO DE GADO
Os nossos entrevistados acrescentaram que com a entrada em funcionamento da ponte aumentaram casos de roubo de gado bovino e resíduos sólidos espalhados nas praias e via pública.
domingo viu, recentemente, garrafas vazias de bebidas alcoólicas espalhadas em terrenos desocupados e charcos existentes ao longo da estrada que dá acesso àquela comunidade.
São locais aonde os residentes daquele ponto da província de Maputo levam os seus animais para pastarem e noutros desenvolvem a agricultura.
Os nossos entrevistados disseram que a situação é nova naquelas comunidades, e já está a preocupá-los porque coloca em risco a sua vida, assim como a dos seus animais.
Deste modo, a população de Macaneta pede a intervenção das autoridades policiais, pois desde que a ponte sobre o rio Incomati
entrou em funcionamento são frequentes os casos de roubo de gado bovino.
Ninguém da comunidade sabe explicar de onde vêm os meliantes, mas os relatos populares revelam que os mesmos atravessam a ponte à noite com as suas viaturas e invadem os locais de concentração dos animais.
A situação já está a preocupar os criadores que apontam a falta de fiscalização das viaturas como
uma das causas que facilita a circulação dos bandidos.
Durante a nossa passagem por Macaneta encontrámos Pascoal Macaneta a pastorear o seu gado. Sugeriu que devia ser proibida a saída de viaturas no período nocturno.
“A facilidade de acesso à nossa comunidade já está a nos custar muito caro. Para parar com os roubos, o Governo devia montar postos policiais ao longo da estrada”, disse.
Ângela Magaia pede o melhoramento da estrada, a partir da ponte, pois vai facilitar a circulação de viaturas e impulsionar o serviço de transporte de passageiros.
“A ponte está a fazer despertar Macaneta. Este ano vimos muita gente que veio passar férias, mas sentimos que ainda falta muita coisa. Por exemplo, quando chove aqui não se anda, e isso complica porque o hospital e a escola estão na vila”, disse.
Por seu turno, Ana Tovela começou por lamentar o facto das obras de construção do centro de saúde local estarem a ser morosas. Trata-se do centro que vai atender tanto aquela comunidade, assim como as circunvizinhas.
No local ficámos a saber que as obras de construção do Centro de Saúde de Macaneta estão na fase conclusiva. Actualmente decorrem a colocação de portas, janelas, melhoramento do chão e electrificação. O centro terá uma maternidade, sala de consulta, laboratório e farmácia.
A nossa entrevistada referiu ainda que nos últimos três anos as machambas da comunidade têm sido invadidas por porcos.
“Há indivíduos que já abandonaram as suas machambas. Comunicámos, por várias vezes, a Polícia, mas nada tem feito. Eu agora produzo aqui no meu quintal, acho melhor assim”, disse.
Abibo Selemane



