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Gaza está a reerguer-se

Por admin
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– Em entrevista ao domingo, o governador Raimundo Diomba fala dos principais desafios da província que dirige após as cheias de Janeiro último

Em entrevista ao domingo o governador da província de Gaza, Raimundo Diomba, coloca-nos a par das condições da província que dirige, depois das cheias de Janeiro último.

Fala, igualmente, de desafios importantes que devem ser resolvidos, que consistem na construção de diques de protecção; rentabilização do Parque Transfronteiriço do Limpopo; operacionalização das Areias Pesadas do Chibuto; construção do aeródromo e de um porto na província.

Seguem-se, então, alguns excertos da conversa com Raimundo Diomba.

Senhor Governador, após as cheias, uma das preocupações do governo era que a agricultura retomasse a sua dinâmica. O que se fez nos regadios do Limpopo e Chókwè para que isso acontecesse?

Actuámos de maneira que as empresas gestoras dos regadios de Chókwè e do baixo Limpopo começassem a fazer a sua parte, retomando a sua actividade produtiva. Como governo, reorientamos o nosso orçamento para motivarmos o processo, adquirindo duas máquinas e cilindros para reabrir e acelerar a operacionalização de algumas vias de acesso.

 Qual é o impacto dessa intervenção?

Primeiro, deixe-me dizer que, até agora, foram disponibilizados mais de quatro mil hectares para o reatamento da actividade agrícola. Na sequência disso, é perceptível um cenário em que os produtores já satisfazem as expectativas, uma vez que, actualmente, abastecem os mercados grossistas das cidades de Chókwè e de Xai-Xai e compensam as necessidades do mercado em hortícolas.

E em relação ao diques de protecção, o que está a ser feito para reabilitá-los?

Lançou-se um concurso para a adjudicação das obras de reabilitação dos diques de protecção. Assim, o empreiteiro já começou os trabalhos. A nossa meta é que o processo de reabilitação seja feito de Macarretane até Xai-Xai.

Quais são os custos e a duração das obras?

O valor global do investimento está acima dos 60 milhões de meticais e a nossa previsão é que a reabilitação parcial se faça pelo menos dentro de quatro meses. Temos que reconhecer que os danos foram enormes e olhando-se para uma reabilitação total pode-se calcular numa intervenção que leve três a quatro anos. E destaque-se que todo este tempo necessário para a reabilitação deve ser equacionado em função dos valores avultados que são precisos para investir.

DESENVOLVIMENTO LOCAL

Sobre o Fundo de Desenvolvimento Distrital, algum impacto junto das comunidades?

É positivo. Os resultados são satisfatórios, o que se justifica pela melhoria das condições de vida das comunidades. Isso revela que os mutuários estão a aplicar correctamente os fundos, gerando pequenos rendimentos que os permite fazer poupanças e pagar os valores em dívida.  

Especificamente, como se manifestam essas mudanças de vida?

Olha, quando passamos pelas povoações e localidades notamos que as pessoas desenvolvem tipos de negócios que outrora não eram correntes. Por exemplo, em Chigubo não havia armazéns, mas hoje já existem e assim as populações conduzem o processo de comercialização localmente.

… e a regularidade dos meios circulantes, certamente, terá contribuído para tal.

Não restam dúvidas! Antes fazia-se compras em Chókwè ou na cidade de Xai-Xai, acarretando, consequentemente, elevados custos para o nível de vida dessas comunidades. Agora, a população consegue planificar melhor as suas actividades, dada a regularidade no sistema de circulação de transporte para Chókwè e Xai-Xai, inclusive a garantia de segurança.

CORREDOR DO LIMPOPO

 E AREIAS PESADAS

Em que estágio se encontra a asfaltagem da estrada que vai de Caniçado, Guijá, até à vila Eduardo Mondlane, em Chicualacuala?

O processo de asfaltagem do troço preocupa-nos bastante porque há uma lentidão das obras do lado do empreiteiro que opera entre Caniçado e Khombomune. As obras ainda não atingiram a vila de Mabalane. Em termos de extensão, há ainda muito por se fazer para se alcançar a meta que, segundo as previsões, até finais deste ano tinha que ser atingida.

E em relação ao restante troço?

Já entre Khombomune e vila Eduardo Mondlane, a empreiteira está a mostrar um trabalho muito acelerado. Há uma certa esperança de que será asfaltada dentro dos prazos estabelecidos.

Gaza não tem aeródromo. Como vai o processo de sua instalação?

O processo de construção do aeródromo estáa ser lento porque depende da busca de financiamentos e esse trabalho leva muito tempo. Entretanto, outro empecilho é o facto de ainda não termos um estudo de viabilidade pronto para conseguirmos tal verba.

Isso também pode ser associado à falta de um porto em águas profundas?

Claro! A situação é a mesma em relação ao que disse quanto ao aeródromo; precisa-se financiamento para a construção da barragem de Mapai. Havendo sucessos nesta busca posso garantir que seria bastante benéfico para o desenvolvimento da nossa província.

E sobre o Projecto de Areias Pesadas do Chibuto?

Sobre as Areias Pesadas de Chibuto ficamos desagradados depois da retirada da primeira empresa que tinha ganho o concurso, já que não dispunha de maquinaria exigida para aquele tipo de empreendimento. O outro problema é que a capacidade de energia necessária para o seu impulso não se mostra suficiente na nossa província. Depois lançou-se o segundo concurso cujo vencedor foi uma empresa constituída por accionistas nacionais e estrangeiros.

Qual foi o desfecho?

 Provou-se que os parceiros estrangeiros não tinham condições financeiras suficientes para avançarem, razão pela qual se teve, mais uma vez, de cancelar o concurso. Com efeito, foi lançado outro concurso dirigido e apareceu uma empresa que é um consórcio entre empresas chinesas. Infelizmente, outra vez, cancelou-se porque a empresa não honrou com os compromissos em relação aos prazos de elaboração de termos de referência relativos ao plano de execução e pagamento de uma caução que se previa no contrato. Neste momento ocorre outro processo de selecção de outra empresa que possa intervir no empreendimento.

E que benefícios traz a implementação do Parque Transfronteiriço do Limpopo?

Traz benefícios directos no campo das receitas que já cobrem despesas do empreendimento, sobretudo as de manutenção do parque e pagamento dos trabalhadores. Por outro lado, o parque está a trazer outra dinâmica pelo movimento de turistas nacionais e estrangeiros já que, do ponto de vista de referência, Limpopo segue-se ao Kruger Park.

Significa que tudo corre às mil maravilhas!

Nada disso! A única lamentação que existe é em relação à caça furtiva do rinoceronte, cujos promotores só os caçam para extrair os seus cornos para os comercializarem em mercados obscuros. Até finais do mês passado era difícil ver rinocerontes no nosso parque, assim como numa outra parte do Kruger Park. Isso mostra que a caça furtiva pode trazer efeitos negativos.  

O que se está a fazer para que se inverta este cenário?

Temos estado a sensibilizar a população para que colabore com as autoridades, no sentido de entenderem a importância do parque para os moçambicanos.

Mais medidas?

Sim. Estamos a dar prioridade à saída das populações do recinto do parque para a zonas definidas como de reassentamento, depois vai-se seguir a vedação que separará as zonas habitacionais do parque, um processo que se mostra muito avançado: já nos encontramos acima de 50 quilómetros de divisão. Essa separação vai ajudar muito para o desenvolvimento da fauna no nosso parque.

TRANSFERÊNCIA

DOS POSTOS

ADMINISTRATIVOS

Já houve proposta de mudança da sede do posto da aldeia da Barragem para Mandjague e Chiduachine para Chalucuane. O que foi decidido?

Estes casos já foram propostos para discussão pela Assembleia Provincial e apreciados positivamente a nível local. Mas, como deve saber, não basta que a matéria seja apenas aprovada a esse nível, é preciso que as estruturas centrais decidam. Nesse sentido, estamos a criar mecanismos para que a proposta seja apreciada e aprovada pela Assembleia da República.

 Mas será viável, por exemplo, transferir-se o posto de Chilembene?

Devo especificar que o caso de indicação de Chilembene como sede do posto administrativo seria complicado porque as últimas cheias provaram que este local não seria ideal para a instalação da sede, e o próprio distrito reconhece isso. Agora, Hókwè localiza-se num lugar mais seguro do que Chilembene.

Avaliando a sua província, considera que está a crescer?

Gaza está a reerguer-se e a crescer. Algo importante nas transformações que se registam é a expansão da rede de comunicações, já que se pode falar à vontade a partir de quase todos os cantos da nossa província. O mesmo se pode dizer em relação ao transporte de pessoas e bens que se tornou também muito expansivo. Isso significa que quem quiser avançar e ultrapassar os obstáculos que tinha no passado tem já o apoio do Governo.

Finalizando, quais são os principais desafios que se colocam para o desenvolvimento acelerado da província?

O nosso grande desafio é controlar as cheias através de fórmulas que nos possam permitir dizer, em certo momento, que elas podem trazer riqueza. Isso passa pela construção da barragem de Mapai, a construção de diques de protecção na zona de Machiane, no distrito de Chókwè, por onde o Rio dos Elefantes sai do seu percurso normal, entrando por Macarretane para poder invadir a cidade de Chókwè.

Essa seria a solução ideal…

Não tenho dúvidas! Se tal for conseguido, contando-se também com a barragem de Massingir, estou certo de que a situação pode vir a melhorar.

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