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Não devemos bloquear diálogo com a população

Por admin
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As decisões dos governos distritais devem ir ao encontro das preocupações da população, que é o primeiro e último beneficiário da acção governativa. Para que isso aconteça é necessário que 

haja um diálogo sério e profundo. Esta é uma das recomendações deixadas pelo Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, durante a visita de trabalho que efectuou há dias aos distritos da Manhiça, Boane e cidade da Matola, província de Maputo.

 

 

 

O Primeiro-Ministro defendeu que os dirigentes devem ser sensíveis aos problemas que a população tem levantado nos encontros populares ou nas sessões restritas aos membros dos Conselhos Consultivos Distritais, para que tenham soluções a breve trecho.

Vaquina deixou esta recomendação num comício popular realizado no Posto Administrativo Josina Machel, distrito da Manhiça, e destacou a importância de se esclarecer os cidadãos sobre a possibilidade de cobertura de suas necessidades no âmbito do plano do Governo, sendo que, para ele, será uma forma de colocar “os governantes e os governados a falarem a mesma língua”. Ou seja, tornar a governação um processo inclusivo, ao abrigo de uma democracia participativa.

Até porque“só com um diálogo sério e profundo é que podemos encontrar soluções para os problemas que afligem as populações, pelo que, conforme apelou o PM “é necessária uma abertura total”.

 Na ocasião, falou, igualmente, da necessidade de haver paciência mútua entre os governantes e os governados, pois, “só assim o país poderá caminhar rumo à erradicação da pobreza e outros males”.

Entre os males, destacou a falta de alimentos e o analfabetismo, tendo, por isso salientado a importância da escola na educação e futuro das crianças.

“Todos os esforços devem ser no sentido de se preparar um futuro melhor para as gerações vindouras e para tal temos que levar os nossos filhos à escola, para que eles consigam superar as dificuldades que temos, tais como, a falta de médicos, engenheiros e outro tipo de profissionais qualificados”,disse Vaquina, ressalvando, entretanto, que os adultos devem, também, ir à escola nos tempos livres ou então pedir aos filhos para os ensinar pelo menos a ler e escrever o seu nome.

 

FALTA DE MATERNIDADE

PREOCUPA ILHÉUS  

 

A Ilha Josina Machel dista a cerca de 50 quilómetros da vila-sede distrital e posiciona-se a 5 quilómetros a partir do desvio para Xinavane, ao longo da Estrada Nacional Número 1 (EN1). O acesso é por terra batida, o que a torna intransitável ou propensa a cortes nos dias de chuva.

Em razão disso, a população local, estimada em cerca de 9 349 habitantes, aproveitou-se da passagem de Alberto Vaquina para pedir a melhoria da estrada e, principalmente, a construção de um Centro de Saúde apetrechado com uma maternidade na localidade de Dzonguene, de modo a se minimizar o sofrimento das gestantes quando entram em trabalho de parto.

Amélia Alexandre Mbisa, uma das mulheres residentes na ilha, pediu que  aquele lugar tivesse uma maternidade e um centro de emissão da documentação (Cédulas Pessoal e Bilhetes de Identidade).

Afirmou que a falta dos serviços acima referidos torna a vida dos ilhéus mais cara uma vez que para deles beneficiarem devem percorrer longas distâncias, o que acarreta custos, devido às deslocações até à vila sede ou ao vizinho distrito de Magude.

Salvado Agostinho, também é residente na ilha e trabalha como segurança numa das plantações de cana-de-açúcar. No comício orientado pelo Primeiro-Ministro levantou a questão relacionada ao desrespeito à lei do trabalho no que tange ao horário de serviço.

Segundo explicou, casos há em que as pessoas permanecem nos seus postos de trabalho mais de 18 horas, sem rendição e ou remuneração extra. “A situação laboral vai de mal a pior. Nos últimos dias, travam-se batalhas campais no canavial. Nós, os guardas, corremos risco de vida e não recebemos salário de acordo com o trabalho executado”, acusou.

Glória Chivambo, residente na sede do posto administrativo, queixou-se do mau estado da via e da fraca qualidade da energia eléctrica. Disse ainda

que urge construir uma ponte mais consistente e elevada no aqueduto erguido no rio Incomáti, uma vez que quando chega a época chuvosa a água galga a ponteca, tornando-a intransitável.

“Nos dias chuvosos a vida é um martírio, porque não se pode atravessar para o outro lado, o que torna o custo de vida mais caro, pois não conseguimos passar para lá para comprarmos alguns produtos que não temos nas machambas, como, por exemplo, óleo, sabão, entre outros”,disse Glória Chivambo.

Respondendo a estas e outras questões apresentadas, o PM apelou à população para ter paciência e assegurou que todas as preocupações apresentadas foram registadas e em devido tempo terão resposta adequada no âmbito do cumprimento do Plano Quinquenal de Governo.

“Conforme notaram, a via ( estrada do cruzamento de Xinavane até à Ilha Josina Machel) beneficiou de uma intervenção, mas ainda não é solução definitiva, contudo devem ter esperanças de que melhores dias virão. Em relação à questão da maternidade registamos e brevemente terão a resposta. Sobre a energia, vamos expandir, embora neste momento não seja possível garantir quando é que o processo cobrirá a totalidade da ilha,”explicou Alberto Vaquina.

Acrescentou que para lograr mais sucessos na actividade agrícola, os Conselhos Consultivos Distritais deviam envidar esforços para adquirir pelo menos um tractor, o qual seria alugado pelos agricultores tendo em vista o alargamento de áreas agrícolas.

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