
O Cemitério de Michafutene, na província de Maputo, ainda não foi oficialmente inaugurado. Contudo, quase a totalidade de blocos demarcados até ao momento está sem espaço para novos enterros, quando faltam apenas dois quarteirões por preencher.
A situação começa a preocupar. A Administração do Cemitério perspectiva novas demarcações dentro de duas semanas. “Estamos a pensar em fazer 10 talhões iguais à estes para pelo menos trabalharmos até Junho do próximo ano”, disse ao domingo o administrador Alfredo Faífe.
Com uma área entre os 55 a 60 hectares, o Cemitério de Michafutene, em Maputo, foi aberto, provisoriamente, a 1 de Dezembro do ano passado para funerais, medida que visa o descongestionamento do Cemitério da Lhanguene, sem condições para suportar mais funerais.
O novo cemitério, algures na província de Maputo, durará acima de 40 anos, mas já experimenta os primeiros meses de intensa pressão nos 17 talhões demarcados para enterros na primeira fase de operação.
ACIMA DE DEZ FUNERAIS POR DIA
Contribui para a saturação do espaço disponível, o incremento de funerais. Estima-se que 10 a 15 funerais são realizados por dia no Cemitério de Michafutene.
Em menos de um ano de funcionamento do cemitério, pelo menos 2 000 corpos já foram enterrados. Ou seja: 200 corpos são enterrados por mês. Sete por dia.
Nos dias de pico- terças-feiras e sábados- o Cemitério de Michafutene realiza dez funerais ou mais.
TRANSFORMAR
CEMITÉRIO NUM IMENSO JARDIM
A pressão sobre o pouco espaço disponível é tão grande que a separação entre as campas é feita em intervalos mínimos, às vezes contrastando a reserva de vinte centímetros, recomendada pela postura camarária.
Alfredo Faífe, administrador do cemitério, desdramatiza: “Até alargamos um bocadinho. O corredor de separação de campas chega a ser entre os 30 e 35 centímetros”.
Explicou que futuramente as campas deixarão de existir. No seu lugar serão colocadas pedras tumulares em redor de um campo preenchido por relva, modelo já adoptado por vários países.
Cemitério moderno
Os trabalhos referentes à primeira fase do Cemitério de Michafutene encontram-se na sua recta final. As infra-estruturas estão concluídas. O que falta é a energia, fraca em função da potência pretendida. Resultado: a motobomba tem capacidade insuficiente para puxar água aos tanques.
Refira-se que tanto na entrada do lado cristão como do lado maometano destacam-se torres que suportam portões e que servirão de reserva de água a distribuir por todo o cemitério. Cada torre armazena acima de mil metros cúbicos de água.
Bento Venâncio



