
Regressaram recentemente ao altar para renovação de votos de amor e lealdade, numa cerimónia realizada no bairro de Mavalane, arredores da cidade de Maputo. Manuel Samuel Bata, 73 anos, e Carlina António Pindula, 65, entendem que somente a convivência conjugal permite conhecer de facto a pessoa que escolhemos para estar do nosso lado. Ainda sobre a vida a dois, declaram que o amor, a coragem, paciência e amizade foram os condimentos essenciais para chegarem aos 50 anos de casamento.
Familiares, amigos e membros da Igreja Congregacional Unida de Moçambique estiveram em peso na celebração de uma união que vem do longínquo ano de 1963.
O namoro começou em 1962, ano em que se conheceram na cidade de Maputo, quando Manuel Bata saiu da província de Inhambane para a então Lourenço Marques (actual Maputo) onde passou a quadra festiva na casa de familiares, vizinhos da Carlina Pindula.
“Apaixonei-me completamente”, confessou Manuel Bata, acrescentando que desde então optou por permanecer em Maputo “para poder estar perto da namorada”.
Dona Carlina, a “namorada”, também deu o seu testemunho, tendo afirmado que“foi fácil me apaixonar. Havia familiaridade entre nós, pois éramos conterrâneos da província de Inhambane”.
Carlina Pindula contou-nos o episódio que precipitou a formalização da sua relação com Manuel Bata. Num belo dia estava ela com o seu namorado trocando juras de amor quando, de repente, o seu pai descobriu tudo, reagindo nos seguintes termos: “- Minha filha! O que fazes aqui? Não quero problemas amanha”.
“Para evitar que o meu pai me batesse”, continuou Carlina, “o meu namorado (actual esposo)acompanhou-me para casa com objectivo de assumirmos formalmente o nosso relacionamento. Foi lhe cobrado um escudo para ele ser reconhecido como genro,”.
Explicou que quando decidiram formar uma família, Manuel Bata tinha 21 anos e ela 15.
O casal salienta que não foi fácil segurar o lar ao longo dos cinquenta anos de união. “Como conseguimos? Pedindo desculpas e sendo perdoado; não recorrendo à violência ou ameaçando abandonar o lar. (isto no caso especial da mulher). É preciso ter muita paciência. Saber reconhecer os erros, porque só dessa forma o casamento terá bons resultados,” aconselhou o casal.
O casal recomendou aos jovens que pretendem ter uma vida a dois a serem tolerantes: “não é com violência que construirão um lar; devem ser amigos e conhecer os defeitos do parceiro”.
“É emocionante vê-los
completar 50 anos de casamento”
–Vanda Mahoze, neta do casal
“Hoje em dia, é difícil ver um casal com cinquenta anos de casamento. É emocionante ver os meus avós comemorando essa proeza. E eles mostram-nos os caminhos que devemos trilhar. Os caminhos certos”,disse Vanda Mahoze, 20 anos de idade.
Para Vanda, cinquenta anos de casamento representam responsabilidade, compromisso, respeito e dignidade. “Eles são um exemplo para mim. E gostaria que eles continuassem assim”, concluiu.
“É um acto bastante significativo”
-Batista Macamo, 36 anos, filho do casal
Batista Macamo mostrou-se bastante satisfeito com a celebração das bodas de ouro dos seus pais uma vez que, para ele, o acto constitui um feito significativo para a sociedade. “Eles foram fiéis um com o outro. Cada um de nós luta a cada dia para viver um terço do que eles viveram durante o seu namoro”, disse a terminar.
Idnórcio Muchanga



