
O programa de electrificação das sedes distritais, que vem sendo levado a cabo pela Electricidade de Moçambique (EDM), sob orientação do governo, deverá terminar até Dezembro do próximo ano com a electrificação dos restantes 16 distritos que ainda se encontram fora da Rede Nacional de Energia (REN).
Apesar de ainda existirem sedes distritais sem acesso à REN, Moçambique já se posiciona entre os três países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) com a maior taxa de acesso à energia eléctrica. Aliás, tendo em conta a posição e do nosso país a nível da região há que se destacar que decorrem programas que visam aumentar a capacidade de produção, distribuição e de exportação do excedente de energia a ser produzido.
Segundo o Ministro de Energia, Salvador Namburete, estes progressos foram assinalados no âmbito da implementação do Programa Quinquenal do Governo, bem como das actividades previstas no Plano Económico e Social para 2013, que culminou com a disponibilização de electricidade melhores condições de segurança e fiabilidade.
“Temos ainda a destacar as acções do Governo com vista a responder a crescente demanda de energia, através da aposta em projectos de geração com recurso as diferentes fontes de energia de que o país é dotado”, disse Salvador Namburete.
O Governo moçambicano reavaliou os projectos da Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa e Linha de Transporte de Energia e concluiu que havia necessidade de proceder a sua reestruturacão com vista assegurar uma estrutura accionista com robustez técnica e financeira, bem como o alinhamento dos dois projectos.
Estes dados foram avançados durante a semana finda, durante a Reunião Anual Conjunta de Consulta entre o Ministério da Energia e os Parceiros de Cooperação, que tinha como objectivo dar a conhecer aos participantes sobre os desenvolvimentos mais recentes do sector, para os quais a contribuição directa ou indirecta dos parceiros tem sido determinante.
No que concerne as Energias Renováveis destaca-se o contributo significativo no aumento do acesso á energia no país, com destaque para a criação de condições de prestação de serviços públicos de saúde, educação e abastecimento de água, com destaque para os povoados em que a REN não chegará a médio e longo prazo.
Por outro lado, tendo em conta a necessidade de promover as oportunidades de investimento neste sector está em curso a elaboração do Atlas de Energias Renováveis e o regime tarifário para as energias renováveis, que serão aprovados ainda neste ano pelo Conselho de Ministros.
Ainda no mesmo âmbito, Namburete referiu que a construção da Fábrica de Painéis Solares em Maputo está avançada e que este projecto vai permitir a disponibilização de painéis solares a preços mais competitivos no mercado nacional, constituindo igualmente um estímulo para a economia nacional, e um contributo para a redução do uso de fontes de energia menos limpas.
domingo apurou que os níveis de cobertura atingidos através do aproveitamento das energias renováveis tem estado a crescer tanto na electrificação de escolas, hospitais rurais, sistemas de abastecimento de água, bem como no fornecimento aos consumidores domésticos, com destaque para edifícios públicos, residências de professores e enfermeiros.
“Já foram electrificadas 126 vilas, mais de 350 estabelecimentos de ensino e 361 centros de saúde em todo território nacional, o que permitiu uma contribuição na cobertura de acesso à energia eléctrica de cerca de 14 por cento, dos quais adicionados aos 26 por cento da REN elevaram a taxa de cobertura para cerca de 40 por cento de acesso”, disse.
No domínio dos combustíveis destaque vai para o crescimento da rede de distribuição e comercialização de produtos petrolíferos um pouco por todo o país, bem como o aumento da capacidade de armazenagem nos portos nacionais em resultado da reabilitação das respectivas infra-estruturas.
“Destacamos também a entrada em funcionamento da primeira estação de serviço em Moçambique, e também na África Austral, de gás comprimido para a venda ao público. Esta iniciativa junta-se a já existente de postos de abastecimento dos Transportes Públicos de Moçambique”, sublinhou.
Dados apurados pela nossa Reportagem indicam que esta em curso a construção de novas terminais petrolíferas em Palma, Cabo Delgado, e na cidade de Tete, que irão alimentar os vários projectos e permitir a participação de empresas nacionais neste processo.
Saturação da rede
eléctrica provoca “apagões”
A Electricidade de Moçambique (EDM) está a concluir a elaboração de um projecto estimado em 250 milhões de dólares por via do qual pretende fazer face aos frequentes cortes e oscilações de corrente eléctrica que tem estado a afectar a província e cidade de Maputo, revelou Neves Xavier, director da Área de Serviços ao cliente da EDM.
Segundo Xavier, as oscilações e os prolongados cortes de energia que se verificaram na cidade e província de Maputo, na quarta-feira da semana passada, e que se arrastaram até por volta das 13 horas de quinta-feira, se deveram a avarias nas linhas de alta tensão que partem das subestações da Matola (para a baixa da cidade de Maputo) e do Infulene (para a zona do Jardim e do Aeroporto).
Neves Xavier explica que a baixa de Maputo é alimentada por duas linhas que funcionam em simultâneo e que se conectam às subestações menores localizadas nas cercanias da Toyota de Moçambique, no edifício da Revista Tempo e também nas instalações da EDM localizadas na Avenida Filipe Samuel Magaia.
“Porque estas linhas estão sobrecarregadas e não tem redundância, ficamos a operar com uma que não tinha capacidade para aguentar com a cidade, pelo que tivemos que fazer restrições. Esta situação se prolongou por muito tempo porque não conseguimos identificar o ponto onde aconteceu a avaria”, explicou.
Por outro lado, e quase que na mesma altura, houve um “black out” nos bairros alimentados pela linha que parte da subestação de Infulene para o Jardim e Aeroporto devido a um corte na linha que originou o disparo de um transformador naquela subestação.
Para Neves Xavier, este tipo de ocorrências resultam do facto desta região do país estar a registar um crescimento exponencial em termos de construções quando a rede de média tensão existente não está preparada para tamanha demanda e tem mais de 30 anos. “Esta mesma rede está a funcionar sem redundância e no seu limite, pelo que quando se perde uma linha é preciso fazer restrições e, quando se perdem duas linhas acontece o caos”, disse.
A EDM aponta que o caso de Maputo é grave na medida em que há vivendas a serem transformadas em prédios, residências viram serigrafias, pastelarias, restaurantes, entre outros tipos de pequenas e médias empresas sem se observar a capacidade de cargas das linhas circundantes e, pior, sem que a EDM seja tida ou achada durante o processo de transformação das habitações.
Para fazer face à situação, o governo moçambicano, em parceria com o da Índia, está a finalizar a elaboração de um projecto, estimado em 250 milhões de dólares, para financiar a reabilitação e aumento da capacidade das subestações chave e das linhas de alta e média tensão, sendo que em alguns casos serão construídas novas linhas de alta tensão e montados 11 postos de seccionamento.
Neves Xavier também revelou que está em curso um plano de reabilitação da rede subterrânea da cidade de Maputo e que, por antecipação, já decorrem algumas obras a começar pela reabilitação da subestação do Jardim que está saturada.
“Por exemplo, concluímos a subestação de Marracuene e estamos a terminar a montagem da subestação do Zimpeto que vai alimentar a Vila Olímpica e arredores, ao mesmo tempo que estamos a programar a construção de uma nova subestação para a zona do Costa do Sol”.
Angelina Mahumane



