Início » BARRAGEM DOS PEQUENOS LIBOMBOS: Restrições de água deverão ser mantidas

BARRAGEM DOS PEQUENOS LIBOMBOS: Restrições de água deverão ser mantidas

Por admin
90 visitas
A+A-
Reset

As medidas de restrição que estão a ser observadas no processo de fornecimento de água para as cidades de Maputo, Matola e Boane deverão ser mantidas, nos próximos tempos, devido a não alteração do nível de produção do precioso líquido na Barragem dos Pequenos Libombos.

O alerta vem da empresa Águas da Região de Maputo (AdM), através de uma comunicação apresentada, na semana passada, na sessão da Assembleia Municipal, que indica que, actualmente, está em curso o estudo de diversas alternativas para fazer face a esta situação.

De acordo com Gildo Timóteo, da AdM, oficialmente a época chuvosa terminou na passada sexta-feira, último dia do mês de Março, tendo começado, portanto, o chamado período seco, sem que se tenha registado quantidades de precipitação suficientes para aumentar os níveis de produção de água para o consumo.

Mesmo que se venha a registar alguma precipitação atmosférica, segundo Timóteo, não se prevê que seja suficiente para elevar o nível de reserva da Barragem dos Pequenos Libombos, dos actuais 26 para pelo menos 50 por cento.

Com efeito, a empresa Águas da Região de Maputo apelou aos membros da Assembleia Municipal de Maputo para sensibilizar os consumidores para o uso racional do precioso líquido.

De notar que, contrariamente ao que se verificou em termos de chuvas nos últimos dois/três anos, em que a precipitação teve um comportamento normal, a reserva de água para o abastecimento de Maputo, Matola e Boane, a partir da Barragem dos Pequenos Libombos, passou a ressentir-se da escassez desde finais do ano passado.

Nos últimos dois/três anos, a barragem vinha fazendo descarregamentos normais para o abastecimento, além de que, aquela infra-estrutura hidroeléctrica possui outro tipo de funções, como a de produção de energia, através de uma pequena central, bem como de irrigação agrícola.

“Quando se foi vendo que a barragem estava a perder os níveis de reserva de água, dado que não chovia e dificilmente se podia garantir a reposição, começaram a ser tomadas medidas. A primeira medida foi paralisar a produção de energia e, seguidamente, restringiu-se o abastecimento para a irrigação, em três fases, nomeadamente em 25, 75 e 100 por cento, esta última em Dezembro passado. A empresa Águas da Região de Maputo passou unicamente a priorizar o abastecimento de água para o consumo em Maputo, Matola e Boane”, explicou.

Em termos de descarga de água, nessa altura a barragem passou dos três para 1.5 metros cúbicos por segundo, ou seja, fixou-se, ao longo dos primeiros dez dias de Janeiro passado, na metade da sua capacidade normal.

A actual cifra de descarga efectuada por aquela barragem, tal como disse Timóteo, serve para satisfazer em cerca de 40 por cento daquilo seria necessário para as três cidades.

Até o dia 13 de Janeiro passado, porque havia alguma água de reserva, a produção de água estava na ordem de pouco mais de 200 mil metros cúbicos por dia, quantidade considerada suficiente para a satisfação dos seus clientes.

As restrições começaram quando a Estação de Tratamento de Água de Umbeluzi  (ETA) deixou de receber água nas quantidades que recebia, tendo nessa altura o nível de produção baixado para 150 mil metros cúbicos por dia, cifra alcançada no último dia de Janeiro.

No mês de Fevereiro passado, período em que se atingiu o pico das restrições, o nível de produção na Barragem dos Pequenos Libombos baixou para os preocupantes 130 mil metros cúbicos por dia.

Tendo se registado alguma precipitação nos finais de Fevereiro, nas regiões de Boane, Namaacha e Suazilândia, o que os gestores da barragem fizeram foi fechar as comportas para verificar se havia possibilidade de reservar uma certa quantidade de água, fazendo com que nessa altura, aparentemente, fossem levantadas as restrições.

Para fazer a esta situação, para além dos estudos que anteriormente haviam sido realizados e outros que estão a ser acelerados, no sentido de ir buscar água em algum lugar para garantir o consumo das populações, a AdM disse que está a desenvolver mecanismos para a adopção de medidas alternativas.

Para além de outras, como medidas de implementação imediata, está em equação a abertura de furos subterrâneos onde se regista a ocorrência de muita água, de modo a assegurar uma produção média até 50 metros cúbicos por hora.

Entre Maputo e Matola, há o registo de aquíferos produtivos nas zonas de “Nkobe”, “Trevo”, “Jardim”, “Infulene”, “Laulane”, “Magoanine” e “Polana-Caniço”. Em algumas destas áreas, existem pequenos sistemas que são geridos pelas Águas da Região de Maputo e o Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG), assim como de operadores privados.

Neste momento, estão em processo de reactivação, além de outros pequenos sistemas, de 22 furos subterrâneos de água, grande parte dos quais que não haviam sido concluídos anteriormente, esperando-se que até Junho próximo os sistemas poderão estar operacionais.

Está ainda projectada a abertura de seis furos nas zonas das barreiras da Malanga e da Maxaquene, na cidade de Maputo, onde se regista a ocorrência de água, como forma de fazer face à escassez do precioso líquido.

De notar que, ao atravessar junto daqueles locais, tem sido possível visualizar água que escorre, incluindo na faixa de rodagem, pretendendo-se agora aproveitar o elevado nível freático para captar, tratar o precioso líquido e garantir o abastecimento.

Segundo soubemos, para abertura daqueles furos, existe uma autorização emitida pelo Conselho Municipal, estando neste momento em processo de adjudicação para os empreiteiros.

Texto de Benjamim Wilson

Artigos relacionados

Focus Mode