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Sensacionalismo duma ORDEM…

Por admin
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No dia 1 de Março, o da abertura do ano judicial, um meu primo classificou-me, sem medo de me ferir, de pessimista, depois de lhe ter dito que acabava de assistir à cerimónia do dia na “Joaquim Chissano” e que estava decepcionado com a Ordem dos Advogados.

Manteve a sua posição depois de lhe enumerar as razões por que tomava aquela posição opinativa e individual. Não me deve ter entendido, quando lhe dei exemplos das passagens do discurso do seu bastonário que me pareciam terem saído dum espectador, na bancada central-sol, excluindo-se voluntariamente do sistema judicial.

Não me quis perceber mesmo quando baixei, mais a minha indignação ao afirmar que esperava de qualquer dos três órgãos da justiça ali representados (Tribunal Supremo, Procuradoria-Geral da República e a Ordem dos Advogados) propostas sérias de como ultrapassar algumas lacunas identificadas há muito tempo e não uma repetição do enumerar das mesmas.

Tentei ser ainda mais pedagógico, antes de marcarmos (para o mesmo dia) um encontro no Waterfront onde definitivamente iria sustentar a minha leitura acre em desfavor da Ordem dos Advogados.

Disse-lhe que, apesar de a seara ser-me aparentemente alheia, me parecia que os advogados são uma classe iluminada que deveria ter aparecido com factos e propostas a serem tidos em conta para as diferentes áreas de ciência e de investigação e compreensão de quem quisesse perceber o sistema judicial moçambicano.

Não tinha dito que ele é advogado. Mesmo depois de nos encontrarmos, no referido restaurante, perto da Náutica, onde em 1981 aprendi o jogo de xadrez, o meu confidente não desarmou, não obstante o facto de lhe ter trazido a intervenção do seu chefe documentada.

Acabamos o encontro, cada um, com a opinião com que vinha, tanto era que, ele mesmo, é das minhas relações. A minha que mantive foi de que a Ordem dos Advogados não se deveria comportar como algo estranho ao sistema e que nada faz para melhorá-lo. Que não devia contentar-se em enumerar casos que entende incorrectos sem nada dizer sobre a forma como pelo menos quis contribuir para que não perdurassem.

Esta semana, o advogado (mais isso que primo), propôs que fossemos no mesmo lugar para a mesma conversa. À primeira quis recusar, não tanto porque temesse o confronto de ideias, mas sobretudo porque os meus bolsos não respiravam senão a aparente crise, naquele dia consubstanciada na falta de alguma quinhenta que justificasse a ocupação de um lugar à beira-mar.

Ficamos para conversar no facebook. Recusou. Disse que viria ter até mais perto donde eu me encontrava. É quando me oferece o relatório da “sua” Ordem sobre Direitos Humanos em Moçambique, medidos num ano de actividade. Diz-me que tinha visto o que eu vira no dia 1 de Março, dia da abertura do ano judicial. Percebi.

Quando vim ler encontrei a mesma história: um conjunto de acusações, incluindo de execuções sumárias nas penitenciárias nacionais, mas sem onde lhe pegar para uma investigação séria independente, já que a Ordem não quis. Alias, não conseguiu. Aliás, não pôde ser profissional.

Peguei no telefone e disse ao primo: Uma Ordem de qualquer profissão tem a obrigação de ser no mínimo razoável. De dizer coisa-com-coisa e não tão sensacionalista quanto um jornalismo barato, de pouco esforço, perigoso. No fim agradeci-lhe, cumprimentando-o. Depois pediu-me o favor que não quero dar: não dizer por dizer.

Pedro Nacuo
nacuo49nacuo@gmail.com

 

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