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INFRA-ESTRUTURAS: Construções clandestinas colocam prédios em risco

Por admin
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alerta o arquitecto e director da APIE, Arnaldo Simango

Algumas infra-estruturas habitacionais da cidade de Maputo, localizadas em bairros como Malhangalene e Alto Maé e não só, correm o risco de desabar, conforme explicam especialistas em construção civil contactados pela nossa reportagem. O facto deve-se às construções clandestinas de dependências em espaços que inicialmente haviam sido desenhados para funcionar apenas como terraços.

domingo percorreu algumas vias da cidade de Maputo e o que viu é de arrepiar os cabelos. Só para citar alguns exemplos, na Avenida da Malhangalene, na Rua do Castelo Branco, do Largo de Ouro, na Rua da Manica, no bairro da Malhangalene, e na Avenida Josina Machel, ao pé da Escola Secundária Francisco Manyanga, no Alto Maé,  nota-se um autêntico festival de flats clandestinas habitadas por cidadãos que na sua maioria ganham a vida na capital do país.

Fontes encontradas no local disseram que os referidos espaços construídos para habitação são propriedade de alguns moradores dos respectivos prédios, que os colocam para arrendar, sendo que os preços variam decinco a sete mil meticais.

Contudo, a avaliar por declarações de peritos em matéria de construção civil, o perigo está à espreita: esses prédios que carregam no seu topo material não planificado na altura da construção de raiz correm o risco de cair.

CONDÓMINOS AGASTADOS

A nossa equipa de reportagem conversou com alguns moradores dos referidos edifícios, que se encontram na posição de lesados, por conta do risco que correm devido à inconsciência dos seus vizinhos. Estes mostraram-se extremamente revoltados e temerosos por não saberem o que o futuro lhes reservava em termos de integridade dos imóveis onde residem.  

Na ocasião, revelaram que alguns dos problemas criados por essas construções não contempladas no desenho oficial dos edifícios consubstanciam-se em infiltrações no interior das suas residências.

Honório Nhambinde, morador do bairro Alto Maé, Q 32 “A”, deu o seu testemunho ao afirmar que sempre que chove as pessoas não dormem tranquilamente, porque a água entra. “O peso que essa nova estrutura tem não foi contemplado quando se construiu o prédio pela primeira vez, daí que estamos a registar esse fenómeno de rachaduras nas paredes, para além de que destoa no que diz respeito à estética”.

Factos semelhantes são reportados por Venâncio Souza, chefe dos quarteirões 32 e 33 “A” do Alto Maé. “Vi isto desde o começo, mas quando reportamos ao município eles dizem que vão resolver. Entretanto, o que vemos é o aumento dessas casinhas. Não sabemos como isso é articulado, mas o facto é que já tem consequências e todos conseguem ver”, disse.

Os pequenos apartamentos nos famosos terrenos aéreos têm normalmente um quarto, sala de visitas, casas de banho e ainda um sistema de abastecimento de água, feito no improviso.

Um dos moradores, residente no bairro da Malhangalene, por sinal proprietário de uma destas habitações não oficiais, justificou-se afirmando que a criação daqueles compartimentos deve-se ao aumento do número dos membros das famílias. “Eu sou filho e tive de me casar. Assim durmo numa dessas dependências e fico feliz porque lá (no terraço)tenho a minha privacidade”, contou-nos sem, no entanto, aceitar ser identificado. Outra vantagem por ele avançada é o facto de “ser vantajoso estar na cidade, pois estamos perto dos nossos postos de trabalho”.

TROCA DE

ACUSAÇÕES

Diante deste cenário, a nossa equipa de reportagem contactou o município de Maputo com o objectivo de encontrar respostas para a ocorrência das ilegalidades. Através do gabinete de comunicação e imagem das autoridades municipais, domingo soube que o assunto não competia à gestão autárquica, uma vez que os prédios possuem responsáveis, que são, por sinal, seus proprietários.

Tal posicionamento não agradou a Associação das Comissões dos Moradores da Cidade de Maputo (ACMCM). A mesma, através da sua presidente, Carolina Menezes considerou que o município de Maputo está a fugir das suas responsabilidades, uma vez que está na sua alçada a autorização de construções. “À partida aquilo não devia ser permitido, já abordamos o município sobre isso porque as construções de facto são ilegais. A nosso ver, se isso acontece significa que alguém permite, e a entidade a quem compete fazer isso é o município, pois é lá onde dão a documentação para tal”.

CORREM RISCO DE DESABAR

Arnaldo Simango, arquitecto

O arquitecto Arnaldo Simango, também director da Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE), alertou que as infra-estruturas erguidas nos terraços representam uma ameaça à segurança dos moradores dos prédios, uma vez que podem deitá-los abaixo.

Especialista em Planeamento e Gestão de Assentamentos Informais, a nossa fonte revelou ao domingo que tal pode acontecer, pois a estrutura do prédio fica enfraquecida com o tempo devido ao peso não previsto que carrega. “A laje do terraço não foi pensada para suportar muito peso; os pilares não suportam o peso, com o agravante de que são edifícios com muitos anos de existência”.

Conforme explicou, “normalmente, a placa colocada na última parte de um prédio não é concebida da mesma maneira que a dos outros andares. Assim sendo, não é para se viver lá, nem sequer é para se desenvolver actividades naquele local, mas as pessoas estão lá: usam fogões à carvão, o que provoca aquecimento geral no edifício e desequilibra a estrutura; vivem lá mais de sete pessoas; criam fissuras na laje, atiram água de sabão que tem como consequências o nascimento de fungos. Estes fazem nascer raízes que penetram nas paredes e criam rachaduras.

 Simango explicou que o sistema de canalização naqueles pequenos apartamentos é algo improvisado.

A existência de tanques de água é condição fundamental para a improvisação que eles fazem no sistema de abastecimento de água. Outros ainda optam pela ligação directa a partir dos outros apartamentos. “É o mesmo que fazem quando se trata de energia”, comentou a fonte.

Esse mau uso, alertou o entrevistado, faz com que a vida do prédio fique curta”. Outro aspecto sublinhado é o facto de alguns daqueles espaços não possuírem casas de banho, o que leva a que os moradores despidos de princípios atirem excrementos embrulhados em sacos de plásticos. 

Texto de Pretilério Matsinhe

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