Os criadores e camponeses do distrito de Boane mostram-se preocupados com o roubo de gado bovino e das suas culturas agrícolas, facto que vem se agravando nos últimos tempos naquela parcela da província de Maputo.
O distrito de Boane, que tem mais de 168 mil habitantes, distribuídos por diferentes bairros residenciais, é um dos potenciais produtores agrícolas na província de Maputo, com maior destaque para a cultura de banana e hortícolas. Entretanto, existem também criadores de várias espécies de animais, como é o caso de gado bovino.
Nos últimos tempos, estes produtores mostram-se frustrados por causa da onda de roubos, facto que, segundo eles, acentuou-se no ano passado, 2016.
Os malfeitores fazem-se aos locais munidos frequentemente de armas brancas para assustar os guardas, impedindo-os que peçam socorro e cercam o raio dos animais para que nenhum escape. De seguida, matam e despedaçam os animais.
De acordo com os criadores, a atitude dos bandidos é revoltante, pois é praticada de forma brutal.
Como sinal de tamanha brutalidade, são notáveis poças de sangue por todo o mato, para além de que quando os meliantes não conseguem transportar toda a carne deixam-na abandonada nessas matas, sem nenhum mecanismo de conservação.
Acredita-se que os bandidos deixem essa carne para trás por sacrificarem muitas cabeças e não possuírem meios de transportá-la.
Uma das vítimas que conversou com a nossa equipa de Reportagem lembra com tristeza que no ano passado, 2016, os bandidos invadiram na calada da noite um curral onde tinha mais de uma centena de cabeças e mataram cerca de 80.
A vítima da acção dos bandidos conta que foi informado no dia seguinte pelos seus trabalhadores, e quando chegou ao local encontrou apenas parte da carne que os meliantes não terão conseguido carregar.
Referiu que o sucedido foi comunicado à Polícia da República de Moçambique (PRM) daquele distrito, mas que ninguém foi preso em conexão com o caso, facto que o deixa desconfiado em relação ao empenho da Polícia.
Aliás, segundo constatou o nosso jornal, a maior parte das vítimas acredita que os malfeitores trabalham em coordenação com os agentes da PRM daquele local.
DESGUARNECIDOS
As vítimas de roubos em Boane clamam por uma cobertura policial como forma de desencorajar práticas criminosas naquele local.
Segundo disseram, a Polícia não tem frequentado a sua área, sendo por isso que acreditam que as acções dos malfeitores agudizaram-se.
O medo de perder a sua riqueza adiciona-se ao de perder as suas próprias vidas em tentativas de impedir que os crimes aconteçam.
Alberto Teixeira é um agro-pecuário do distrito de Boane. Desenvolve a sua actividade nas proximidades do rio Umbeluzi, depois da estacão de tratamento de água, numa área de sete hectares onde produz tomate e pimento. Também é criador de várias cabeças de gado bovino.
Teixeira mostra-se desolado quando se lembra da perda que teve no ano passado, no campo agrícola e na criação de animais. Conforme revelou, os malfeitores actuaram duas vezes e numa dessas vezes mataram 50 cabeças de gado bovino.
“Às vezes, faço um esforço no sentido de me esquecer desse episódio, mas não é possível porque as perdas foram elevadas. O desespero é maior porque investimos para ter benefício, mas a acção dos malfeitores deita tudo abaixo. No ano passado, para além de roubarem as cabeças, invadiram a machamba e recolheram grandes quantidades de tomate. Ninguém foi capturado, mas acreditamos que se trata de pessoas das comunidades circunvizinhas”, acusou.
Outro criador que sofreu a acção dos larápios é Arnaldo Matavele. Este conta que a acção dos criminosos não é nova, mas que está a ganhar contornos mais preocupantes nos últimos tempos. Segundo referiu, os malfeitores vasculham a mata nas noites, o animal que for encontrado não escapa.
“Cheguei a desconfiar dos meus trabalhadores. Facto que nos dói é que matam os animais de qualquer maneira, e nem sempre conseguem transportar toda a carne. Só fazem estragos”,disse Matavele.
Por sua vez, Carlos Massingue, outra vítima, mostrou-se revoltado com a atitude dos bandidos, pois tinha comprado quatro porcos para a sua criação. No entanto, nos princípios deste ano os meliantes vieram roubar dois.
“Foi um retrocesso, assim estou a lutar para conseguir outros e rezar para que não levem os que restaram. Queria trazer mais cabeças, mas não o posso fazer por falta de segurança”, concluiu.



