
Apesar de somarem conquistas e participação no desenvolvimento do país, as mulheres reconheceram ainda existir muito por se fazer para cantarem vitórias.
Este sentimento foi expresso durante a celebração do Dia Internacional da Mulher, assinalado semana finda no país sob o lema As Mulheres no Mundo do Trabalho em Mudança: Por Um Planeta 50-50 em 2030.
Algumas mulheres que falaram para o domingo afirmaram que o patamar por si alcançado no mundo e de forma particular no nosso país, é fruto de diferentes desafios enfrentados ao longo de vários anos.
Entretanto, factores culturais, o elevado índice de analfabetismo, a falta de conhecimento e disseminação dos seus direitos, a gravidez precoce e o casamento prematuro foram destacados como sendo alguns dos males que assombram e comprometem o futuro de algumas mulheres no mundo.
Luísa Honwana, membro da Organização da Mulher Moçambicana, destacou a participação das moçambicanas na luta contra o jugo colonial. “Acredito que se a mulher não tivesse participado na luta de libertação nacional, provavelmente teríamos perdido mais combatentes na guerra”, afirmou.
Falando do actual período da história do país, Luísa Honwana referiu que à semelhança de ontem, a mulher possui várias responsabilidades na sociedade: “no comércio, em instituições do Estado, oficinas, etc., etc… Sem conhecer ou dominar o mundo atravessamos as nossas fronteiras à procura do pão. Atrevemo-nos a viajar para China, Índia, Portugal onde efectuamos compras e vendemos no nosso país como forma de ajudarmos os nossos companheiros nas despesas de casa e no sustento dos nossos filhos”, referiu.
Contudo, lamentou o facto de ainda existirem poucos projectos comunitários de apoio à mulher. “Muitas vezes não temos condições de iniciar um negócio por falta de condições financeiras”, salientou.
Entretanto, Luísa Honwana disse estar preocupada com a onda de criminalidade que no seu entender tende a crescer , sendo por tal, fundamental as famílias prestarem atenção nos seus filhos. “Para mim este problema é causado pelo álcool. Os jovens de hoje não têm medo de pegar num copo de álcool. Bebem quase de tudo e uma vez embriagados fazem mal às outras pessoas: Roubam, violam…” apontou, destacando a importância da mães velarem cada vez mais pelo comportamento dos seus filhos.
Marcelina Jorge, outra mulher que privou com domingo, destacou os lugares dignificantes tomados por indivíduos do sexo feminino: “Hoje temos mulheres ministras, governadoras, fruto do esforço de outras moçambicanas que tiveram um papel imprescindível na emancipação da mulher hoje”, afirmou Marcelina Jorge.
Entretanto, conforme referiu, dos males que assombram a classe feminina, a violação dos direitos da mulher e da rapariga continuam sendo um obstáculo por remover, sendo por isso importante disseminação dos direitos da mulher e o cumprimento da lei constitui uma das chaves para o combate ao este mal.
Ainda no âmbito desta efeméride , Maria Argentina Simião, Directora do Género, Criança e Acção Social, referiu que o momento constituía um momento de exaltação dos direitos da mulher e “remete-nos a uma reflexão profunda sobre os papéis de cada mulher moçambicana na mitigação dos males que enfermam a participação da mulher e rapariga no processo de desenvolvimento de nosso país”.
Conforme referiu, o Governo está a trabalhar para acabar com a violência doméstica no país em geral. “Estamos a capacitar mulheres e jovens para a divulgação da lei contra diferentes tipos de violência, bem como para a sensibilização da população para não pautar por estes actos”, apontou.
Texto de Luísa Jorge



