
As escolas do Ensino Secundário localizadas nas zonas de expansão da cidade de Maputo estão a ficar superlotadas, o que as obriga a fazer quase o impossível para cumprir com o lema do sector da educação que é garantir que todo o aluno estude.
A Escola Secundária Joaquim Chissano,sita no bairro de Albasine, é exemplo daquela realidade. Por exemplo, no segundo ciclo, ou seja, 11.ªe12.ªclasses, cada sala acolhe em média cerca de 70 alunos. No primeiro ciclo, isto é, da 8.ª à 10.ª classe, a média de alunos é de 50 por turma.
Até o ano passado, aquela instituição leccionava apenas o segundo ciclo do ensino secundário e algumas turmas da 9.ª classe. Contudo, dada a demanda verificada na 8.ª classe, a Direcção da Escola Secundária Joaquim Chissano teve a orientação de reintroduzir o primeiro ciclo para acomodar mais estudantes.
“Com apenas 35 salas de aula, houve necessidade de se criar meios alternativos para albergar os alunos. Tivemos de anexar mais algumas salas de aula numa escola primária próxima para acomodar os novos ingressos”,explicou Teles Sabão, director daquela unidade escolar.
Outra alternativa adoptada pela escola para não deixar de fora nenhum aluno foi o encaminhamento dos mesmos para o ensino à distância. “Muitos pais e encarregados de educação aparecem à procura de vagas e dada a saturação no sistema presencial alguns optaram por matricular os seus filhos de 13 e 14 anos no ensino à distância, mas temos tido bons resultados”, revelou.
Na Escola Secundária Hitacula, também localizada no bairro Albasine, a realidade é mais penosa. Há turmas com 85 alunos em média. Com oito salas de aula, o exercício de ensino e aprendizagem é realizado com muita sofreguidão, pois dependendo da classe e consoante as disciplinas um professor pode leccionar cinco a seis turmas.
A justificação dada pelo director-adjunto pedagógico daquela unidade escolar, Manuel Dimande, é a mesma: a demanda do Ensino Secundário no distrito (KaMavota) é grande. “Neste distrito temos apenas duas escolas do Ensino Secundário e uma técnica média. Em contraposição, temos muitas escolas primárias. Todos os graduados da 7.ªclasse são encaminhados para as três escolas que, por sua vez, devem criar condições de absorver a todos”, referiu ManuelDimande.
Decorrente deste cenário, a escola está a aumentar salas de aula socorrendo-se do Fundo da Escola e da contribuição dos pais e encarregados de educação que contribuíram com 100 meticais por educando no acto da matrícula.
A Escola Técnica de Albasine tem sido outra das alternativas para acomodar alunos graduados da 7.ªclasse. A demanda de vagas também é elevada, sendo que a frequência é de 75 de alunos por turma.
“Estrela Vermelha” com salas vazias
Entretanto, a realidade que se assiste nas escolas localizadas na zona centro da cidade é contrária às das escolas que se encontram nas zonas em expansão.
Por exemplo, na Escola Secundária Estrela Vermelha ainda existe espaço para albergar mais alunos. “Neste momento temos sete salas de aula que não estão a ser usadas por falta de alunos”,disseGilberto Reis, director da escola.
Segundo o director, aquela realidade deve-se ao facto de muitos jovens e adultos em idade reprodutiva tenderem a se deslocar do centro da cidade para as zonas de expansão, aliada à escassez de transporte de algumas zonas periféricas para o centro da cidade.
“Parte considerável de alunos matriculados na nossa escola provém dos bairros localizados fora da cidade, nomeadamente Albasine, Laulane e Magoanine”, explicou Reis.
O resultado deste cenário não tardou a chegar. “Ainda na segunda semana de aulas recebemos 10 pedidos de transferência e pela tendência percebemos que ainda vamos receber mais, visto estarmos ainda no primeiro trimestre do ano”, explicou, tendo acrescentado que “este facto mostra que em termos estatísticos pelo menos um aluno por dia submete pedido de transferência alegando a distância da escola para a sua nova residência”.
Relativamente aos novos ingressos, Reis socorreu-se das listas enviadas pelas escolas primárias para mostrar que há escolas que chegaram a enviar um aluno para afectação. Foram os casos da Escola Primária Completa da Coop, Escola Primária Completa do AltoMaé, Casa da Munhuana, Escola Primária Filipe Samuel Magaia, entre outras.
Enquanto isso, das zonas em expansão como o distrito municipal Nhlamankulu, por exemplo, onde não existem problemas de transporte, a Escola Secundária Estrela Vermelha recebeu cerca de mil graduados.
“Francisco Manyanga”
com 45 alunos por turma
A nossa reportagem visitou aEscola Secundária Francisco Manyanga. A realidade não difere muito da Escola Secundária Estrela Vermelha, que conta com uma média de 45 alunos por cada sala de aula.
Segundo o nosso entrevistado, até a primeira semana de aulas a escola ainda estava a realizar matrículas.
“Prorrogámos o tempo porque temos de cumprir a recomendação segundo a qual todos os alunos devem estudar e fizemo-lo confortavelmente”, explicou Orlando Dimas, director da “Francisco Manyanga”.
Acrescentou que o número de alunos inscritos para o ano lectivo de 2017 ultrapassou ligeiramente ao registado no ano passado. Contudo, não foi necessário alterar as condições preparadas para o arranque das aulas.
Outro facto relatado pelo director daquela instituição doEnsino Secundário são os pedidos de transferência de alunos. À semelhança da “Estrela Vermelha”, a “Francisco Manyanga” também recebeu 10 pedidos de transferências de alunos. A mudança de residência é um dos motivos invocados.
De referir que só no primeiro trimestre do ano passado a escola autorizou a transferência de 39 alunos.



