“Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”Mt 22:14
No próximo dia 25 de Fevereiro corrente – sábado, irei lançar e colocar à venda a minha Segunda Obra Literária com o Titulo “SEMPRE ESTRANGEIR(?)”, em Inharrime, no “Lar do Peregrino”. Mais tarde poderá ser encontrada em Maputo. Para quem vai de Maputo, a partir do Portão Principal do Cemitério de Hlanguene (defronte da Ponte aérea para peões), à entrada do Cemitério da Vila de Inharrime que também por sinal fica à berma da estrada, são nem mais nem menos que 399Kms. Trezentos e noventa e nove quilómetros. Num carro em boas condições, andando a uma velocidade média de 100Kms/h, sem paragens, percorrem-se em três horas e no máximo de quatro. Daquele lugar até ao “Lar do Peregrino”, nome dado à casa onde eu vivi os meus primeiros dezassete anos de vida, são mais mil metros. Um quilómetro, para ser mais exacto. Resumindo: da entrada do Cemitério de Hlanguene à entrada da Vila de Inharrime, sem sair da Estrada Nacional número um, “EN1”, são 399Kms. Trezentos e noventa e nove quilómetros. Nos princípios da década cinquenta, (1952 para ser mais preciso), altura em que vim pela primeira vez a Lourenço Marques (hoje Maputo), antes de a “EN1” ser asfaltada pela Empresa ERMOQUE, facto que ocorreu, no caso do troço que cobre o Distrito, da Ponte de Inharrime a Nyakowongo, dez anos depois, (1962), altura em que entraram em funcionamento os luxuosos autocarros da empresa “Auto Viação do Sul do Save”, (popularmente conhecidos por “Sibomba sa Sã”), transformada na década Setenta para “Empresa de Transporte Majone Ngonyamo”, na qual a nossa conceituada Cantora Guilhermina Caetano “Gue-Guê”, passeou a sua classe como linda hospedeira, já se pagava 45$00 (Quarenta e cinco Escudos) por passageiro. Antes disso, só se viajava numa espécie de carruagem de ferro pavimentado, com capacidade para dez passageiros e janelas sem vidros, pertencente a um judeu que respondia pelo nome de Stamit Zamit, (popularmente conhecido pela alcunha de “Madʹoci”, o amante de “Dʹdoci”, sumo doce de caju), pagando-se 20$00 (Vinte Escudos) por passageiro. Aquela geringonça era o único veículo cuja ignição era feita através duma alavanca dobrada em ângulo recto, com o auxílio da qual se imprimia um movimento de rotação contínua ao eixo a que estava ligada, conhecida por“manivela”, com bancos de madeira sem encostos com lotação para vinte pessoas. Saía-se da vila de Inharrime em estrada de terra batida as seis da manhã, com paragem obrigatória no batelão do rio Limpopo na então Vila de João Belo, (hoje cidade de Xai-xai) e outra paragem para os passageiros darem empurram à dita geringonça, na subida íngreme de Xikhumbana, porque aquela espécie de carroça nunca conseguia escalar aquele acidente geográfico com os passageiros adentro. Só chegava-se ao Jardim Zoológico de Kampfumo, (hoje Maputo) pelas vinte horas. Eram catorze horas de verdadeiro suplício durante os quais os passageiros ficavam com as nádegas sofridas de tantos solavancos, com a espinha dorsal bastante dolorida, além de constipados e com dores de cabeça devido a poeiras que entravam pelas janelas sem vidro. Todo o caminho da Vila de Inharrime à entrada da Vila Luisa (hoje Marracuene), era ladeado de grandes árvores de sombra desde Mitsondzo aos Eucaliptos e Casuarinas. Hoje a situação mudou completamente. Logo à saída (ou entrada) da Vila de Inharrime, e ao longo de toda “EN1” até ao Estádio Nacional do Zimpeto, encontramos vilarejos, prenhes de vendedeira(o)s de toda a sorte de produtos da época, desde citrinos de toda a sorte, mandioca e respectiva farinha, mel, Nʹtona/Munyantsi, (óleo de mafurra), batata-doce, ananás, cocos, mapfilwa, maracujá, diversas verduras e artigos de artesanato (Swikhelekhedana). Vamos a Inharrime? nyangatane@gmail.com; 82 31 68 700. Estamos juntos.



