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SEXUALIDADE: Desporto pode reduzir casamentos prematuros

Por admin
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– Alberto Nkutumula na 19.ª Reunião da Parceria Global para a Saúde Materna, Neonatal e Infantil

Fazer da escola um espaço feliz e com conteúdos atractivos foi avançado como alternativa para reduzir casamentos prematuros em Moçambique. Ademais, a prática do desporto, a seu momento, já se revela de forma concreta um importante aliado, conforme referiu o ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula, durante a 19.ª Reunião da Parceria Global para a Saúde Materna, Neonatal e Infantil realizada semana finda em Maputo.

Estas e outras contribuições foram apresentadas no referido encontro, cuja cerimónia de abertura foi dirigida pela esposa do Presidente da República, Isaura Nyusi, num debate que tinha como objectivo dar resposta à velha questão: “Como acabar com os casamentos prematuros?”, numa altura em que os índices em Moçambique continuam preocupantes.

Dados lançados na ocasião indicam que Moçambique está entre dez países com elevada prevalência em África. Já ao nível da África Austral, conforme referiu o vice-ministro do Género, Criança e Acção Social, Lucas Mangrasse, está entre os três mais afectados.

Contra esta corrente, têm sido desenhados e implementados vários planos de acção de forma integrada e coordenada, envolvendo todos os sectores considerados contribuintes para a saúde e vice-versa, a destacar os ministérios da Educação e Desenvolvimento Humano, do Género, Mulher e Acção Social, da Juventude e Desportos, entre outros parceiros.

No seio das comunidades foram criados os comités de vigias, de forma a acautelar a existência de comportamentos desviantes nas raparigas. Outra medida referida no encontro é a oferta de alternativas ao casamento, a título de exemplo, fazer da escola um jardim, um lugar aprazível, onde se alia a componente instrutiva às actividades lúdicas, tais como a prática desportiva, uma vez que tem encaminhado positivamente os adolescentes e jovens.

A medida mostra-se eficaz, a avaliar pelas declarações de Alexandre Raposo, Paulo Nhamusso e Elisabete Delechane, todos ligados ao desporto. No entanto, há que intensificar e massificar as acções, bem como reparar algumas falhas detectadas, conforme apontaram ao domingo.

Criar internatos nas zonas rurais

– Alexandre Raposo, professor de Educação Física

A prática do desporto nas escolas é, sem dúvida, uma fórmula a adoptar para colocar as crianças e jovens no bom caminho. Trabalho desde o ano de 2000 com crianças desde os 12 anos, em modalidades como o básquete, andebol, atletismo, ginástica, futebol, salto à corda, entre outras, e os resultados são positivos: o seu comportamento tem sido salutar, não obstante alguns desvios típicos da idade”.

Estas foram as declarações do professor de Educação Física da Escola Secundária da Liberdade, que, entretanto, se referiu às experiências por si colhidas em zonas do interior para lançar apelos ao Governo e parceiros no sentido destes reforçarem e adaptarem as suas intervenções na luta contra os casamentos prematuros levando em consideração as especificidades de cada lugar. É que, segundo disse, “em zonas como Mahubo, a tradição ainda permite o casamento de meninas de pouca idade, muitas vezes motivado por questões materiais. Como se sabe, aquela área é rica em gado bovino, e os pais oferecem as suas filhas em troca de algum benefício”, denunciou Raposo.

A solução para este problema, avançou o professor, seria a construção de internatos principalmente nas zonas rurais, pois, “nessas instituições, essas raparigas estariam longe de influências que atentam contra o seu desenvolvimento humano e seria garantida a salvaguarda de um futuro promissor”.

Não retirar campos das comunidades

– Paulo Nhamusso, professor de Educação Física e treinador de basquetebol

Quando se ocupa a criança com actividades paralelas às aulas, tais como o desporto, a costura, música, entre outras, ela percebe que tem coisas melhores por fazer, e a participação do Governo na promoção do desporto é de louvar, pelo facto de organizar e manter a prática desportiva, a título de exemplo, os jogos escolares, considera Paulo Nhamusso.

Entretanto, a sua maior inquietação resulta do facto de “se estar a retirar os campos para prática desportiva no seio das comunidades para a construção de habitações ou para desenvolver projectos de outra natureza”, o que contrasta com a vontade da população de os aproveitar para actividades físicas ou recreativas.

Aliás, conforme referiu, fora dos espaços urbanos, a prática do desporto tem movimentado massas: “nas zonas rurais existe a prática do futebol feminino, com equipas fortes e estruturadas. As associações movimentam atletas, e deixe-me dizer que inúmeras vezes as equipas das cidades são derrotadasquando defrontam as das zonas rurais. Evidentemente os resultados mostram que vale a pena investir no desporto como forma de acautelar comportamentos desviantes nas raparigas e jovens de uma forma geral ”, observou.

Ajuda a adiar certos desejos

– Elisabete Delechane, basquetebolista

Aos dez anos iniciou a actividade desportiva na Escola Primária Maxaquene Khovo. “Primeiro o atletismo, depois o básquete. Focava-me no desporto e, obviamente, nas aulas. Até porque ouvia o conselho dos meus monitores, que diziam que se nos desviássemos dos objectivos académicos e desportivos perderíamos boas oportunidades para a nossa vida”, disse Elisabete Delechane, 22 anos de idade, jogadora de básquete e estudante universitária.

A atleta garante que o desporto ocupa a mente e o espírito. A consequência é que “sobra pouquíssimo tempo para namorar, pois os treinadores exigem muito de nós. Isto ajuda a adiar certos desejos e, sobretudo, faz com que a rapariga tenha consciência e capacidade de negociar com os seus pais, o que é bom ou mau para si”, referiu.

Entretanto, apela ao Governo a incentivar e massificar as actividades desportivas: “é preciso estendê-las para todas as províncias, para todos os lugares, intensificá-las em instituições escolares, pois traz benefícios para os jovens de uma forma geral e, em particular, para as meninas que ao serem abordadas para fins desviantes poderão saber fazer as melhores escolhas”.

Texto de Carol Banze
carolbanze@snoticias.co.mz

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