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SAÚDE: O preço da má postura corporal

Por admin
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Altino Mário de 47 anos, sofre de dores na coluna vertebral desde 2004. Perdeu a conta do número de vezes que foi parar ao hospital de madrugada à busca de atenção médica para que lhe fosse aliviada a dor.

Confessa que de início não levou a coisa a sério. Porém, com o passar do tempo, as dores foram-se agravando e, não lhe sobrando outra alternativa, entrou para a maratona de consultas num dos hospitais da cidade de Maputo, mas o resultado pretendido tarda a chegar.  

“Já mediquei quase tudo durante estes anos, já lá vão dezoito, mas ainda sofro. Aborrecido e por medo de intoxicação, à dada altura preferi ficar com as dores lombares a continuar a tomar comprimidos”, conta.

Os 18 anos de calvário afectaram-lhe a qualidade de vida. “Sofro tanto com esta dor que me deixou numa situação de inactividade orgânica. Hoje tenho tendência a ter tensão alta e não consigo ficar muito tempo sentado ou de pé”, refere.Arrancámos-lhe este depoimento no departamento de Medicina e Reabilitação Física do Hospital Central de Maputo (HCM), onde, uma vez mais, Altino Mário se submetia a uma sessão de fisioterapia.

 

Para chegar a aqueles cuidados especializados não foi um processo rectilíneo. Veio referenciado da Ortopedia, onde fez a primeira consulta. “Ainda é cedo para poder dizer que me sinto mais ou menos bem porque, como disse anteriormente, são quase duas décadas de intensa dor”.

O seu rosto revela auto-confiança. Faz fisioterapia três vezes por semana. É, invariavelmente, um dos primeiros a chegar às sessões, pontualmente às sete horas, e gaba-se por isso. 

Altino  Mário é escrivão de profissão. Quando faltasse ao trabalho alegando dores nas costas o patronato não encarava o problema a sério. “A verdade é que hoje estou como estou”.

Altino Mário não é único a sofrer da patologia lombar. Também ouvimos a história médica da senhora Aida Mafuma. Contou que as dores, que começaram há um ano, incidem, sobretudo, nos ombros e na coluna vertebral. Diz que por mais que se esforce não consegue descobrir as causas que lhe terão despoletado este problema de saúde. Contudo, não afasta a possibilidade de estar associada à má postura corporal.

“Hoje não posso dormir de barriga, mas essa era a minha posição predilecta para o descanso. O médico disse que não o devo fazer. Agora estou a habituar-me a dormir de lado”, contou.

Aida Mafuma cumpre a recomendação médica à risca. “Não posso carregar mais de cinco quilogramas de peso e se o fizer devo distribuir pela metade por cada braço. Também não posso realizar actividades pesadas como pilar, varrer o quintal, lavar mantas, casacos,  etc., etc.”.

À semelhança de Altino Mário, ela também faz fisioterapia três vezes por semana e não lhe passa pela cabeça sequer gazetar porque, como referiu, só quem passa por aquele sofrimento valoriza as sessões de fisioterapia.

Aida fez tratamento na África do Sul e quando tudo parecia ter ficado para trás, após regressar ao país as dores retornaram com muita intensidade. Não lhe restou outra alternativa senão marcar consulta no Departamento de Ortopedia e após observada foi encaminhada ao Departamento de Medicina de Reabilitação Física. “É aqui onde recebo massagens e, confesso, sinto-me cada vez melhor. Também tomo os meus comprimidos”.

FALA A MÉDICA

A adopção de má postura corporal no nosso dia-a-dia pode ocasionar lesões graves e doenças irreversíveis. Para melhor nos falar sobre o tema ouvimos a médica fisiatra Teresa Tiago, afecta no Hospital Central de Maputo.

“A postura correcta para nos sentarmos numa cadeira de escritório, por exemplo, é mantendo as costas encostadas à cadeira e com o peito um pouco elevado, sempre numa posição recta para evitar o desvio da nossa coluna, aconselha e acrescenta: “Por essa razão a escolha de cadeiras no local de trabalho, onde geralmente se passa a maior parte do dia, deve ser feita tendo em conta a preservação da saúde, sobretudo da região lombar”.Segundo a médica, as vantagens de tal postura são benignas porque se o corpo estiver erguido, no caso vertente o tronco, as costas direitas, garante-se uma oxigenação adequada dos membros inferiores e o surgimento de dores musculares. “Assim, qualquer que seja a actividade física exige-se adopção de postura corporal correcta quer se esteja sentado ou de pé”.  

 

MELHOR POSICÃO

PARA DORMIR

Outro momento em que se deve adoptar uma posição confortável é na hora de dormir. De acordo com especialistas, a forma como nos deitamos também pode contribuir para o surgimento de dores lombares.Segundo Teresa Tiago, a posição lateral é a mais adequada para um descanso de qualidade. Nessa posição, a coluna vertebral deve estar alinhada ao resto do corpo, e as pernas um pouco flexionadas.

 

“Temos recebido aqui muitos doentes com dores na região lombar. Muitas deformidades da coluna são posturais. Aconselhamos as pessoas a não dormirem de barriga para baixo ou de costas. Contudo, muitos dos pacientes alegam já terem criado o hábito de dormir nestas posições há anos. É difícil cortar hábitos ainda que sejam incorrectos, mas nós estamos aqui para isso, para ajudar a corrigir esses erros”.

A postura corporal correcta ao deitar deve ser antecedida pela escolha, correcta, do tipo de colchão e almofada.

 “Não devemos descansar ou dormir em colchões que devido ao nosso peso fazem um côncavo ou buraco a meio do colchão porque isso é meio caminho percorrido para o surgimento de doenças lombares”, explicou.

COMO CARREGAR

E EQUILIBRAR

OBJECTOS PESADOS

De acordo com a fisiatra Teresa Tiago, outras atitudes menos correctas também podem ocasionar dores lombares. Por exemplo, o acto de carregar ou apanhar algum objecto também exige uma perfeita colocação do corpo.

“Quando estamos para carregar coisas pesadas é necessário que se equilibre o peso no nosso organismo. Se temos um peso de 10 quilogramas, por exemplo, devemos distribui-lo colocando cinco num braço e outros cinco quilogramas noutro”, esclareceu.

Dobrar a coluna para apanhar algum objecto no chão, um hábito bastante comum nas pessoas, quando repetido várias vezes, pode comprometer a saúde física, na medida em que vai provocar dores na zona lombar.

De acordo com a especialista em fisiatria, maior parte de incapacidade física registada a nível mundial resulta, em primeiro lugar, da dor na região lombar e amiúdeas empresas perdem os seus trabalhadores devido a este tipo de dor.

Excesso de peso

nas mochilas escolares“Ultimamente temos recebido adolescentes e crianças com dores de coluna devido à quantidade excessiva de livros que metem nas mochilas ou pastas.  Devemos educar as crianças a usarem correctamente as mochilas de costas e vigiar o peso dos livros sabido que as crianças gostam de transportar todos os livros e cadernos que têm mesmo que isso não se justifique porque não é todos os dias que têm todas as disciplinas”, disse Teresa Tiago.

 

De referir que a forma como as crianças carregam a mochila é importante para prevenir mazelas em futuros adultos. “Devemos fazer a distribuição equitativa do peso e isto passa por colocar nos ombros as duas alças da pasta para equilibrar o peso nas costas”, concluiu.

Texto de Luísa Jorge
luisa.jorge@snoticicas.co.mz
 

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