
Os contabilistas nacionais estão a fazer diligências no sentido de assegurar a sua filiação na Federação Internacional de Contabilistas, órgão que tutela aquela classe de profissionais do sector económico.
O bastonário, Mário Sitoe, disse, na senda do segundo aniversário da Ordem dos Contabilistas e Auditores Nacionais, que um dos maiores anseios daquela classe de profissionais passa por conseguir a filiação de Moçambique junto da IFAC (Federação Internacional de Contabilistas).
O entrevistado destacou que está a ser feito um esforço no sentido de elevar o padrão dos profissionais, incluindo um sistema de formação que corresponda aos princípios de contabilidade aceites a nível mundial de modo que o nosso país seja reconhecido por via da competência.
O facto de não estar filiado, segundo Sitoe, faz com que os grandes investidores não coloquem em pé de igualdade os profissionais nacionais em relação aos dos países que se encontram reconhecidos por aquele órgão internacional.
Os empresários, de acordo com Sitoe, quando querem investir num determinado país, fazem a avaliação de determinados padrões, não só ligados a questões de índole política, mas também em relação à contabilidade, fazendo consultas junto da federação internacional, organismo onde Moçambique não consta.
Os promotores dos grandes projectos têm dado preferência aos profissionais dos países vizinhos, como são os casos da África do Sul, Zimbabwe, Malawi ou dos territórios da origem dos empreendimentos por estarem filiados naquele organismo.
Para conseguir a filiação, conforme detalhou Mário Sitoe, há vários aspectos que são requeridos, com destaque para a elevação da qualidade dos profissionais, a melhoria do “curriculum” do ensino no país, no sentido de adequar-se aos padrões e requisitos recomendados pelo organismo.
Um passo nesse sentido foi dado recentemente no dia 7 de Fevereiro, data do segundo aniversário da Ordem dos Contabilistas e Auditores nacionais, que conta com quatro mil membros, através da realização de uma reunião com os coordenadores dos cursos universitários e das escolas técnicas do ensino de contabilidade, além de docentes das áreas de contabilidade, auditoria e fiscalidade, com o objectivo de estudar as formas de ajustar os currículos das instituições de ensino em relação às exigências de formação internacional.
No dizer do nosso entrevistado, a introdução de melhorias no processo de formação tem uma relevância capital, visto que, olhando para aquilo que tem sido o denominador comum junto das principais cadeiras das universidades internacionais reconhecidas pela IFAC, o país estará em condições de atingir aqueles patamares.
“A Ordem colocou-se diante das universidades para solicitar que as instituições de ensino doravante passem a trabalhar com base em certos pressupostos científicos e práticos de execução”, comentou.
Mário Sitoe disse que não fazer parte daquele organismo internacional, com um universo de 188 países, é o mesmo que o nosso país não existir no mundo da contabilidade.
“Nós queremos estar lá também. Neste momento, os contabilistas moçambicanos estão “fora” do mundo. Há todo um empenho no sentido de criar as condições e as bases de trabalho do ponto de vista de competências técnicas, mas também é preciso que os nossos profissionais apurem melhor o inglês por esta ser uma língua global”, frisou.
O contabilista é um profissional que tem uma importância capital naquilo que é o desenvolvimento da actividade económica de um país, e trabalha para garantir que a informação económica das empresas, quer das pessoas colectivas e individuais, seja tratada com rigor e usando uma linguagem técnico universal.



