
A insuficiência de especialistas na área neonatal e a escassa informação, principalmente nas zonas rurais, sobre os factores que causam a morte dos bebés estão na origem da maioria das perdas de vida registadas pelo sector da saúde.
Estes dados foram divulgados por Páscoa Wate, chefe do Departamento de Saúde da Mulher e Criança ao nível do Ministério da Saúde (MISAU), em conversa com o domingo.
Páscoa Wate referiu que o país possui, no seu quadro, apenas dois médicos neonatais, sendo que outros são enfermeiros que não têm um conhecimento profundo sobre o assunto.
Para suprir esta necessidade conta-se com a colaboração de médicos que vêm de países com os quais Moçambique coopera na área da saúde.
Outro factor que contribui para a morte dos bebés, de acordo com a nossa fonte, é a deficiente circulação da informação nas zonas rurais, onde, segundo a nossa entrevistada, é preciso desenvolver um trabalho árduo.
“Neste momento, o sector da Saúde está a trabalhar em coordenação com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano e com as matronas existentes no seio das comunidades repassando mensagens educativas”, disse Páscoa Wate.
De qualquer forma, reconhece que a questão da prematuridade no nascimento somente começou a ser propalada há escassos anos. “A questão começou a ser abordada com mais intensidade em 2012, isto quer dizer que no meio de muitos problemas que eram discutidos, não se dava atenção especial a este”, explicou.
APOSTAR NA FORMAÇÃO
Para minimizar os problemas da falta de pessoal qualificado, Páscoa Wate fez saber que o Governo vai apostar na formação de quadros.
“É preciso apostar na formação, pois, conforme disse, temos só dois médicos neonatais e de resto contamos com a cooperação de outros países”.
Outra acção a levar a cabo é a instalação de equipamentos para o tratamento de bebés prematuros em hospitais provinciais.
Destaque-se que dados apresentados por Wate apontam que em cada 100 crianças que nascem no país, 17 são prematuros, sendo que a morte de bebés prematuros contribui em 40 por cento nas estatísticas de morte infantil.
Texto de Pretilério Matsinhe



