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SITUAÇÃO FINANCEIRA: Indicadores monetários evoluem como esperado

Por admin
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O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, garantiu semana finda em Maputo que as medidas anunciadas pelo Banco Central, no passado mês de Outubro, já estão a surtir os efeitos desejados. Prova disso é que alguns indicadores monetários e fiscais com destaque para a Taxa de Câmbio, Liquidez do Sistema Bancário e Agregado de Moedas começaram a evoluir.

O Banco de Moçambique
(BM) decidiu manter
as taxas de juro da Facilidade
Permanente
de Cedência de Liquidez
e da Facilidade Permanente
de Depósitos em cerca de 23 e
16 por cento, respectivamente.
Enquanto isso, o Banco Central
vai assegurar o cumprimento da
meta da Base Monetária estabelecida
para Dezembro de 2016,
que está fixada nos 103 mil e
249 milhões de meticais.
Para além disso, a partir de
Março de 2017, o Banco Central
vai instruir as instituições de
crédito a publicarem, trimestralmente,
informação sobre
os níveis de solvabilidade e de
liquidez.
Segundo o governador do
Banco de Moçambique, Rogério
Zandamela, as medidas até aqui
tomadas estão a produzir os
efeitos desejados sobre os principais
indicadores macroeconómicos.
Entretanto, estes efeitos
ainda não foram observados na
íntegra.
Por outro lado, apesar da
manutenção das Taxas de Juro e
das Reservas Obrigatórias, deve-
se ficar em estado de alerta
para o agravamento dos riscos
domésticos durante o próximo
ano. A nível interno, deve-se ficar
em alerta em relação ao aumento
do financiamento interno
da despesa pública, choques de
natureza climática e a continuação
da tensão militar.
Enquanto isso, a nível internacional
continuam as incertezas
quanto às implicações do
Brexit (saída do Reino Unido da
União Europeia), volatilidade
dos preços das commodities
e dúvidas quanto à postura da
política da Reserva Federal dos
Estados Unidos da América.
Após sucessivos aumentos
das Taxas de Juro e do Coeficiente
de Reservas Obrigatórias
visando retirar a liquidez excessiva
do sistema, reduzir a negatividade
da taxa de juro real e
refrear a volatilidade da taxa de
câmbio do metical, desde o mês
de Outubro último que alguns
indicadores monetários e fiscais
com destaque para a Taxa de Câmbio, Liquidez do sistema
bancário, e agregado de moedas
começaram a evoluir no sentido
esperado.
A título de exemplo, o ritmo
da depreciação anual da taxa de
câmbio está a desacelerar. Os
dados mais recentes apontam
para uma taxa de 73 meticais
por dólar. “A variação do último
trimestre, de 2016, mostra
uma sensível apreciação
da moeda nacional em relação
aos nossos parceiros, nomeadamente,
África do Sul, Estados Unidos e da Europa”,
disse Rogério Zandamela.
O governador do BM destacou
ainda que entre Setembro
e o início de Outubro últimos
verificou-se um período de estabilidade.
Nesse período, as
medidas estavam a tomar os
seus efeitos sobre os diferentes
indicadores macroeconómicos.
“Temos o câmbio, finalmente,
na tendência decrescente de
uma maneira sustentada”.
Refira-se que o Comité de
Política Monetária (CPMO), do
Banco de Moçambique, realizou,
na semana finda, a última reunião
de 2016, estando prevista
a próxima para Fevereiro de
2017.
RESERVAS LÍQUIDAS
COBREM 3,5 MESES

Dados em nosso poder indicam
que as compras de divisas
junto dos bancos comerciais totalizaram
mais de 174 milhões
de dólares americanos até o dia
14 de Dezembro deste ano, o
que ajudou a elevar as Reservas
Internacionais Líquidas (RILs)
para 1.760 milhões de dólares,
representando assim pouco
mais de 3,5 meses de cobertura
de importações de bens e serviços
não factoriais, excluindo os
grandes projectos.
“Praticamente, desde o
início de 2016 até Setembro
as reservas só vinham caindo.
No fim de 2015, estavam
quase dois mil milhões de
dólares, no entanto, caíram
até cerca de 1676 milhões
em Outubro e depois disso
começaram com a sua trajectória
crescente”, destacou
Zandamela.

Aliás, em menos de três meses,
os bancos comerciais venderam
ao Banco de Moçambique,
por iniciativa própria, mais
de 173 milhões de dólares, um
valor superior a todas as vendas
dos bancos de divisas em 2015,
o que mostra o impacto das medidas
monetárias e fiscais.
domingo apurou que durante todo o ano de 2015 o Banco
Central vendeu mais de um bilião
de dólares aos bancos comerciais.
Entretanto, no último
trimestre de 2016 vendeu aos
bancos comerciais cerca de 108
milhões de dólares.
“Tudo isto explica os movimentos
que estamos a ver nas
Reservas Internacionais Líquidas.
Os bancos comerciais
estão a vender dólares ao
Banco de Moçambique e isso
ajudou a começar a reverter
a tendência decrescente que
se via nas nossas reservas e
que já haviam atingido níveis
relativamente preocupantes”.
Rogério Zandamela sublinhou
que o esforço interno permitiu
o aumento das Reservas
Internacionais Líquidas num
contexto em que a ajuda externa,
que foi praticamente de 320
milhões de dólares em 2015, foi
de apenas 22 milhões dólares
em 2016 para todo o ano.
“Temos uma apreciação
considerável da nossa moeda
e das Reservas Internacionais
Líquidas, como resultado das
medidas tomadas na Base
Monetária e Fiscal, nomeadamente,
o orçamento rectificativo
que foi aprovado ao
longo do ano e o controlo das
despesas, esforço a nível da
receita, tudo contribuiu e de
uma maneira mais acentuada
quando tomámos as medidas
em Outubro”.
PREÇOS DAS
COMMODITIES
COM VARIAÇÕES
POSITIVAS
O governador do Banco Central,
Rogério Zandamela, destacou
que os indicadores económicos
de moeda e crédito à economia
começam a desacelerar,
também como resposta às medidas
recentemente tomadas. A
desaceleração está a se verificar
nos agregados monetários e de
crédito.
“O comportamento recente
da economia aliado ao
dos preços internacionais de
algumas mercadorias exportadas,
nomeadamente gás,
carvão e algodão abre boas
perspectivas para a taxa de
câmbio e inflação”, referiu
Zandamela.
As variações dos preços das
commodities no mercado internacional
indicam que de Novembro
de 2015 comparado com o
mesmo período de 2016 houve
uma variação positiva dos produtos
que Moçambique exporta,
tal é o caso do carvão térmico
que aumentou quase 69 por
cento, açúcar em 33 por cento,
algodão em 20 por cento, ouro
em pouco mais de 10 por cento
e o alumínio 20 por cento.
O impacto do ajustamento
dos preços administrados e a
redução da oferta de produtos
frescos foram determinantes
para o agravamento em pouco
mais de três por cento no Índice
de Preços no Consumidor (IPC)
da cidade de Maputo, em Novembro
passado. Com esta variação,
a inflação anual acelerou
nesse mês para pouco mais de
28 por cento, após cerca de 27
por cento em Outubro.
Este aumento deveu-se, essencialmente,
ao impacto da subida
dos preços administrados,
designadamente, da electricidade
em 37 por cento e da água
em 11 por cento, perante um
contínuo défice da oferta de produtos
frescos nos mercados da
cidade de Maputo, o que agravou
os preços desta categoria
em seis por cento. Do mesmo
modo, o IPC de Moçambique,
que agrega as cidades de Maputo,
Beira e Nampula, registou
uma variação mensal de cerca
de três por cento e anual de cerca
de 27 por cento.
Ainda em Novembro, a proporção
de produtos com variações
positivas no cabaz do
IPC está a reduzir, indiciando o
início da desaceleração da inflação.
“O número que indicava a
variação positiva da inflação
em Setembro era de 56 por
cento, mas já em Novembro
caiu para 46,5 por cento, isso
é indicação de que a inflação
finalmente iniciou o processo
de tendência decrescente”.
De referir que as perspectivas
apontam para uma desaceleração
da inflação projectando-
se para o curto prazo uma
convergência da taxa de juro
de política para um patamar
positivo em termos reais e uma
recuperação do Produto Interno
Bruto (PIB) em 2017, o que significa
a manutenção das taxas
de juro.

BM injectou 8 biliões de meticais no Moza Banco

Rogério Zandamela disse
ainda que o Banco de
Moçambique injectou cerca
de oito mil milhões de meticais
para a recapitalizar o
Moza Banco, no âmbito da
intervenção feita no passado
mês de Setembro. Caso
contrário, seria de dimensões
incalculáveis o impacto
do seu encerramento,
por a instituição ser a que
penetra praticamente em
todas as empresas moçambicanas,
famílias, entre
outros.

“Se esse banco tivesse
parado de funcionar
no dia 30 de Setembro,
íamos ter um terramoto,
um tsunami financeiro
no nosso sistema nacional.
É assustador pensar
o que acontece quando uma instituição destas cai
na falência. O BM injectou
oito mil milhões de meticais.
Na fase inicial do pânico, as
pessoas correram para o banco
para transferir o dinheiro
para “bancos mais seguros”
porque não perceberam o que
aconteceu. Entretanto, os depósitos
nunca saíram do sistema
bancário”.
Refira-se que actualmente
decorre um trabalho de auditoria
realizado pela KPMG
que deverá elaborar um relatório
completo sobre os motivos
que levaram à intervenção
no Moza Banco, que será
entregue aos accionistas e
depois serão decididos os
passos subsequentes.
“Fizemos a intervenção
porque não tinham capital
para isso e dada a dimensão
do buraco que hoje
existe vão ter de reconfirmar
se têm a capacidade
de recapitalizar. Claramente
que depois da intervenção
essa dimensão é
maior. Em função do pronunciamento
dos accionistas
vamos prosseguir com
os passos seguintes, mas
o valor que injectámos
será recompensado”.

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