
–Gildo Espada, esposo da cantora e advogada Iveth Mafundza
A sua esposa é uma figura multi-facetada. De onde tira forças para cantar, ensinar e actuar como técnica jurídica?
Eu faço vénias para a Iveth todos os dias. Digo com sinceridade que não esperava que ela conseguisse ser o que é: advogada, docente, cantora, presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique, esposa…
Há quanto tempo estão casados?
Desde Setembro de 2016. Mas deixe-me dizer ainda que o leque dos seus afazeres inclui cuidar da machamba, do gado. Ela vai ao terreno, cuida, inteira-se do que lá acontece. E em casa, ela é sensacional como esposa. Acredita que ao regressarmos à casa, ela tira-me os sapatos?
Verdade?!
Sim. E tem mais: em cerimónias familiares, cuida muito bem do marido, serve a comida no prato e leva até mim. Ela é muito tradicional.
Isso agrada-lhe?
Agrada-me, contudo procuro fazer de tudo para que ela tenha algo igualmente bom em troca: ofereço, diariamente, uma flor arrancada do nosso jardim cuidado por mim. Sou jardineiro de mão cheia…
Temos conhecimento de que o marido de Iveth é também advogado. Como é que se conheceram, nessas lides?
Eu já a conhecia de vista, da profissão que exercemos. O nosso meio é pequeno. Mas o curioso nisto é que apareciam algumas pessoas dizendo que nós poderíamos formar um lindo par, sem que sequer nos tivéssemos aproximado um do outro, até que em 2008 ingressei na Universidade Eduardo Mondlane como docente e ela em 2009 ou 10, não me recordo com exactidão, e passámos a leccionar a mesma disciplina. Tratávamo-nos como “Dr. Gildo”… “Dr.ª Iveth”…. Passados quatro meses, comecei a perceber que realmente ela era a mulher da minha vida, com quem queria me casar.
E então?
Então comecei a mandar mensagens telefónicas diariamente, mas só para perguntar como ela estava: “olá, como estás?” e ela respondia sempre com um “estou bem”. Era sempre assim. Passados alguns meses, passei a ligar, todos os dias, até que certo dia convidei-a para um jantar. Foi numa sexta-feira. Ela aceitou. Após esse encontro quebrei a rotina, ou seja, no dia seguinte, sábado, não mandei mensagem, não lhe telefonei.
Tratou-se de uma estratégia, pois não?
Exactamente.
Deu certo?
Sim (risos). No domingo seguinte, ela mandou-me uma mensagem insinuando que sentia vontade de estar com um amigo… tal amigo era eu! Fomos ao cinema e começámos a namorar nesse mesmo dia.
Quem é mais romântico, você ou ela?
Eu sou muito carinhoso, muito atencioso, mas quando comecei a me relacionar amorosamente com a minha mulher descobri o extremo do carinho. Ela adora dar presentes, fazer surpresas… sempre que está comigo, surge um gesto, uma forma de fazer que me deixa bem. A minha mulher aprendeu, inclusive, a maneira como a minha própria mãe me acalma nos meus momentos de tristeza: passar a mão na nuca, tal como a sogra dela faz.
Tendo em conta a vossa ocupação, mas, sobretudo, da sua esposa, tem sobrado tempo para namorar, fazer programas a dois?
Fazemos todo o esforço possível para que isso aconteça. Para aumentar o tempo a dois, ora almoçamos juntos ora arranjamos um tempinho ao longo do dia para nos vermos. Aos fins-de-semana ficamos em casa, quando há uma saída é sempre juntos.
E quando ela tem de cumprir agendas de espectáculos, as coisas não ficam apertadas?
Nem sempre tem agenda por cumprir semanalmente. Às vezes é duas vezes ao mês. Mas nesta altura em que está preocupada em preparar o novo álbum, tem feito poucas actuações e está mais virada para a advocacia. Portanto, sobra mais tempo.
MULHER DE CONVICÇÕES FORTES
A imagem que a sua companheira passa é de uma pessoa sisuda, que não está para brincadeiras. Ela é assim também consigo?
Ela é uma grande dama de ferro. Os poucos amigos que tenho chegam a perguntar como é estar ao seu lado (risos). Mas eu procuro ser divertido. Quando ela vem com aquele ar, olha para mim e fala calmamente, eu levo tudo na piada. Conto uma anedota e, por fim, digo: “quando esboçares um sorriso nos teus lábios, vou te responder”. Ahhh… ela é a minha flor, minha passarinha.
Então já está tudo temperado por aí, consegue amansá-la?
Sim, faço cócegas, ela ri… na verdade por trás dessa imagem tem uma mulher fenomenal, casaria com ela mil vezes, se fosse necessário.
O que é que a tira do sério?
Algo feito por mim?
Sim.
Bom, ela reage quando entro na casa de banho e não fecho a porta. Até um tempo atrás, dizia que não gostava, agora não diz mais nada, vai lá e fecha a porta.
Falando sobre o lado cantora, os rappers têm a indignação permanentemente activada. Em casa é também dessa forma?
A Iveth é uma mulher de convicções muito fortes. Tem princípios que acha que nunca devem ser atropelados. Tem também outra particularidade, é muito inteligente, sabe o que quer, até por isso muito cedo conseguiu mostrar-me o que queria e esperava de mim. Ela é também capaz de olhar para a nossa sociedade e afirmar que o diálogo é o melhor remédio para acabar com todos os males de que padece. Aliás, acredita numa sociedade boa, melhor. É uma excelente advogada virada para área de família e menores. É das melhores que temos nessa área. Faz as coisas acontecerem, ajuda muita gente a ultrapassar os problemas que tem e/ou apresenta. Como advogada, tiro o chapéu para a minha esposa.
E nos palcos, resta algo da advogada ou transforma-se em outra pessoa?
Ela simplesmente impressiona pelas várias facetas que tem. No palco separa a advogada da cantora e brilha como ela bem sabe. Canta e encanta.
Têm filhos?
Ainda não, mas eu pretendo ter sete.
A sua esposa está de acordo?
Ela só me garantiu que iria três vezes à maternidade
(?)
Se assim o exigir poderemos adoptar crianças.
Ela sabe cozinhar?
Cozinha muito bem. Faz um óptimo caril de amendoim e arroz de vegetais.
O que mais gostam de fazer nos tempos livres?
Gostamos de ler. Lemos os mesmos livros, ligados à nossa área ou não, depois falamos sobre eles, discutimos. Neste momento estamos a ler “A arte da guerra” para compararmos com “As 48 horas do poder”. É um exercício fascinante. Mas também gostamos de passar o tempo no jardim, cuidando e conversando com as plantas.
Uma palavra para definir a sua mulher.
Anjo.
Texto de Carol Banze



