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Governo escancara oportunidades para PME´s

Por admin
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As pesquisas de gás e petróleo na bacia do Rovuma, no extremo norte do país, estão ao rubro. A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos – Empresa Pública (ENH-EP), em parceria com multinacionais como a Anadarko e a ENI identificaram importantes jazigos de gás natural e abriu espaço para que as empresas nacionais se envolvam “até ao pescoço” no desenvolvimento daquela indústria através do fornecimento de bens e serviços de suporte a este sector.

Moçambique é considerado um dos países emergentes no contexto da África Austral com taxas de crescimento do Produto Interno Bruto que há cerca de 10 anos ultrapassam os sete por cento, cifra esta que se situa acima da média do continente africano que é de cerca de três por cento.

Entretanto, quando se divide o rendimento anual do país, estimado em 13 biliões de dólares, pelo número de habitantes (cerca de 23 milhões de habitantes), só dá para cada um ir para casa com magros 565 dólares, o equivalente a 16950 meticais (por pessoa), o que coloca os moçambicanos na “cauda” mundial quando o assunto é dividir os rendimentos anuais.

Felizmente, o país tem estado a registar sérios progressos no que se refere à pesquisa, extracção, processamento e exportação de recursos minerais a ponto do distrito de Moatize, na província de Tete, ser considerado de “capital mundial do carvão”, pois as reservas ali existentes são superiores a 28 biliões de toneladas, isto só nas áreas onde a Vale e a Rio Tinto.

Se se tomar em conta que o governo concedeu 85 licenças de pesquisa para a província de Tete, das quais 26 são para o distrito de Moatize e quatro empresas foram autorizadas a explorar, três das quais já a operar em Moatize, dá para imaginar que, num futuro próximo, Tete vai ganhar o estatuto de sede mundial do carvão mineral. O mundo que aguarde.

Onde Moçambique já tem créditos firmados e pode encher o peito para se apresentar ao mundo é no domínio do gás natural, dado que a Anadarko descobriu 85 Triliões de Pés Cúbicos (Trillion Cubic Feets – TCF), A ENI, idem. Também descobriu 85 TCF. A Sasol encontrou quatro TCF nas bandas de Pande e Temane, em Inhambane, e a empresa Buzi Hidrocarbonetos descobriu um TCF na bacia do Búzi, em Sofala, o que totaliza 175 TCF.

Se fossem explorados em simultâneo, os 175 TCF davam para 35 anos de consumo de gás natural do Japão que é a segundo economia mais dinâmica do mundo, depois dos Estados Unidos da América, ou a 20 anos de consumo de gás da Europa Ocidental (zona que inclui países como Alemanha, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Suíça, entre outros) e pode colar Moçambique entre os cinco maiores produtores de gás do mundo.

Em termos de receitas, e segundo um estudo a que tivemos acesso em exclusivo, com 175 TPC ou TCF, Moçambique pode gerar receitas na ordem de 10 biliões de dólares por ano. Importa referir que se está perante estimativas e que a produção de gás natural na bacia do Rovuma só irá iniciar por volta de 2018 e só em 2025 é que se vai iniciar a transição para um contexto em que a ENH vai passar a operador.

Se por um lado o país tem potencial energético abundante, por outro observa-se que há necessidade de formar mão-de-obra em quantidade e qualidade para satisfazer as necessidades deste tipo de indústrias pois, e para o susto geral, estudos recentes indicam que os sectores industriais de carvão e gás natural vão precisar de mais de 40 mil trabalhadores nos próximos 10 anos.

Segundo a Accenture, uma empresa de consultoria contratada pelo governo moçambicano, por via da ENH, “o envolvimento do empresariado local nesta indústria tem sido até agora particularmente fraco, o que cria, por um lado, ineficiências na cadeia de valor e provoca uma redução de receitas potenciais para o país”.

 

Mudanças que animam

O cenário que se vive hoje neste sector ao nível nacional é de pura mudança de vontades. A ideia de que os mega-projectos estão cheios de vaidades e só querem bens e serviços “chiques de doer”, e, por isso, feitos nos seus países de origem, poderá se dissolver muito em breve, pelo menos no que diz respeito à exploração do gás natural descoberto em Cabo Delgado.  

Recentemente, o governo entendeu mudar de táctica e criou uma empresa denominada ENH-Logistics, subsidiária da ENH-EP, que funciona como um guarda-chuva para as empresas nacionais interessadas em vender a sua produção para as grandes companhias que vão explorar o gás natural.

A iniciativa surgiu depois de se constatar que 25 por cento dos custos operacionais das empresas que exploram hidrocarbonetos estão relacionados com aspectos logísticos e, para a desgraça da nossa economia, poucas empresas nacionais apresentam habilidades para fazer mais do que cortar relva, abrir e fechar portões, trocar lâmpadas, empurrar troncos e abrir buracos.

Eduardo Naene, director executivo da ENH-Logistics afirma que a partir de agora todo o esforço do governo está orientado para capitalizar ao máximo as empresas nacionais para que aqueles 25 por cento fiquem no país e possam gerar riqueza palpável e não apenas a engordar estatísticas macroeconómicas.  

O Projecto de construção de planta de processamento de gás natural que será desenvolvido em Palma requer um investimento mínimo de 20 bilhões de dólares para a construção das unidades de liquefacção e de toda a infra-estrutura de suporte que envolve os tanques, o aeroporto, as facilidades portuárias, e outras de elevada importância para a viabilização do investimento. Assim, acreditamos que a componente da logísticam as empresas nacionais poderão capturar 20 por cento do investimento total”, afirma Naene.

A partir de agora, empresas nacionais que prestam serviços de logística, cabotagem, infra-estruturas, aviação, serviços marítimos, manutenção e até saúde, podem se associar à ENH-Logistics, às empresas de exploração e produção de hidrocarbonetos e a eventuais parceiros internacionais para fazer negócios de rentabilidade garantidíssima.

O empresariado nacional terá a oportunidade de participar na actividade industrial em áreas onde tipicamente estaria colocado numa situação competitiva desvantajosa, pode expandir os seus negócios, aceder a tecnologias de ponta e aumentar a qualidade e eficiência dos produtos e serviços”, sublinha.

Para evitar cometer erros no relacionamento com as empresas locais, a ENH-Logistics foi “beber” da experiência de empresas de países com outra desenvoltura quando o assunto é exploração de gás natural e petróleo. No Brasil, o “bebedouro” foi a Petrobras, em Trinidade e Tobago buscou-se a forma de ser e de estar da Petrotrin e na Nigéria recolheu-se a experiência de NNPC.

Na mesma senda, colheu-se o modelo de relacionamento da Statoil da Noruega, empresa que está a fazer a prospecção de gás e petróleo na área 2 e 5 da bacia do Rovuma, fez-se uma excursão ao Qatar para capturar as ideias da Qatar Petroleum e em Angola colheu-se a experiência da Sonangol. 

 

Unidades de negócio por explorar

Dados em nosso poder indicam que as oportunidades de negócio estão abertas nos portos de Pemba e de Palma, na província de Cabo Delgado, onde serão construídos terminais de logística Offshore e terminais diversas. No caso do Porto de Pemba, o projecto prevê um porto comercial, base logística para serviços relacionados com petróleo e gás natural, instalações para a fabricação de submarinas e bobinagem, assim como estaleiros e área para reparações navais.

Ao domingo foi dada a oportunidade de espreitar as características do projecto de Pemba do qual ressalta que a base logística vai ocupar uma área de 300 hectares (ha) e um cais com 2500 metros, estaleiros com 160 ha e um cais com cerca de mil metros, a área de bobinagem com 12 metros de profundidade terá 30 há e um cais de1500 metros, para além de um terminal de contentores com um cais de 900 metros.

Porque o assunto é mesmo sério, Eduardo Naene afirma que estas obras deverão começar a ser executadas a partir de Janeiro do próximo ano e está prevista a partilha de custos das infra-estruturas básicas, minimização dos impactos ambientais e reservada uma área com potencial para expansão futura.

Enquanto se espera pelo mês de Janeiro, o distrito de Palma acolhe o projecto de construção de um acampamento de edifícios pré-fabricados numa área de três hectares que deverá incluir uma área para heliporto e oficina auto, dois edifícios para o alojamento de 18 indivíduos, área social, escritórios, ginásio, refeitório, instalações médicas, estacionamento automóvel, área para o tratamento de água, entre outros.

No que se refere à cabotagem, a ENH-Logistics pretende que sejam desenvolvidos projectos de cabotagem ao longo da costa, transporte de gás, pessoas e carga, na área de imobiliária estão a ser cogitados projectos de construção e gestão de imóveis.

Na aviação estão a ser desenhados planos para o transporte aéreo, de personalidades, gestão de desastres naturais, emergências, serviços de buscas, operações de inicialização e “leasing” de helicópteros, no domínio da saúde a ideia é abrir espaço para que operem empresas nacionais que entendam de matérias ligadas à gestão de infra-estruturas hospitalares e serviços de pesquisa. Para a manutenção deverão entrar empresas que percebem assuntos ligados à manutenção na indústria de gás e manutenções gerais.

Enquanto isso, decorre a elaboração do Plano Director de Uso de Terra no distrito de Palma, tendo em conta que se pretende fazer o uso de 18 mil hectares para concretizar um conjunto de projectos associados à exploração de gás. A ideia é responder às actuais e futuras demandas de terras para fins que incluem a habitação, infra-estruturas sociais e desenvolvimento de actividades económicas e industriais.

Segundo Naene, a avaliação da viabilidade social das actividades a serem realizadas pela ENH-Logistics já foram concluídas e decorre o processamento dos dados colhidos no terreno para se quantificar as famílias impactadas, estudar a ocupação do espaço físico e a relação existente entre esta população e as actividades económicas praticadas, assim como analisar e investigar as eventuais expectativas da população.

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