
Hoje em dia, os avanços tecnológicos permitem que o mundo possa usufruir do confortável correio electrónico. Mudanças operam-se na vida das pessoas: a comunicação já é possível num clic. Cartas e postais, especialmente, podem chegar aos seus destinatários sem necessitar de entrega física ao domicílio.
Assim sendo, os serviços de correios vêem uma das suas funções a ser repartida.
Sendo inegável o uso, cada vez mais, de sms, e-mail e mensagem de voz para comunicar, essa realidade levou a que a reportagem do domingoprocurasse perceber até que ponto as actividades da Empresa Nacional dos Correios de Moçambique, na conjuntura actual, poderiam estar comprometidas, e que saídas poderiam estar a ser adoptadas para evitar que a empresa entre em crise.
À busca de respostas, conversamos com Nelson Chacha, Administrador dos Correios para a área de Marketing, que, primeiramente, nos enquadrou naquilo que são as actividade desta instituição. “Trata-se de uma Empresa Pública que funciona na área postal exercendo actividades que se circunscrevem na aceitação, tratamento, encaminhamento, distribuição e entrega de encomendas aos respectivos destinos”. Podem ser objectos postais (carta ou encomenda postal) ou não postais (facturas, extractos bancários, entre outros) e é um trabalho feito “com uma qualidade aceitável e, principalmente sem violações, nem sequer marcas de violação”, afirma.
No país, existem cerca de cento e dez estabelecimentos, entre lojas e sedes em capitais provinciais. As sedes têm uma estação central onde se cumpre o processo que culmina com a entrega das encomendas nos respectivos destinos. Sobre o número de carteiros (elementos que têm a função de fazer chegar os objectos aos respectivos destinatários), Chacha refere que o país tem aproximadamente cento e cinquenta. A actividade de entrega de encomendas é feita, normalmente, a pé, mas quando as distâncias são longas recorre-se às bicicletas ou motorizadas. Entretanto, uma das estratégias adoptadas para reduzir os custos nesse processo é colocar os distribuidores a trabalharem nas suas zonas residenciais, sempre que isso se torna possível.
A ERA DIGITAL ATRAPALHA
MAS NEM TANTO…
Retomando a ideia de que nos tempos que correm existem formas de comunicar que esbulham o campo de actuação dos serviços de correio na sua forma tradicional, Chacha reconhece que a massificação da utilização do email, sms, da chamada de voz reduziu a expedição de cartas. “Mas isso afecta os correios de todo o mundo”, informa-nos. E para dissipar a ideia de que os correios estariam em risco de entrar em declínio, Nelson Chacha vincou: “os correios transportam as encomendas físicas e as tecnologias não, e entenda-se que neste momento cresce a procura por expedição dessas encomendas”.
De qualquer modo, a nossa fonte considera que cabe a cada um saber se posicionar no mercado e, inclusive, aproveitando-se da tecnologia para melhorar o negócio. Com efeito, avança que, actualmente, está a ser desenvolvida uma base de dados electrónica para os clientes que têm contratos com os correios. “Isso permitirá que lhes sejam enviadas informações por email ou sms, para se dirigirem às suas caixas postais para levantarem as suas encomendas”. Esclareça-se que a entrega de encomendas que ultrapassam os cinco quilos não é feita pelos carteiros.
PROJECTOS DOS CORREIOS
De acordo com Nelson Chacha, está em marcha um projecto que visa fazer com que as empresas como mcel e vodacom se desliguem do trabalho de emissão de facturas. “Elas processariam a informação e entregariam em formato electrónico e, posteriormente, os correios fariam a impressão, tratamento e distribuição. Até porque esta não é vocação de uma empresa de telefonia. E veja-se que desse projecto se poderá ter muitos ganhos, se se pensar, por exemplo, no uso de facturas para veicular publicidade de pessoas interessadas” afirma Chacha.
Outrossim, consta nos planos dos Correios de Moçambique fazer a distribuição de cabazes de Natal de empresas aos seus clientes. “Estamos a negociar com algumas empresas para passarmos a fazer esse trabalho. Para além de cabazes, poderão ser feitas entregas de postais de boas-festas”.
Outra estratégia de actuação que está a ser pensada é a introdução do Post-bus, que fará a distribuição e/ou entrega das encomendas dos clientes dos próprios correios, saindo, desta forma da dependência de outros transportadores e reduzindo o tempo de entrega.
O que já foi implementado foi o projecto de lojas mistas, uma partilha de espaço com terceiros. E uma parceria feita com a mcel já tem resultados notáveis. “A primeira loja-mista localiza-se no Alto-Maé. É um balcão que a mcel ajudou a reabilitar e modernizar. Está apetrechado de material informático e equipamento de ar, e presta serviços dos correios e da mcel com comodidade e bem-estar para os clientes”, garante Chacha, e depois acrescenta que neste momento estão em curso obras nas lojas de Moamba e Boane.
A comercialização de alguns artigos em estabelecimentos dos correios é outra forma de arrecadação de renda. “Vendemos serviços de terceiros: recargas de telefone, lotarias, canetas. São formas de ganhar mais dinheiro. Pensamos, inclusive, em montar livrarias e ou ser pivots de algumas livrarias em locais onde estas não tenham condições em termos de infra-estrutura”, adianta-nos.
BANCO-POSTAL
A criação de Banco-Postal, um conceito usado por muitos países, que presta serviços financeiros básicos como serviço de vale postal, pagamento de benefícios da providência social em locais desprovidos de serviços bancários, está também nos planos dos Correios de Moçambique.
Pretende-se aproveitar as infra-estruturas desta empresa para prestarem, igualmente, serviços bancários. “Nós já fazemos o serviço de pagamento de pensões aos pensionistas do Estado, então aumentaríamos as nossas actividade na área financeira, e já estamos no processo de entrar em acordos para avançarmos neste negócio, que carrega consigo um cunho de responsabilidade social. Aliás, aqui no nosso país, temos casos de pessoas que se vêem obrigadas a ficar com dinheiro em casa, nós ajudaríamos a proteger as suas economias”, afirma Nelson Chacha.



