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NATAL E FIM DO ANO: Nyusi justifica recepção num ano de dificuldades

Por admin
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O Presidente da República, Filipe Nyusi, disse quarta-feira, na confraternização havida na Ponta Vermelha, por ocasião do fim do ano, que não fossem os ditames do Estado, não se realizaria aquele encontro fraternal perante as dificuldades que o país atravessa, decorrentes da crise económica e financeira que de modo especial atinge o país e da persistente acção da Renamo que condiciona a mobilidade dos cidadãos e destrói os bens públicos e privados.

Acrescentou que o evento ultrapassava a questão moral que desaconselharia a realização da confraternização, havendo moçambicanos organizados e liderados que advogam um patriotismo que se funda na destruição do que colectivamente foi construído.

Para Filipe Nyusi, o Estado, que é conjunto de instituições que controlam e administram o país e que tem a prerrogativa de gerir a coisa pública nacional, tem o dever de manifestar a sua gratidão aos que no seu dia-a-dia contribuem para o engrandecimento da pátria, realizando este tipo de evento.

Não estaríamos aqui, quando na verdade a afronta ao próprio Estado é o nosso pão de cada dia, incluindo as suas instituições, num país onde ainda estamos à procura dos caminhos da felicidade da maioria do nosso povo”,disse o estadista para mais adiante clarificar que a ideia que forçou a iniciativa extravasa os limites da sua educação individual e caseira que, porventura, lhe indicaria a desnecessidade deste acto.

“Não o faríamos num ano em que o luto, de diferentes feitos e tipos, se distribuiu pelo nosso território, a começar pelo provocado por seres humanos, mais uma vez organizados e liderados. Não teria sentido a nossa presença aqui sabendo do sofrimento que nos é dedicado pela criminalidade avulsa e, sobretudo, pela pobreza que de forma impiedosa teima em se localizar dentro das nossas fronteiras,frisou o presidente da República para depois acrescentar:

“Este nosso modo de estar ensina-nos que, mesmo com adversidades resultantes de vicissitudes de diferentes proveniências, possamos estar em pé, frente a tudo o que, como patriotas, podemos fazer com vista a transformar as nossas dificuldades em oportunidades que desafiem o amanhã”.

Na circunstância exortou aos moçambicanos a trabalharem em conjunto para manter o país em paz e com estabilidade, no caminho do progresso, bem assim, consolidar a democracia e as instituições do Estado, garantindo a liberdade de criação e expressão, para que a construção do bem-estar social seja inclusiva e obra de todos.

“O Povo Moçambicano já venceu desafios mais complicados e difíceis, porque agiu sempre com confiança em si mesmo e com determinação. Assim devemos continuar!Organizamos este evento para, acima de tudo, reflectirmos em conjunto, sobre o que o ano que finda nos trouxe e o que as nossas ideias indicam para o futuro que começa dentro de dias e fizemo-lo porque a realização desta cerimónia, no final de cada ano, constitui já uma tradição” ajuntou Filipe Nyusi.

 O encontro da Ponta Vermelha foi, com efeito, relativamente simples, mas bem requintado, tendo servido para retemperar as energias para o ano de 2017 e foi, no início e no fim, acompanhado de cânticos de louvor a Deus que geralmente as confissões religiosas entoam no momento reservado à acção de graças.

Durante o seu discurso, o presidente da República sublinhou que a instabilidade militar que se verifica em algumas regiões é deveras arrepiante devido à destruição de postos de saúde, escolas, centros de reclusão, destinados à regeneração de cidadãos em conflito com a convivência regrada entre moçambicanos.

Na ocasião, Filipe Nyusi reafirmou a sua disponibilidade de se encontrar directamente com o dirigente da Renamo no âmbito dos esforços para o restabelecimento da paz efectiva e duradoira, “reafirmamos, que mantemos a nossa prontidão e vontade inabalável de garantir a Paz efectiva e duradoura para o nosso país”.

ECONOMIA INDICA FUTURO RISONHOO Chefe do Estado, como se esperava, falou da situação económica que o país atravessa tendo sublinhado que o ano prestes a findar ficará marcado como o aquele em que não só enfrentámos e superámos muitas dificuldades, mastambémcomo o ano em que a capacidade de resiliência da nossa economia foi novamente posta à prova pelos desastres naturais, em todas as províncias do nosso país.

 

No entanto, reconheceu os esforços desenvolvidos no sentido de minimizar a crise tendo ressalvado que devido a tais acções as projecções indicam que a partir de 2018, a economia nacional poderá voltar a crescer ao ritmo de sete porcento e em nove a partir de 2023, quando todos os projectos de gás estiverem operacionais.

Segundo defendeu, o reflexo das medidas tomadas é a diminuição do peso do Estado no Produto Interno Bruto que de cerca de 43 por cento em 2014 deverá situar-se nos 34 por cento em 2017.

“O ano que se avizinha traz esperanças de retomada da economia e estabilidade financeira e social. Isso vai exigir muito trabalho e união de todos”, disse.

No seu entender, a acção coordenada do governo, com o apoio dos parceiros nacionais e internacionais, permitiu salvar a vida de milhares de moçambicanos através do provimento de água potável, alimentos e meios de produção.

Explicou ainda que como consequência das adversidades climatéricas, aliada à queda dos preços dos produtos que exportamos e à limitação de circulação de pessoas e bens, o custo de vida aumentou.

“Esta situação exigiu de nós a tomada de medidas difíceis, de políticas monetária e fiscal, mas necessárias para alterar a situação prevalecente. Com efeito, começamos a notar melhorias a nível da taxa de câmbio e prevemos, em 2017, uma redução dos níveis de inflação”,disse o Chefe do Estado.

Filipe Nyusi saudou a tendência generalizada que tem vindo a ser reportada nos últimos dias, de existência de produtos essenciais para a quadra festiva e apelou a todos os moçambicanos a se empenharem no aumento da produção e produtividade tendo explicado que para tal o governo elegeu algumas áreas para a concentração de investimentos, entre elas, agricultura e agro -processamento; hotelaria e turismo; desenvolvimento de infra-estruturas, e o sector de energia.

 

 

DIÁSPORA DEVE ATRAIR INVESTIDORES

 

No mesmo dia, o presidente da República recebeu os cumprimentos de saudação dos moçambicanos residentes na diáspora, aos quais lhes pediu para trabalharem no sentido de investir e atrair mais investidores para Moçambique.

“Convido-vos a embarcar nesta empreitada de combater a pobreza e a dependência que teimosamente continuam a assolar o nosso país, através da produção local de bens essenciais de que precisamos”,disse Nyusi.

Para o Chefe do Estado tal é possível com a aposta no investimento em Moçambique ou na busca de outros investidores para as diferentes áreas prioritárias, como também se mostra possível lograr este objectivo, potenciando o estabelecimento de parcerias favoráveis

“Há uma necessidade premente de lançar uma imagem positiva sobre o nosso país, expondo as oportunidades que este oferece. Aconselhamos a que continuem a depositar as vossas poupanças em moeda externa, em bancos moçambicanos, o que conferirá maior robustez à nossa economia, cujo gesto pode ser concretizado individualmente ou em associações, dado que já foi criado o fórum dos moçambicanos na diáspora”sugeriu.

Nyusi considera importante tal plataforma de debte de ideias sobre o desenvolvimento do país pelas comunidades moçambicanas que vivem fora das fronteiras nacionais, e explica:

“Isto é importante porque os anseios e pensamentos dos moçambicanos na diáspora, de que sois parte, constituem um principal meio de suporte de que precisamos para ultrapassar as dificuldades que o nosso país atravessa, neste momento. Este é um processo que vai exigir de cada um de vós coragem e coesão para fazer valer os ideais que nos fizeram lutar para ser o Moçambique independente que hoje somos”.

Acrescentou que para ajudar a diáspora o governo tem desencadeado várias iniciativas, desde facilidades na emissão de documentos de identificação, bem como a assistência consular e jurídica no caso dos cidadãos em conflito com a lei, entre outros aspectos.O grupo era composto por mais de 50 compatriotas provenientes de mais dez países, entre eles, Alemanha, Portugal, França, Suiça, Quénia, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabwe, Malawi, Etiópia, entre outros.

 

Moçambicanos sempre superam as dificuldades

– Isabel Soares, residente na diáspora

Isabel Soares, moçambicana residente há 25 anos na Etiópia diz que realmente o ano de 2016 foi muito difícil para os moçambicanos, tendo porém, se mostrado optimista quanto à superação das dificuldades nos próximos tempos ao mesmo tempo que aplaude as medidas arrojadas tomadas pelo governo para a recuperação económica.

Apesar das notícias más veiculadas sobre Moçambique, nós continuamos a divulgar a boa imagem e a incentivar os investidores para que invistam neste país com enormes potencialidades nas áreas agrícolas, turística, energética, entre outras, razão pela qual digo que em breve teremos a paz porque os moçambicanos sempre souberam superar as diferenças, pelo que nem fazemos alarme da falta de paz”,disse Isabel Soares que neste momento é funcionária na embaixada do Brasil naquele país africano.

A guerra desencoraja o nosso retorno…

– Paulo Tivane, emigrante

Por sua vez, Paulo Tivane, residente na Suazilândia há mais de trinta anos diz que a comunidade moçambicana residente naquele país vizinho está bastante preocupada com relatos de instabilidade militar que se registam no país que na sua óptica desencorajam o seu regresso às origens.

Mecânico de profissão, Tivane diz que tinha um plano de a breve trecho regressar à terra natal para criar uma oficina de reparação e de venda de automóveis. Não o faz devido à guerra por um lado e à burocracia, por outro, no licenciamento das empresas mostra-se reticente.

“Estamos interessados em investir no nosso país mas não nos sentidos encorajados porque sempre recebemos notícias de que nas estradas do centro e norte há ataques da Renamo e isso faz-nos recordar os 16 anos de guerra que destruiu o tecido social e a economia do país”,disse Tivane.

 

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