
Observadores e mediadores nacionais no diálogo politico entre Governo e Renamo repudiam a atitude da perdiz que unilateralmente afastou os da arbitragem do processo. Recentemente, o porta-voz da Renamo, António Muchanga, disse publicamente que o seu partido prescindia dos trabalhos da equipa de mediação, porque era constituída por aprendizes coniventes com o cerco à residência do seu líder, Afonso Dhlakama, no passado 9 de Outubro, na cidade da Beira.
Anastácio Chembeze e Lourenço do Rosário disseram, reiteradas vezes, que a equipa de mediação moçambicana recebeu, por escrito, convite da Renamo para facilitação de diálogo, sendo por isso, descabido que a perdiz venha hoje prescindir dos seus serviços usando mecanismos informais.
“Exigimos que a Renamo faça um documento escrito”, disse Chembeze, recordando que a equipa de Observadores/Mediadores Nacionais no Diálogo Político entre o Governo da República de Moçambique e o partido RENAMO, foi convidada pelas duas partes, no início de 2014 para apoiar a ultrapassar os diferendos políticos.
Ressalvam ainda que passam pouco mais de dois meses desde que foram convidados pelas partes, à pedido da RENAMO para testemunhar a saída do seu líder das matas. Pela Renamo estiveram os deputados Ivone Soares, António Eduardo Namburete, António Muchanga, José Manteigas e Augusto Mateus.
No dia 7 de Outubro, convidada pela Renamo, a mediação deslocou se à cidade da Beira, com excepção do Padre Filipe Couto por razões de saúde, tendo chegado e reunido imediatamente com o Comando Provincial da PRM, com parte do primeiro grupo e acrescidos o deputado Manuel Bissopo e o Coronel José Manuel. O objectivo era de organizar todo o processo da retirada do seu líder a partir do distrito de Gorongosa.
No dia 8 de Outubro, logo às primeiras horas, a equipa partiu em direcção a Gorongosa para efectivar a operação da retirada do Presidente da RENAMO, o que aconteceu por volta das 15:10h e tendo regressado à cidade da Beira pouco depois das 22:00h.
“Assim que chegamos na residência do Presidente da RENAMO na cidade da Beira, demos por missão cumprida, de modo que regressássemos para Maputo nas primeiras horas do dia seguinte. No entanto, o Presidente da RENAMO solicitou que nos encontrássemos no dia seguinte por volta das 11:00h para levarmos uma mensagem ao Presidente da República”, explicam os mediadores.
Dia seguinte, 9 de Outubro, por volta das 7:00h da manhã, receberam chamadas telefónicas dos membros da RENAMO a solicitar apoio, porque a residência do seu Presidente estava cercada pela Unidade de Intervenção Rápida.
“Nós fomos colhidos de surpresa”, sublinha a equipa de mediação, repudiando a ideia de cumplicidade no cerco.
“Deslocamos para o local pouco depois e iniciamos todo o processo negocial, pouco depois das 8:00h até cerca das 17:00h, como é do domínio público. Cada um dos mediadores presentes tinha tarefas específicas para cada momento do processo negocial”, explicam os mediadores.
“As alegações de conivência e mau trato que nos são atribuídos não representam verdade, muito menos os valores e responsabilidades que aceitamos durante este processo todo”, sublinham.



