Designam-se comummente expatriados os grupos de indivíduos que não sendo nacionais de um determinado país ou região se fixam ou fixaram com regularidade num terceiro país ou região para
qualquer fim, ociosos muitas vezes dos seus hábitos e costumes. O termo expatriado é aqui usado sarcasticamente em atenção a alguma imprensa que se arroga independente, imparcial, factual e que dia após dia se diz informadora de “factos” (muitas vezes incomprovados) sob o falso desígnio do direito à informação dos cidadãos.
Não é raro que no decorrer de uma semana útil os olhos do comum dos cidadãos moçambicanos estejam condenados a “deliciar-se” de uma capa sugestiva, onde invariavelmente a FRELIMO ou um dos seus membros dá um estranho brilho à mesma, ficando muitas vezes questões sem resposta no subconsciente de muitos concidadãos nossos, dentre elas se em Moçambique só há FRELIMO e se todos os males do país são da responsabilidade da FRELIMO ou dos seus membros? Caso para crer, a mando dos jornalistas, que em Moçambique os 23 milhões de moçambicanos são da FRELIMO e de que eles, os jornalistas, vêm de uma outra galáxia (expatriados), o que se sabe não ser de todo verdade!
Nos últimos tempos, a incursão da dita imprensa independente e imparcial parece prosseguir uma agenda outrora da oposição, criticando o governo, dirigido pela FRELIMO, a ferro e fogo, sem qualquer piedade e nem sequer tréguas, o que obriga a questionar se a oposição que conhecemos, oficializada, se terá mudado para as redacções ou então se as redacções passaram a ser partidos de oposição, sugerindo que alguma consulta a lei dos partidos políticos seja feita!
Não estão tão pouco em causa os direitos políticos dos escribas, como não podem estar dos demais cidadãos, mas parece que os escribas estão à obediência de algumas regras de deontologia, ou então deviam estar, e que se deviam cingir no dever de informar, observados outros valores pilares do direito, como a presunção de inocência, usando a título de exemplo expressões como: supõem-se que, suspeita-se que….., mas tal não acontece, com a imprensa parecer substituir-se aos tribunais e arrogar os factos com certeza e propriedade e invariavelmente a acusar a FRELIMO ou os seus membros da autoria de qualquer mal.
Por exemplo, recentemente, a dita “imparcial” imprensa, aquando da barbárie cometida na Estrada Nacional Número 1, a mando do antidoto???? da democracia, pareceu ter estado com artimanhas para defender a legitimidade de tais actos, escrevendo, entrelinhas, que a culpa era da arrogância da FRELIMO. Isto para não falarmos da publicitação de matérias julgáveis “sensíveis”, como a movimentação ou chegadas de equipamentos paras as forças de defesa e segurança, o que parece também demostrar uma total ausência de patriotismo e de espírito de Estado!
Contrariamente ao que se adjectiva, é normal que na imprensa em causa, no lugar do pluralismo de ideias e de opiniões, pareça existir um catálogo de opinadores, analistas, etc., que têm no governo objecto único de crítica, havendo suspeitas de recusa de publicação de escritos de cidadãos que pensem fora desses termos de referência, contrastando com o que se verifica nos órgãos de informação públicos (catalogados de cépticos e de pró-regime) onde há espaço para todos!
Não deixa por isso de parecer estranha a ausência do espírito patriótico no seio dos escribas “independentes e imparciais”, especialmente quando dos Estados donde emerge a inspiração e budget, em nome da pátria, há informações que dão conta da existência de matérias que não conhecem publicação nas televisões locais, v.g., não é comum em tempos de guerra provocadas lá nas terras de longe publicitar-se a morte de um soldado dessa pátria.
Por outra banda, parece estar a ganhar relevo nos últimos dias a tese de que os fundos outrora disponibilizados para os partidos da oposição parecem estar a verter para as redacções, tese prontamente negada no editorial de um dos semanários da praça, que mais uma vez aprimorou a sua veia anti Estado e anti FRELIMO, propondo adjectivos de vária ordem. Esta tese não seria de descurar de todo, especialmente quando se assiste a visitas de chancelarias às redacções dos ditos “independentes” e quando se sabe da existência de “uns 10 milhões de dólares” para a promoção dos mesmos, com viagens de alguns experts para lá longe, para beber de experiências. Ademais, o estado moribundo da oposição, em particular do segundo maior partido da oposição parece sustentar ainda mais a refutada tese “mão externa.
Por estas e outras, parece haver um conjunto de indícios que sustentam a existência de uma imprensa expatriada, que parece propor e defender que o dever de informar consistirá na imaginação de caos, na tecelagem de teias de problemas e na acusação de quem governa da autoria de males inexistentes, ou então de dificuldades que ultrapassam a quem governa, alguns deles herdados do período anterior a nossa independência.
É por isso que a agenda parece ser toda outra e de que os agentes da mesma parecem ser expatriados, menos o dever de informar!
P.S.:É pública uma lista que veicula nome de alguns profissionais da praça, ora como analistas/comentadores do regime, ora como membros da associação de engraxadores, em total desrespeito ao direito de participação política e ao bom nome, sem descurar que alguns são chefes de família, e que também não escapam da fúria dos éticos, delicados e dizedores de verdades! Pena não terem falado dos “candidatos” que durante anos vestiram a capa de imparciais e independentes. Por isso não deverá espantar que alguns escribas apareçam como políticos em breve.
Isálcio Mahanjane



