TEXTO DE NARCISA DE LYUBOV NHAMITAMBO
A resistência microbiana aos antibióticos deixou há muito de ser um problema distante ou exclusivo dos países industrializados. Em Moçambique, ela cresce de forma silenciosa, muitas vezes invisível aos olhos do público, mas com consequências reais para a saúde humana, animal, a economia familiar e a segurança alimentar. Ignorar este fenómeno é comprometer o futuro da medicina moderna.
Sob a abordagem de Saúde Única (One Health), torna-se evidente que o modo como usamos antibióticos nos animais influencia directamente a saúde das pessoas e do ambiente. E é precisamente neste ponto que o papel do médico veterinário se torna não apenas técnico, mas profundamente social e estratégico.
UM PROBLEMA GLOBAL COM RAÍZES LOCAIS
A resistência antimicrobiana surge quando microrganismos se adaptam e deixam de responder aos medicamentos disponíveis. Em Moçambique, este processo é acelerado por práticas que, embora comuns, são altamente perigosas: Utilização de antibióticos sem prescrição profissional; Doses erradas ou tratamentos interrompidos antes do tempo recomendado; Uso de antibióticos para tratar doenças que não são causadas por bactérias, por exemplo, no caso das gripes ou outras doenças que possam ser virais, fúngicas ou parasitárias; Falta de diagnóstico laboratorial antes da escolha do antibiótico; Uso indiscriminado de antibióticos em animais, incluindo para prevenção sem critério técnico e sem recomendação do veterinário. Leia mais…



