O Dia da Mulher Moçambicana está à porta. Vamos, mais uma vez, celebrar! Vamos exaltar seus feitos e conquistas, levantar ao mais alto nível a capulana como bandeira da identidade feminina e gritar a todos os pulmões o quanto ela tem sido resiliente, corajosa, cuidadora e repleta de temperança.
Mas, também, vamos ter a coragem de trazer novas reflexões à volta do que é ser “mulher moçambicana”, expondo a realidade por ela vivida, numa altura em que a construção social da feminilidade no nosso contexto ainda se mostra complexa e desafiante.
Sem descurar as conquistas que ela tem coleccionado ao longo dos tempos em diferentes sectores, que tem colocado o país como referência quando se fala de presença feminina em posições de tomada de decisão, é preciso que haja honestidade para admitir que ainda persistem brechas que a expõem ao mais sombrio e tenebroso futuro, amputando-lhe o direito de sonhar.
É-lhe ensinada, desde a tenra idade, o que é viver e se comportar de acordo com os padrões femininos antecipadamente moldados pela sociedade e, como resposta, espera-se que ela seja maleável o suficiente para caber nestes moldes pré-definidos. Por exemplo, a mulher é educada a ser aquela que, infinitamente, se doa a todos e o faz sem sequer dar conta disso porque assim a sociedade ensinou-a e dela espera-se que assim o faça.
A extensa lista de obrigações que lhe são atribuidas, muitas vezes precocemente, para as executar, não consta a obrigação de “se dar tempo para si ”. Não lhe foi recordada sobre a sua individualidade; sua singularidade e preciosidade. Ninguém lhe falou da necessidade de ela se conhecer profundamente antes de doar pedaços de si a terceiros. Leia mais…



