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O INCERTO FUTURO CULTURAL DOS MEUS NETOS

Por admin
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Ou fazei árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvoreMt 12:33

O dia do lançamento do meu livro na terra que me viu nascer revestiu-se duma importância no mínimo insólita nos dias que correm, ao conseguir reunir na mesma sala cinco gerações: duas bisavós, dois avôs, cinco pais, mais de dez filhos e muitos netos da mesma família. Se a nostalgia matasse (esse sentimento detristeza melancólica que vem com a recordação duma perda),eu teria morrido naquela noite. As cinco gerações, sentadas na mesma sala, assistiam de pescoços esticados e olhos atentos a um programa televisivo, da chamada “música ligeira moçambicana”. A dado momento, as duas bisavós recolheram-se precipitadamente para os seus aposentos. Qual seria o motivo de tanta precipitação e indignação? – perguntei-me”. A resposta não se fez esperar: uma dançarina, rodeada de duas “damas de honor“, exibia-se no pequeno ecrã quase nua, porque, na verdade, de roupa, as três tresloucadas personagens trajavam vestimentas bizarras e heteróclitas: (uns calçõezitos de “jeans”, curtinhos, apertados e rasgados às franjas com as extremidades de vez em quando a entrarem nas partes íntimas e as blusas transparentes a exibirem os peitos atléticos (parecendo dois filhos gémeos de gazela que se apascentam entre os lírios – Ct 3:5), baloiçando acirrantemente parecendo prestes a saltar dos propositadamente mal feitos “soutiens”. Aquela cena chocou de tal modo as duas anciãs, por na sua opinião serem representação clara dum espectáculo de “stripteasedigna dum lupanar, bordel ou prostíbulo. Compreendi a razão da fuga das velhas e lembrei-me dum dos conselhos duma das minhas falecidas avós: “quem vive muito tempo, vê muitas coisas de que não gosta”. Contrariamente, as netinhas saltavam das poltronas e, imitando as “célebres” dançarinas, arregaçavam por seu turno os seus vestidinhos e calcinhas sem sombra de pudor numa dança que me fez lembrar o ambiente dum verdadeiro conventilho (como dizem os brasileiros). Olhando para aquela cena e tentando compreender o que ia na mente das minhas duas “ultrapassadas velhas”, surgiu-me um sentimento de tanta revolta e vergonha. Puxei a filha da minha sogra e por nossa vez recolhemos para os nossos aposentos deixando a criançada a chafurdar na lama da sua imundície cultural. Era uma cena verdadeiramente promíscua e totalmente sodómica, imprópria para aquela mistura de gerações. Infelizmente, cenas daquelas tornaram-se tão corriqueiras em todas as televisões, sob o olhar impávido e sereno do Ministério da Cultura e Turismo. É caso para dizer que a geração dos meus netos está condenada ao sofrimento em todas as esferas da vida, porque infelizmente não é só na área cultural. Os prognósticos dos especialistas mais sérios noutras áreas também são ameaçadores. Há uma data fatídica ou mágica sempre aventada por eles: o ano 2025. Quase todos afirmam: “se nada fizermos ou não fizermos o suficiente já agora, a catástrofe ecológico-humanitária será inevitável“. O relatório feito por 2700 cientistas “State of the Future 2009” (O Globo de 14/07/2009) diz enfaticamente que: “Devido principalmente ao aquecimento global, por volta de 2025, cerca de três biliões de pessoas não terão acesso à água potável“. Que significa dizer isso? Simplesmente que esses biliões, se não forem socorridos, poderão morrer por sede, desidratação e outras doenças. O relatório diz mais: “Metade da população mundial estará envolvida em convulsões sociais em razão da crise sócio-ecológica”. Então, mais uma vez eu quero lembrar que o resgate e a valorização dos padrões culturais numa determinada sociedade passa, essencialmente, pelo conhecimento da história por parte dos seus integrantes.Toda sociedade funciona de acordo com princípios, valores e tradições específicos, que determinam a forma de agir em grupo e institucionalmente. Ou o Ministério da Cultura toma medidas ou estará ajudando a criar uma futura geração culturalmente monstruosa. Estou alertando!

Kandiyane Wa Matuva Kandiya

nyangatane@gmail.com

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