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PROFISSÕES: Gostaria de ser nomeado ministro da Justiça

Por admin
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– Slim Nigga, em entrevista ao domingo

Técnico jurídico, “rapper” de renome, compositor de se lhe tirar o chapéu, Slim Nigga ou, oficialmente, Giovane Xadreque Maunze, é um homem comprometido com as causas do povo. Em “O país do pandza” demonstrou engenho ao penetrar no âmago da maioria para denunciar injustiças e desmandos no seio das massas: “é o retrato do meu país”, declara. Actualmente, agarra-se à Magistratura de olho em cargos de relevo: “Gostaria de ser nomeado… ministro da Justiça, estudei e continuo a estudar para isso”. Este é o Dr. Slim, como, por influência, tem sido chamado em fóruns do tribunal.

O que o leva a cantar, preferencialmente, as lamúrias do povo?

Canto porque a nossa sociedade não é estável sob ponto de vista económico. Tu dormes hoje, amanhã és confrontado com a subida do preço do combustível, do chapa, do pão, etc., etc.. A instabilidade preocupa-me bastante. Às vezes “brinco” afirmando que daqui a poucos anos o preço do pão estará a 50 meticais. Viver nestas condições acarreta consequências nefastas. Há muitas mortes súbitas, pois as pessoas não encontram fórmulas para a resolução dos seus problemas. Através da música tento, de alguma forma, trazer o retrato da sociedade moçambicana no geral; mostrar as minhas inquietudes. Esta é a minha comparticipação para promover a mudança na conjuntura socioeconómica.

Quando começou o gosto pela música, pelo rap, na sua infância?

Foi durante a juventude. Nessa altura o rap estava na moda e chegou com força à minha zona, bairro do Jardim, onde nasci e cresci. Eu e os meus amigos alinhámos. Acabámos descobrindo um dom que estava adormecido em nós. Hoje é o que se vê. Não me recordo muito bem da primeira letra, foi um free-style, sem tema. Só se repava eu eu… sou o melhor, sou o melhor…” por aí. Em 2008 comecei a cantar a sério. O dia-a-dia, a criminalidade à luz do dia, a mulher, a subida dos preços, o modus vivendi de uma sociedade, com grande enfoque para a actualidade, passaram a estar nas minhas prioridades. “O meu diário” e “O país do Pandza” são o reflexo duma sociedade. “Maquinag”, que lancei o ano passado e ganhou o prémio de música mais popular, igualmente. Tenho agora “Cerveja”.

Na sua opinião, que factores concorrem para a carestia de vida?

Sem me aprofundar nesta questão, é sabido à boca pequena que, actualmente, as dívidas escondidas de que tanto se fala vieram colocar o cenário económico do país numa condição preocupante, daí que partilho de forma subjectiva essa ideia. A corrupção nos sectores do Estado é outro factor que contribui para as carências na vida do povo.

É formado em Direito, já colocou as mãos na massa? Em que tem trabalhado?

Neste momento estou afecto ao IPAJ como técnico jurídico. Exerço a função de defensor oficioso, similar à do advogado. Entretanto, já peguei algumas causas, no tribunal de KaMaxakeni.

Foi bem sucedido?

Sim. Já consegui provar a inocência de alguns presos, ao demonstrar que não tinham nenhuma ligação com os casos de que eram acusados. Já prestei serviços para outros que se encontravam em maus lençóis, assaltantes de estabelecimentos comerciais, só para exemplificar. Aconselhei-os a confessarem os seus delitos, o que, de alguma forma, lhes trouxe vantagens, pois após assumirem os crimes beneficiaram de atenuantes, facto previsto pela lei.

O sector da justiça do nosso país está de boa saúde?

Penso que precisa de uma reestruturação dos agentes, de forma a combater a corrupção, pois ela também existe neste órgão, o que contribui para o desvio do curso correcto dos processos.

As pessoas encaram-no com seriedade nos fóruns de justiça? Não olham para si como Slim Nigga, o homem dos palcos?

Muitas vezes misturam as coisas, chamam-me Doutor Slim, excepto o juiz.

SOCIEDADE

NÃO ESTÁ PREPARADA

PARA (SEMI)NUDEZTem havido muita polémica à volta da maneira de se trajar das artistas moçambicanas. Matilde Conjo, por exemplo, está na boca do povo. A nossa sociedade estará ferida sob ponto de vista moral, falta pudor?

 

O que constitui escândalo aqui, certamente, não o é em outras partes do mundo. Matilde Conjo veste-se daquela forma por ser artista. O facto é que a nossa sociedade não está preparada para conviver com isso. Temos um público-alvo que não está pronto para este tipo de coisas. A Dama do Bling também quando entrou para o mundo musical foi motivo de grande alarme na sociedade, mas o que elas faziam ou fazem é meramente normal em outros mercados musicais. A culpa não é das minhas colegas. Mas não procuremos culpados aqui…

Ainda na esteira deste assunto, no panorama musical do país, quem pode ser apontado como espelho? Falo da forma de ser, de estar, de se apresentar…

Ivete, Dama do Bling, Valdemiro José… eles têm um ser e estar que aprecio, que vai além do cantar. São pessoas regradas, têm uma vida que aprecio muito.

Mas a sociedade já esteve no encalço da Dama do Bling. Questionava a sua forma de se trajar, de se apresentar…

Mesmo assim. Eu gosto da life-style dela. É uma dama de prestígio, de valores, apesar das polémicas que nalgum momento da carreira giraram em torno dela.

NÃO GANHO

MUITO DINHEIRO

COMO MÚSICO

Fale-nos da sua carreira musical. O que sabemos é que tem muita aceitação, sobretudo, pelas suas composições. Já ganhou muito dinheiro?

Apesar de não ser impossível, não é fácil ganhar muito dinheiro como músico. A carreira musical não foi a principal fonte que permitiu que eu tivesse um carro, uma casa. O que consegui foi através de outras actividades, de outros meios. Entretanto, hoje falo de vitórias, essencialmente, porque a música deu-me respeito, incluiu-me de forma especial na sociedade, ao mesmo tempo que ganhei prémios tais como “música mais popular”, com as canções “Boneca de pano”, 2008, que, aliás, me lançou ao mercado; “País do pandza”, 2013, e “Maquinag”, 2016, ao lado do Hernani.

Quanto custa um “show” do Slim Nigga?

O meu cachet é de 35 mil meticais, negociáveis.

Mas você é um artista consagrado…

Mesmo assim. O estilo de música que faço (rap) não é comercial. Faço em média dois shows por mês, contrariamente a artistas como Mr. Bow que chegam a fazer 5, 6 shows.

Fala-se por aí que Slim Nigga declarou-se o rapper mais rico do país…

Isso não constitui verdade. Nunca me pronunciei nesses termos. Alguns blogueiros é que propalaram essa infeliz declaração, e acredito que na tentativa de sobressaírem no seu trabalho. Até porque faz parte do show biz.

Retivemos, a dado momento da nossa conversa, que não era impossível engordar o bolso fazendo música. Haverá algum segredo?

Sim, pode ser possível se considerarmos que fazer música não se restringe ao simples cantar ou compor. Na arena artística existem outras formas de ganhar dinheiro: pode-se ser capa de um hotel, de um restaurante, de uma rede de telefonia móvel, enfim, através de publicidade. Temos exemplos de artistas bem sucedidos na carreira. São os casos de Valdemiro José, Lizha James, Neyma, Mr. Bow, Dama do Bling, entre outros. Mesmo assim a gestão é fundamental, para não se quedar no nível de artistas que só têm pouco menos de meia dúzia de fatos e não têm sequer um tecto em seu nome…

Há alguns meses, colocou a possibilidade de abandonar a música. Quais foram os motivos?

De facto houve um momento em que pensei e anunciei que me retiraria. Mas por situações pessoais, familiares, que não seria de bom-tom avançar num jornal. Eu não estava em condições de continuar musicalmente.

Alguma frustração?

Vou admitir que outro dos motivos foi a frustração. Há uma fase da vida que o artista perde todo o feeling, perde a vontade, sobretudo, pelas condições de trabalho. É complicado trabalhar na música sem um estúdio próprio, um produtor, sem conforto para trabalhar. Muitos de nós não têm essas condições. Eu próprio não as tenho. Isso deixa qualquer um cabisbaixo, sem forças para seguir em frente. Fiquei numa situação em que sentia que podia, pelo meu talento, mas que me estavam a cortar as pernas, que não podia andar mais. Vi-me no Sahara sem água, e aí pensei “melhor suicidar-me que sucumbir pelo caminho”.

Conseguiu ultrapassar essa situação?

Sim, graças ao meu amigo Mexer, o jogador de futebol, foi possível concretizar o plano que eu tinha na manga. Na verdade eu e o meu parceiro Hernáni da Silva, irmão da Dama do Bling, tínhamos um álbum que não conseguíamos levar ao mercado, só tínhamos as músicas compiladas, mas precisávamos de mecanismos de lançamento, de mandar para a África do Sul, fazer fotos, de fazer a impressão. Requeria muitos mil e tal rands e não tínhamos disponível esse quinhão de valores. Mas, porque temos amigos que gostam de nós, foi possível concretizar esse projecto. Actualmente o meu maior sonho é lançar um álbum a solo, e se tudo correr bem será num futuro muito próximo.

Algum recado para uma boa injecção nas artes?

Bem, apesar de haver muitas dificuldades no seio artístico e/ou cultural, é notável o esforço do Governo de vê-las sanadas, tanto nestas áreas quanto no desporto.

Falemos de questões do coração. Considera-se rico no amor?

Muito rico.

Recheado de muitas mulheres?

Não! De uma só.

Mesmo assim, deve ser assediado pelas demais…

Sem dúvida.

São só jovens ou arrasta também mulheres de quarenta em diante?

Até aos trinta e picos. Elas contactam-me telefonicamente e até vão à minha casa.

A dona do seu coração não se chateia com isso?

Ela lida de forma pacífica com a minha fama.

Já agora, de quem falamos?

É uma engenheira agrónoma, chama-se Dioclésia Moisés, e não gosta de rap.

Como é que se conheceram?Num restaurante. Foi amor à primeira vista.

 

GOSTARIA DE SER

MINISTRO DA JUSTIÇA

Tendo em conta o sucesso que faz entre os jovens e não só, pensa em um dia candidatar-se a algum cargo de relevo, até mesmo do Governo?

Eu penso em cargos ligados à minha área académica. Talvez bastonário da Ordem dos Advogados ou mesmo ministro. Gostaria de ser nomeado ministro da Justiça. Estudei e continuo a estudar para isso. Vou empenhar-me para que um dia isso aconteça.

e a Presidência da República, não está na sua lista?

Esteve quando eu era criança. Actualmente tenho plena consciência de que não vale a pena sonhar com isso. Eu gosto muito de passear, de dançar… não combinaria com o cargo.

Voltemos às suas escolhas. Qual é a figura, ao nível de governação, que faz parte das suas graças?

Sem dúvida, Joaquim Chissano.

Porquê?

Nunca vi um presidente que fosse tão amigo do povo quanto ele. Na verdade aquele não era presidente, era funcionário do povo. É de uma simplicidade não esforçada, carismático. Há muitos governantes que se esforçam para passar essa impressão. Nele é involuntário, e até dá gosto vê-lo a falar.

E nas lides musicais, cá entre nós?

Roberto Chitsondzo. É um alto compositor, um homem multifacetado. Tudo o que ele toca sai com perfeição, tanto na música, como na política.

INFÂNCIA COM FUTEBOL

BICICLETA E NOVELAS

Como foi a sua infância? Especula-se que uma das suas músicas, “Meu diário”, faz alusão a um provável mau relacionamento com o seu pai.

A minha infância foi boa, a família era numerosa mas unida, os meus pais estavam juntos até um certo ponto. Gostava de jogar futebol, de andar de bicicleta e de uma luta básica (risos). Eu gostava também de ver novelas, até porque andava sempre colado à minha mãe.

E a relação com o seu pai era saudável?

Tive um bom relacionamento com o meu pai. Aliás, ele influenciou-me no gosto pelo futebol.

Mas de onde saiu o boato?

Bem, deixe-me dizer que em todas as famílias existem brigas, o clima hostil não era entre mim e o meu pai. De qualquer forma, em dada fase da nossa história, houve alguma turbulência, alguns atritos, mas era algo geral, que envolvia todos os membros. Quanto a essa música, não especifiquei nenhuma pessoa, falo de uma família hipotética. Hoje em dia posso dizer que grande parte dos sectores da minha família caminha muito bem; outros vão bem e outros ainda não estão muito bem, mas tendem a melhorar.

CONVERSA CORRIDA

Nome: Giovane Xadreque Maunze

Idade: Isso não digo…

Naturalidade: Maputo

Cor preferida: Azul

Perfume: S. T. Dupont

Carro: Range Rover

Música: “Te vivo” (Luan Santana)

Dança: Pandza

Artista internacional: Jay Z

País: Jamaica

Praia: Inhaca 

Inimigo: Não tenho, pelo menos é o que penso.

Gosta de ser Slim: Já me habituei, passou a ser bom.

Biótipo de mulher: Gosto de mulher de nádegas grandes. E devem ser bem grandes

(risos)

Texto de Carol Banze

 

carol.banze@snoticicas.co.mz
 

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