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Lições do Presidente e os desafios do sector agrário

Por admin
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Desde a Independência Nacional, em Junho de 1975, Moçambique estabeleceu a agricultura como a base do nosso desenvolvimento e a indústria como principal alavanca impulsionadora deste processo e de agregação de valor aos produtos agrícolas.

Foi nesta plataforma que o desenvolvimento do nosso país foi lançado, esbarrando-se, como todos sabemos, com adversidades de vária índole, que exigiram, de sucessivos governos, soluções pragmáticas, assentes na combinação de múltiplos factores endógenos e exógenos.

No lançamento da campanha agrícola 2016/2017, semana finda, em Mopeia, província da Zambézia, o Presidente da Republica, Filipe Jacinto Nyusi, voltou a falar sobre o nosso fraco poder financeiro e a nossa vulnerabilidade às calamidades naturais, destacando-os como factores a ter sempre em conta sempre que queremos desenvolver uma agricultura sustentável.

Na ocasião, o estadista moçambicano, apresentou um discurso distinto em termos de como encarar a agricultura no país, lançando sobre os dirigentes do Estado ao nível provincial e distrital, novos paradigmas para olhar a agricultura, discurso que pode ser assumido como instrumento orientador da produção e apresentado com um cunho inovador e sobre o primado de realismo e pragmatismo.

O discurso, bastante didático, continua a colocar a agricultura no topo das prioridades na agenda nacional de desenvolvimento, ressaltando, à partida, que a nossa economia é basicamente agrícola na qual as famílias aparecem como pioneiras nos indicadores macroeconómicos.

E não é caso para menos. A agricultura emprega mais de 80 por cento da população moçambicana economicamente activa. Contribui com cerca de 25 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e 16 por cento das exportações nacionais.

Como sublinhou o Chefe de Estado, o sector agrário familiar concentra cerca de 99 por cento do universo de quatro milhões e 270 mil explorações agropecuárias. Destas apenas 1 (um) por cento comporta machambas até uma média de cinco hectares que são caracterizados por um modelo misto combinando uma agricultura de subsistência com pequenos excedentes para o mercado.

O Presidente salientou que estes indicadores deixam muito a desejar. “É muito pouco”, frisou. Acrescentou que as grandes explorações agro-pecuárias, do sector empresarial, em termos absolutos ocupam pouco mais de 600 unidades, outro indicador diminuto, facto que desafia a todos os moçambicanos a se engajarem na transformação da agricultura de subsistência em agricultura que garanta a segurança alimentar e produza rendas.

O Presidente da República observou que produtos como o milho, hortícolas, ovos e aves, são compatíveis com a generalidade dos solos e passiveis de serem as mais exploradas em todo o território nacional, daí a necessidade de serem adoptadas como culturas transversais no âmbito da segurança alimentar e produzidas em todo o território nacional. “Esta é a missão directa dos senhores administradores distritais”, ditou.

Referiu ainda que a missão visa estimular o desenvolvimento dessas culturas a favor da procura interna e internacional e apontou que a melhoria dos processos ao longo da cadeia de valor deve igualmente visar a redução das perdas pós-colheitas que se situam actualmente em 24 por cento.

Quanto a nós a parte mais vibrante da intervenção do estadista assentou no foco primário da presente campanha: o desenvolvimento agrário baseado numa especialização agrária.

Nyusi salientou: a produção de milho, hortícolas, ovos e aves assume valor vital. Estes são os produtos de segurança alimentar declarados de produção nacional de bandeira obrigatória, devendo cada província especializar-se na produção de pelo menos um destes produtos.

Sentenciou que não deve haver distrito sem solução para o seu sustento, ressalvando que para as demais culturas, os determinantes a ter em conta são as condições impostas pelas características dos solos, pluviosidade e toda a combinação de factores de competitividade.

Avisou que com vista a melhor especialização das províncias, os gestores da administração em diferentes níveis deverão, com maior rigor, estabelecer um mecanismo de monitoria, assistência agrária, transferência de conhecimento dos extensionistas aos produtores.

E estabeleceu regras concretas: O corredor Pemba-Lichinga, que abrange as províncias de Cabo Delgado e Niassa, é rico na produção de batata-reno, trigo, feijões, milho, soja, hortícolas, algodão, gergelim e aves. Então, para além de milho de eleição nacional transversal, dedicar-se-á à especialização na produção de feijões e bata-reno. “Esta é a missão”, estamos a citar.

O Corredor de Nacala, onde se destaca a produção de mandioca, milho, algodão, gergelim, fruteiras, aves, amendoim, hortícolas e caju, tem condições agro-climatéricas que a colocam numa posição privilegiada na produção de várias culturas, devendo incrementar-se a produtividade e escala na produção de mandioca, milho, e feijões em toda a extensão da província de Nampula e Niassa. “Esta é a missão”, citamos novamente Filipe Nyusi.

Por outro lado, o Vale do Zambeze, para além das culturas de arroz e milho, apresenta solos favoráveis para a batata, bovinos, caprinos, hortícolas, gergelim, algodão, e aves. Para o Presidente da República, a província da Zambézia deve projectar-se para a produção de arroz, feijões e soja, a de Tete especializar-se-á na produção de milho, batata-reno, e feijões.

Quanto a Sofala, no Corredor da Beira, deve, segundo o Presidente, dedicar-se à produção de milho, arroz e hortícolas e Manica deve garantir, para além da soja, nas culturas de rendimento, o milho, hortícolas e aves .

O Chefe de Estado falou ainda do Corredor de Limpopo e Maputo, corredor que atravessa as províncias de Inhambane, Gaza e Maputo que apresenta elevado potencial em hortícolas, bovinos e aves. Sublinhou que Gaza inclui ainda o arroz e a castanha de caju, culturas nas quais a aposta é massasificar a produção e ascender a economias de escala produtiva. 

Do discurso do estadista salienta-se a urgência da produção de comida em função do real potencial que o país tem. Efectivamente, Moçambique, com o Vale do Zambeze, maior reserva hídrica da região da SADC, não pode continuar a registar focos de desnutrição.

Definitivamente, a sua agricultura deve conhecer outros impulsos destacando-se aqui a necessidade de especialização de cada província em função do seu potencial e das condições agroclimáticas.

Felizmente, o país parece enveredar pelo melhor caminho porque já mostra sinais de auto-suficiência alimentar na produção de milho e mandioca. Maior atenção deverá ser dada, entretanto, à produção da batata-reno com um défice de 142 mil toneladas ao situar-se em 263 mil toneladas na última campanha. O Governo está ciente que o desafio para a presente campanha é superar as previsões de 2017, e estabelecer a produção da batata-reno em 420 mil toneladas para presente campanha, reduzindo o défice para 89 mil toneladas que deverá ser superado nos próximos dois anos.

Isto é possível fazer porque somos um país essencialmente agrícola com uma extensão de terra tão grande e tão fértil. Os alimentos brotam da terra e terra é o que mais temos, sendo até propriedade do Estado com obrigação de a conceder ou distribuir baseado em políticas de desenvolvimento em função do homem de carne e osso. Quem cultiva a terra são homens e mulheres, que também temos em abundância.

Assim, para encarar melhor estes recados do Chefe do Estado e os desafios que nos propõe para os próximos tempos, precisamos, entre outras coisas, de melhorar a assistência ao camponês, rentabilizando o conhecimento que os nossos extensionistas transmitem aos produtores, disponibilizando alfaias agrícolas e sementes e sobretudo disseminando uma educação voltada para a produção agrícola.

 

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