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LUíS SIQUICE: Nosso futebol necessita de bons dirigentes

Por admin
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Tinha um pé de canhão. Um verdadeiro míssil teleguiado. Infelizmente não durou muito no futebol por causa de uma arreliadora lesão e, por conseguinte, pouca gente viu a sua forma impar de marcar livres directos um pouco depois do meio campo.

Era assim: Falta assinalada a meio metro ou metro e meio depois do meio campo. Ele colocava a bola no pelado ou relvado. Tomava balanço. Uns cinco/ seis passos para trás. Olhava para a baliza. Puxava para cima ou ajeitava os calções. Dava entre três a quatro biqueiradas ao chão. Arrancava para a bola e chutava com tremenda violência e imenso jeito. A bola só parava no fundo das redes e os amantes de futebol e os relatadores desportivos (João de Sousa, Anuar Mussagy, Hassane Zubaire,…) gritavam….gooolllloooo. Luís, Luís, Luís Siquice.

Quinta-feira (3 de Novembro). Sete e quarenta e cinco da manhã. A recepção informa-nos que está o senhor Luís Siquice. Pedimo-lo para subir até a nossa redacção. Fá-lo, coxeando e apoiando-se no corrimão. Na mão direita traz duas fotos por nós pedidas na véspera que mostram os seus tempos de praticante. E é mesmo por ai que começamos a conversa.

Nesta foto reconheço Cremildo Gonçalves, o falecido guarda-redes Zé Luís, para além de si, claro. Quem são os outros? E a que competição se refere?

É uma partida entre as selecções provinciais de futebol de Sofala e Maputo. Foi em 1977. Dantes havia este tipo de intercâmbio, que era uma mais-valia para se seleccionar os melhores para a Selecção Nacional de Moçambique.

Quantos jogos fizeste pela Selecção de Maputo e pela Selecção Nacional?

Pela selecção de Maputo fiz dois jogos e apenas um pela selecção nacional, por causa da minha lesão.

Em que ano se lesionou?

Em 1978, numa partida contra o Maxaquene, no Estádio da Machava (Vale do Infulene).

Recorda-se como tudo aconteceu?

Sim… parecia que eu tinha um sexto-sentido. Recordo-me que pedi ao mister Martinho de Almeida para que não me alinhass; não porque estivesse lesionado… alguma coisa me dizia que não devia jogar. Ele simplesmente ordenou: “Luís, número 10, entra no campo!”. Ainda balbuciei ummister, eu…. E aconteceu este acidente. Foi numa bola divida com o Joaquim Gonçalves. Não sei como ele está hoje, porque retirou-se imediatamente do futebol. Eu ainda tentei arrastar-me. Não sabia o que era e os nossos hospitais não tinham aparelhos que pudessem diagnosticar com exactidão a minha lesão. Uns diziam que era joelho. Outros, menisco. A verdade é que não era nada disso. Fizera uma ruptura de ligamentos. Se tivesse parado uns meses e com a tecnologia que existe hoje teria voltado à ribalta. Fui jogando, fui me esforçando e não deu.

Então…?

O Martinho de Almeida, num desses anos, acho que 1981 levou-nos ao Maxaquene. Fui eu, o meu irmão Ramos (vatazula), Tomás, Vitorino, Almeida (que estava no Ferroviário de Maputo) e com promessa de tratamento no estrangeiro. O Maxaquene cumpriu e segui para França para tratamento. Recordo-me que tive de fugir da escola. Estava no terceiro ano do Instituto Comercial. Abdiquei das aulas para poder viajar. Segui eu, Nuro Americano e o falecido Bonifácio e fomos todos operados. Ficamos todos no mesmo quarto. Voltamos ao fim de trinta dias.

E a lesão era…?

Detectou-se que tinha feito uma ruptura de ligamentos da parte interna do joelho. A recuperação é que não foi das melhores. Regressados ao país, porque os nossos hospitais ainda não tinham equipamento médico apropriado, a recuperação não foi completa. Ainda tentei jogar, mas já não com aquela fogosidade. Fui baixando, baixando de rendimento e em 1986 retirei-me.

Ainda assim, depois da operação saiu do Maxaquene e retornou ao Costa Sol.

Sim, voltei para o Costa onde terminei a minha carreira ao mais alto nível, apesar de ainda ter feito alguns jogos pelo Mahafil Isslamo. A seguir tirei o curso de treinador de futebol do I e II grau, creio que entre 1983, 84, 85, mas depois vi que a carreira de treinador para mim não dava: “você dorme empregado e acorda desempregado” (risos). Matutei entre continuar a estudar ou trabalhar. Trabalhando sei que tenho um salário mensal e não me chateio com ninguém. Voltei a minha contabilidade para trabalhar.

PRIMEIRO

CLUBE

Quando é começou a jogar e qual foi o teu primeiro clube?

Quando era miúdo o Desportivo fundou uma escola de jogadores que era orientada pelo Tubarão. Éramos tantos, tantos que só escolheram Calton Banze, o falecido Manuel, e pouco mais. Eu como vi que não tinha lugar saí.

Em que ano foi isso?

Nos anos 1971/72. Só que num desses dias apareceu no Campo do Xipamanine José Perides que passou a nos treinar todas as manhãs. Eu, Ramos, o falecido Cabral, Ribeiro…Natalinho, João Ouana & companhia e formamos várias equipas de miúdos. Digamos, uma escola de jogadores. O Perides escolheu os melhores e levou-nos a Académica, que acabou sendo a minha primeira equipa, em 1972/3. Ainda no decorrer do ano 1973 sai para a escola de jogadores do Ferroviário de Maputo, curiosamente foi o ano que se realizou o primeiro campeonato de juvenis. Nós participamos com duas equipas: A e B divididas em duas séries. Calhou que a final foi entre nós e ganhou a equipa A onde eu militava com Santinho, Almeida, …só que em 1974 o meu pai…

Sei o que aí vem… (risos)

O meu pai, adepto ferrenho do Benfica de Portugal e de Lourenço Marques, obrigou-me  a mudar para o Benfica e colocou-me duas opções: “Ou jogava no Benfica ou saia da casa dele”. Como era miúdo e só quisesse jogar a bola lá fui ao Benfica onde encontrei Artur Semedo, Galamão, Mussá Osman, e outros. Joguei nos juvenis, depois nos juniores, mas com idade de juvenil. Em 1976 o Benfica foi treinado por Freitas Branco (ex-árbitro de futebol) e me tira dos juniores para os seniores. Só que lá põe-me no banco na equipa de reservas. Então os meus amigos começaram a murmurar “Luís sais dos juniores para ficar no banco nas reservas?”. Eu nem mais, abandonei os seniores sem dizer nada ao Freitas Brancos e fui jogar nos juniores e terminamos o campeonato em segundo lugar. Em 1977 saiu o Freitas e entrou Martinho de Almeida.

O técnico que ficou conhecido pelo seu modelo de treinamento “MARSIA”.

Sim. Puxou-me a mim, o Artur Semedo, Ramos e fomos treinar com os Moianas, Ibraimos, Messias. Houve uma mescla de malta jovem e adulta e com experiência. Éramos titulares nos seniores mas com idade de juniores. Tínhamos lugares. Provamos. Não era fácil jogar ao lado daqueles colossos todos. E fomos vice-campeos provinciais. Recordo-me que se não tivéssemos perdido o jogo contra a equipa de Incomati (1-0) dos Mabjaias, irmãos Mafambani, Tadinhos, na Maragra, teríamos sido campeões. O título foi para o Desportivo de Maputo, onde militavam Calton, Hamide, Urbano, Sitoe,… uma equipa verdadeiramente adulta.

Mas no mesmo ano participaram no campeonato nacional…

Sim, nessa altura o campeonato era disputado em zonas, nomeadamente Norte, Centro e Sul, sendo duas por cada zona que culminava com uma fase final no Estádio da Machava num sistema de todos contra todos. Foi o terceiro campeonato nacional e quedamo-nos em terceiro lugar e eu fui o melhor marcador da competição com cinco golos apenas e fui considerado pelo jornalNotícias Melhor Jogador do Ano de 1977 pelos jornalistas Ângelo Oliveira, Albuquerque Freire, …Em 1978, ainda no Costa do Sol, contrai a lesão, o que me limitou de jogar mais vezes pela selecção.

PÉ DE CANHÃO

Aquele teu tiro de canhão era resultado de quê?

De muito, muito, mais muito trabalho, desde miúdo. Ali no campo do Xipamanine, as balizas eram muito grandes, então púnhamos dois jovens na baliza e dois jovens a chutar. A condição ou competição ou duelo para auto satisfação era pôr a bola a bater ou embater na trave. Aquilo era todos dias. Eu como vivesse ao lado do campo era só sair e chutar. Todos os dias. Horas e horas. Para mim chutar fora da área não era absolutamente nada. Sentia-me muito bem. Alguns colegas queriam que eu pingasse a bola. Negava. E eles: “É longe. Pinga lá”. Eu, nada. Vou chutar daqui. E a bola entrava. (risos).

E era sempre assim?

Às vezes gingava. Aparecia um livre e dizia ao meu irmão Ramos para marcar. Ele batia com jeito. E o Martinho de Almeida levantava a mão dizendo “não, não, não. Você é que tem de marcar” (risos).

Como é que avalia ou vê a competitividade futebolística de ontem e de hoje?

Diria que no meu tempo o futebol era mais alegre, mais vistoso e tinha muita plateia. Todos iam ao futebol. Saiam de lá alegres mesmo que perdesse a equipa de coração. As pessoas viam futebol bonito de ponta a ponta. Não existiam somente dois jogadores talentosos. Éramos muitos. Para se fazer uma selecção “dançava-se” a valer. ´

Aponte-me, quase sem pensar, o nome de pelo menos meia dúzia desses talentosos.

Tínhamos o Dover, Chababe, Calton, Sitoe, Gil, Artur Semedo, Ramos, Orlando Conde, Joaquim João, Frederico. Era do Rovuma ao Maputo. O seleccionador nacional para escolher suava a bem suar. O futebol de agora tem pouco talento. Aparece. Quem vai ao futebol, bom, vai porque não tem nada a fazer. Não há muito por onde escolher. Dantes, não. Era agenda de fim-de-semana. Até iam a pé. Estádio da Machava a pé. Campo do Costa do Sol a pé. Para ver a equipa dele a jogar e vibrar. Jogadores com talento é Dominguez, …

E agora?

Apenas uma dezena de pessoas vai aos campos. Pelo menos aqui em Maputo. A qualidade foi-se perdendo com o passar dos anos. Depois da minha época veio a dos Riquitos, ainda eram muitos, depois se seguiu esta época jovem que teve como bandeira Dominguês, Dário Monteiro. È muito pouco. Assim é cada vez mais difícil aparecem resultados. Mas parece haver uma luz no fundo do túnel.

Como assim?

O actual seleccionador nacional, Abel Xavier, está a fazer um bom trabalho. Vai a pesquisa de talentos, de jogadores nas províncias. É o que nos faltava. Não é só o jogador de Maputo que deve formar a selecção. Hoje temos jogadores que ascendem aos seniores e não sabem dominar a bola. Não sabem fazer um passe. Não sabem fazer um lançamento. Não sabem desmarcar. São coisas que aprendíamos na base.

MIÚDOS SUJEITOS

A CARGA FÍSICA

Mas desses seniores tiveram passagem pela escola de jogadores?

Então, é má formação. Talvez a coisa mude figura com as novas academias que vão nascendo. As escolas devem ser treinadas com nível, capazes, que conhecem. Aqui em Moçambique temos bons treinadores que devidamente formados podem ser excelentes para as camadas inferiores. Depois tenho visto coisas, sobretudo nas camadas inferiores que me deixam perplexo.

Por exemplo?

Os miúdos são sujeitos a carga física. Está errado. A carga é a partir dos juniores. Seniores. Resultado: Andam a atrofiar os miúdos. O resultado está aqui. Quando chegam aos seniores estão rebentados. Posso também falar dos da minha geração quando atingimos o escalão sénior. Nós com o Martinho de Almeida apanhamos uma carga terrível. Não jogamos mais que seis/sete anos (risos).

Era o método MARSIA.

Sim. Bancada. Correr na praia. O falecido Mário Coluna convoca-me a selecção provincial . Foi-me buscar em casa, por acaso. Depois ele vai assim para mim: “ó Luís, eu fui capitão do Benfica. Andei em muitos países. Nunca vi um treinamento que está sendo administrado por Martinho de Almeida. Você é jogador da bola tem que treinar com bola. Não é andar a puxar sacos”. Eu não pude responder nada (risos). Quando fui informar o Martinho de Almeida que o Coluna diz nunca viu a tua metodologia de treinamento, Martinho disse. “Eu estou a fazer o meu trabalho. Eu estou a inventar um método de treinamento que ele não conhece.” (risos). Eu não podia dar razão ao Coluna nem ao Martinho. Tinha simplesmente que cumprir. A disciplina no Costa do Sol era de ferro. Se você falhasse somente um treino era um caso. Havia uns espertinhos, rebeldes, como Ramos, Sergito, …não gostavam de seguir ordens. Queriam discutir. Fugiam ao estágio (risos).

Recordo-me, vagamente, que houve um torneio muito propalado…

Sim, foi o Grande Torneio de Caniço. Participei na I e II Edição realizada no Campo do 1ª de Maio. Como éramos craques ninguém queria treinar. Cada um fazia o que quisesse. Eu no ano seguinte, em 1972, transferi-me para uma equipa chamada Big Star, onde militavam Santinho, Almeida, António Munguambe (ex-director nacional de desporto). Equipa de miúdos. Aliás nesse torneio éramos muitos. Quase duas mil crianças. Cada bairro tinha duas equipas de sete/sete. Eu fui um dos 50 melhores jogadores. Tive uma medalha. Outro dos eleitos foi o Artur Semedo.

PARA BENFICA DE PORTUGAL

7/9/ 1974 inviabilizou

ida de Luís Siquice e Artur Semedo

Em 1974 quando fui jogar para o Benfica no escalão de juvenis, eu e o Artur Semedo devíamos ter arrancado para o Benfica de Portugal. Não fomos por causa do 7 de Setembro (convulsão politica e social) porque os portugueses, os brancos, fugiram. Íamos pela mão do nosso treinador e Dirigente, o senhor Machado. Mas mais tarde em 1977 fui convidado para saltar o arame. Não para África do Sul, mas para Portugal. Houve muitas cartas, troca de correspondência e tinha como mensageiro o Mesquita (filho de Botelho de Melo e jogador do Nova Aliança de Maputo e outros emblemas). Ele era o elo de ligação entre O Sport Lisboa e Benfica de Portugal e eu. Até já perdi correspondência. Tinha de saltar a fronteira. Ir para África do Sul e tomar avião para Portugal. Mas não foi possível. Também tinha o meu pai que não deixava sair. E prontos.

Futebol deu-me

reconhecimento público

No teu tempo já havia esta, digamos, suspeição que anda agora no futebol?

Não, não. Jogava-se futebol. Reinava a verdade desportiva. Não existia aliciamento de jogadores para perder ou ganhar. Os próprios dirigentes não tinam isso tipo de coisas.

Eram verdadeiros condutores de homens?!

Sim. Claramente. Agora há dinheiro. No meu tempo não. Até equipamento. Recordo-me que num desses anos o Martinho de Almeida foi ao Benfica de Portugal pediu equipamento e deram-lhe. Jogamos com esse equipamento. Nessa altura aqui no país não se confeccionava equipamento. Tinha de vir de fora. E não era fácil trazer equipamento da África do Sul. Havia um bloqueio.

O que é que o futebol te deu?

Bom…Sou conhecido, sou uma figura pública. Foi o que ganhei. Não me deram casa. Tudo o que tenho foi a custo próprio. A única coisa que me pagavam no Costa do Sol era matrícula, propinas e cadernos. Quando ascendi aos seniores deram-me um subsidizinho porque estava na escola e não pagavam a ninguém. Os mais velhos trabalhavam de dia e treinávamos a noite. Passamos a semi-profissionais quando houve integração das equipas nos vários Ministérios.

Há desenvolvimento mas…

O que é que se pode fazer para melhorar a qualidade deste nosso futebol?

Por tudo o que está acontecendo, sobretudo suspeição de resultados, equipas que alegadamente facilitam… é medíocre o nosso futebol. Há desenvolvimento, mas a mediocridade está acima desse desenvolvimento. Mas podemos fazer muitos mais. Os clubes também devem pautar em ter treinadores com conhecimento para poderem formar jogadores. Não basta ter sido praticante. Senão todos nós íamos ser treinadores. Há vocação. Há dedicação. Depois vêm os frutos. Sem isso, Matola, não vamos colher  nada. Alguns árbitros, dirigentes não contribuem para engrandecer a modalidade.

Sim?!

 O futebol precisa de dirigentes sérios. Alguns dirigentes quando aparecem vendem instalações, dizem que vão construir e não o fazem. Veja o Costa do Sol como está. Antigamente o Clube ia de ponta a ponta. Hoje está reduzido a um cubículo. Vendeu-se tudo. Não se fez nada. Desportivo de Maputo dizia que ia construir campo em Marracuene e nada.  Tratam os clubes como se fossem propriedade privada. Não pode. Um clube é de todos.

Ainda vais aos campos?

Não, não, não vou. Assisto pela televisão.

Qual foi o teu jogo épico?

Tive muitos jogos. Mas há um que me marcou de forma muito especial. Foi contra o Textáfrica do Chimoio em 1977 e  fomos vice-camiões. Primeiro porque sendo miúdo nunca me havia passado pela cabeça que poderia enfrentar o falecido guarda-redes Zé Luís (um verdadeiro senhor de baliza) e marcar-lhe dois golos. Um guarda-redes que eu, ainda muito novo, aplaudia porque ele era efectivamente um excelente jogador, com boa leitura de jogo, flexibilidade, colocação e uma certa dose de temeridade. Um verdadeiro senhor naquela posição… Mas marquei dois golos de livre.

Sim?!

No primeiro ele mandou formar barreira. Vi aquilo. Tomei balanço como era meu hábito e chutei. Ele nem viu. Quando se apercebeu a bola estava lá dentro. 1-0. Estávamos a ganhar.

E no segundo livre?

Ele disse aos defesas que não queria barreira. Afastou todo mundo. Ficamos frente-a-frente. Marquei. E ele só lançava impropérios. “este machangana marcar dois a mim. O gajo não me conhece. Eu sou beirense” (risos). A partida foi no Estádio da Machava. Fase final do Campeonato Nacional. Fui melhor marcador.

Ganharam por quanto?

Ganhar? Perdemos (risos). Ao intervalo estávamos a ganhar 2-1. Na segunda parte houve uma reviravolta e perdemos 5-2. Houve golos que eu,  a jogar, nem vi. Eram rápidos. Muito rápidos. Aquilo era uma constelação de estrelas. Grandes jogadores. Ângelo Jerónimo, Tereso, Boror, Mambo, Mussa, Mussá Osman, Chababe, Adelino Jorge, Pinduca (falecido), terrível. Tinham uma bonita equipa. Não era fácil. Jogadores maduros.

Na fase final o que é que acontecia? Eles saiam da zona Centro e vinham ficar no hotel. Treinavam e descansavam. Nós não. Estávamos a trabalhar, treinar só a noite…

Esta entrevista também é uma homenagem a toda uma geração de grandes jogadores de futebol que pontificaram um pouco por todo o país. Nomes como Gil Guiamba, Ramos Siquice, Jerónimo Nhanombe, Filipe Chissequere, Nico “Dangerman”, Nacir armando, Elias Mabjaia, Jerry,e Nuro Americano, entre muitos outros que deram o seu quinhão ao despoprto nacional. Outros nomes sonantes do desporto – embora na bancada – como Angelo de Oliveira (o pai do Moçambola), Albuquerque Freire, Hassane Zubaire, João de Sousa, entre outros que, com o seu saber, nos deliciaram com crónicas de jogo e relatos animados.

Quem não se recorda de títulos como “Mestre Pelembe, a grande lição” ou “Fernandel e não só. Rafael o melhor dos 22”?…

Coisas do báu colectivo do nosso futebol!

Texto de André Matola
matolinha@gmail.com

Fotos de Felisberto Laice e do Arquivo pessoal de Luís Siquice

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