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Haverão de ver que irão ficar grandes e gordos

Por admin
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Há testos jornalísticos que bem podem ser classificados como exemplares. Como de antologia. O último que li e que em minha opinião merece esta definição, esta classificação, foi publicado neste 

 

semanário. Na sua última edição e na secção Bula-Bula. Sob o título15 segundos de fama…, o articulista depois de nos dar a sua definição de fama, escreve que Há uma nova expressão – na sua forma tradicional é nutritiva – que está a tomar conta do nosso universo. É a “sopinha”. Desengane-se de está ou estava a pensar num tacho com nacos de carne e vegetais. A “sopinha”de que se fala é um subsídio que se paga para aparecer. E é pagar (não é pegar) ou largar. Depois de se fazer eco das frustrações de um qualquer candidato a cantor, que ninguém conhece de verdade, o articulista escreve Solução mágica: procurar produtores de programas televisivos e garantir-lhes uma “sopinha”. Não interessa qual é o canal ou a grandeza do mesmo. A “sopinha” funciona mesmo. Bula-Bula testemunhou ao vivo e a cores essa vil prática. Aconteceu que Bula-Bula fora convidado para participar num determinado canal televisivo e, enquanto esperava, pasme-se, viu um produtorzeco a receber por baixo do pano uma nota de mil meticais. Depois de reproduzir o diálogo que se travou entre o tal produtor e o pseudo- cantor, o autor do texto escreve que Bula-Bula ficou burro. O pobre rapazote que soltou os mil meticais vestia-se modestamente. Aqueles valores devem-lhe ter costado tanto a juntar. Via-se que era um jovem carente, mas a necessidade falava mais alto. A cena repetiu-se mais duas vezes diante dos olhos de Bula-Bula. E tudo aconteceu numa grande estação televisiva com responsabilidades sociais. Aquilo viola todos os princípios de ética (…). E por aí em diante. Não se diz no texto qual a estação televisiva em que tal barbaridade aconteceu. Também não era preciso. Como costumadizer-se, “para bom entendedor, meia palavra basta”. Ainda se pode ler no texto, separando as águas, que É verdade que nem todos os produtores e apresentadores cobram “sopinhas” (…). Se é que alguém está preocupado com o que se está a passar em termos de televisão, este bem pode ser um ponto de partida para uma investigação. Séria e abrangente. Por quem tem direitos e tem deveres para com o público. E o público somos todos nós. Que queiram ou não, vimos e ouvimos.

 

Esta questão da “sopinha” não é nova. Parece já ter raízes e profunda. Também não é, ou parece não ser especificidade de programas musicais, recreativos. Muitas vezes nos interrogamos sobre os motivos, sobre os porquês e a validade de certas notícias. Inseridas em noticiários que vão para o ar nas chamadas “horas nobres”. O mesmo é válido sobre o conteúdo de certas reportagens. De certos programas desportivos. Onde funcionários menos honestos não têm qualquer relutância em nos servir “gato por lebre”. Coitados daqueles de nós que não têm capacidade ou conhecimentos para conseguirem distinguir o bom do mau. Distinguir a notícia, tanto quanto possível objectiva, da propaganda, da publicidade encoberta. Da notícia que o não é. Mas que resulta só e apenas de uma boa “sopinha”. Perante tanta passividade perante esta nossa realidade, de todos os dias, resta apenas desejar que possam continuar, que continuem a dar-lhe “sopinha”. Haverão de ver que irão ficar grandes e gordos.

 

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