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A “ESTÓRIA” TRAGICO-CÓMICA DUMA EMPREGADA DOMÉSTICA

Por admin
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Que é homem para que seja puro? (…) Eis que Deus não confia nem nos seus santosJó (Job) 15:14-15

 

Logo no inicio da década Noventa do século passado, altura em que abraçamos o multipartidarismo e desassociamo-nos da então nossa inclinação para o socialismo científico, doutrina sobre a qual e entre outras coisas, desencorajava a alguém a trabalhar para outra pessoa por considerar que quem contratasse mão-de-obra de outrem, estaria a ser um “Explorador do homem pelo homem”. Daí que, divorciados do Socialismo Cientifico, assistimos a um “Boom! ou Crash!” de gente, a reivindicar o direito a uma pessoa que fizesse o trabalhinho doméstico. Melhor dito, toda agente passou a ostentar a mania de ter ao seu serviço, alguém que cuidasseda conservação e da limpeza da sua casa,designadamente:lavare passarroupas, cozinhar servir à mesa elavar louças, cuidarde peças do vestuário, fazer arrumaçãoda casa e cuidar de plantas do ambiente interno e externo,e outras orientações recebidasdos então “Novos Patrões”. Essa pessoa, poderia (e pode) tambémcuidar de animais domésticos,(de estimação que não inclui gado),alimentação destes e passeios. Para sermos mais honestos, diríamos que essa Pessoa passou a ser na verdade aquela que conhece melhor não só os cantos da nossa casa, bem assim como os nossos gostos e esquisitices. A essa Pessoa, se deu o nome de Empregada Doméstica. Diferente de uma Babá, (Makayaya, Yaye, Xikonge, etc., ou conforme o nome porque é conhecida de conformidade com a língua de cada uma das regiões do nosso vasto Pais). Essa (Babá), sempre existiu mesmo no templo da “Dona Maria Pia”, cujas tarefas foram sempre bem distintas das de uma Empregada Doméstica. Uma Babá teve sempre como tarefas: cuidarda(s) criança(s), dassuas roupas,dos quartosdas crianças, dos brinquedos, da sua alimentação, brincarcom elas (crianças).No Campo, essa pessoa costuma ser da família, (irmão mais novinho do casal, cunhada, prima, sobrinha, etc. etc.). Quanto  à Pessoa Empregada Domestica, aqui na Cidade de Maputo, a maioria é do sexo Feminino. As Empregadas Domesticas são as primeiras a inundarem as Ruas e Avenidas com o seu modo de conversar em tom alto logo pela manhã enquanto caminham para os seus Postos de trabalho, competindo com os vulgos “Chapeiros”. Arrisco-me a admitir que me parece ser esta classe (Pessoa Empregada Doméstica) que tem maior número de trabalhadores do que qualquer outra classe, tendo em conta que por seu turno muitas Empregadas Domésticas também têm em sua casa, uma Empregada Doméstica. Conheço casos de Empregadas Domésticas que, devido ao talento demonstrado ao longo de muitos anos de trabalho acabaram casando com os respectivos Patrões. De Patroas com Empregados é que não conheço nenhum caso. Maria Amélia era uma dessas Empregadas Domésticas que abraçou a função com amor e entrega total, sem nenhum pingo de complexo, apesar da sua formação Média (12ª. Classe do Ensino Geral). Com um salário muito acima do mínimo estabelecido para a Função Pública, (Cinco mil meticais), após quatro anos a trabalhar para o casal Albertina e Albino Nhantumbo, ele Engenheiro de Construção Civil, ela Médica Internista, pais de dois filhos menores, tinham na Empregada doméstica MariaAmélia uma verdadeira “Titia”, já que o casal nunca se preocupou por procurar uma Babá, dado que além da Creche, Maria Amélia tomava conta de tudo. Ela nuca desmereceu a confiança do casal, já que ela é que fazia tudo para eles: rancho, e administração da casa. Mulher prendada, com um corpo esculturalmente esbelto, (boa apresentação, peito roliço que parecia prestes a saltar fora do “soutien”, Maria Amélia tinha tudo para ser uma manequim ao ponto de a própria Patroa Dra. Albertina sentir algum pinguinho de ciúmes. Ela entrava as seis para preparar as crianças que iriam à Creche com o Patrão o qual encarregava-se igualmente de as trazer de volta no final do dia. Maria Amélia preparava e servia o pequeno almoço, apresentava a lista dos mantimentos em falta e, depois de lavar a roupa entrava na cozinha, preparava o almoço, punha a mesa, passava a roupa, varria a casa e deixava tudo nos seus devidos lugares, e, com o sentido do dever cumprido, por volta das dezasseis horas seguia para sua casa afim de pegar os Livros e rumar à Faculdade onde cursava Administração de Empresas no período pós laboral. Nenhum dos membros do Casal regressava a casa antes das Dezassete horas. Tudo ia tão rotineiramente tão bem na casa da Dra. Albertina e Engenheiro Albino Nhantumbo até ao dia em que tudo mudou drasticamente. Cerca das Catorze horas, telefonaram da Creche à Dra. Albertina informando-a que uma das crianças não se sentia lá muito bem. A Dra. Albertina decidiu recolher cedo as crianças e levá-las para casa aos cuidados da solícita e competentíssima Empregada Doméstica Maria Amélia. Por ironia do destino, o Portão da casa estava aberto. Ela entrou e estacionou sem estranhar a presença de fronte da casa duma viatura da Empresa do seu marido. Todas as porta da casa encontravam-se apenas encostadas. A Dra. Albertina abriu a boca e desmaiou no momento seguinte ao identificar a sua Empregada Doméstica Maria Amélia deitada na sua cama, abraçada a um parceiro ambos completamente “pelados”, em posição horizontal dormindo um sono de quem acabava de efectuar uma jornada bastante extenuante! A Dra. Albertina só conseguiu dizer “Maria Amélia o que é isto!?”. O sujeito era o Engenheiro Francisco, sócio do Engenheiro Albino Nhantumbo. Teria sido aquele o primeiro dia deles!? Para a Dra. Albertina parecia-lhe uma Assombração!

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