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EM MEMÓRIA À VALENTINA DA LUZ GUEBUZA

Por admin
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Abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. (…) Chorai com os que choram” – Romanos 12:14 e 15

Hoje, em muitas casas festeja-se o Dia da Família (Natal). Porém,neste momento de terrível dor e saudade que atingiu a família Guebuza, queremos, através deste discreto espaço, prestar-lhe toda a nossa solidariedade.Foi à saída do Pavilhão do “Estrela Vermelha” que vimos pela primeira vez a pequena Valentina. Ela estava lado a lado com a nossa “kasule”, a últimafilha da nossa família. As duas abraçaram-se, congratulando-se por cada uma ostentar o invólucro que continha os seus diplomas de fim do curso. Perguntámos curiosos à nossa “kasule” se eram amigas, ao que ela nos respondeu eufórica num tom brincalhão: “Nem amigas e nem inimigas, fomos colegas, ela agora é Engenheira e eu, como sabeis, agora sou Jurista!”. Não sabemos porquê, mas daí em diante, sempre que víssemos a pequena Valentina, vinha-nos na mente a cena do Pavilhão do Estrela Vermelha e aquele sorriso dela lembrava-nos a Mona Lisa (LaGioconda), essa famosíssima obra de arte feita pelo italiano Leonardo da Vinci. No passado dia 17, dia do último adeus à pequena Valentina, o Templo da IPM de Nlhambakulu tornou-se pequeno. Chegámos pontualmente às 08:00, uma hora antes do início das exéquias fúnebres e sentámo-nos no nono banco do meio a mais ou menos de dez metros do local onde jazeria o corpo inerte da pequena Valentina. Do nosso lado esquerdo, sentou-se uma senhora trajada rigorosamente de luto: vestido, meias de vido e sapatos tudo de preto. Pareceu-nos uma das tantas pessoas movidas de solidariedade pela família enlutada. Enganámo-nos. Do princípio da cerimónia até ao fim, aquela medonha senhora não prestou nem um segundo sequer à atenção ao que se passava à sua volta. Concentrada no seu “touch” emitia e recebia mensagens não se sabe de quem nem que tipo de conteúdo. Momentos depois, duas outras sinistras senhoras que estavam sentadas no banco atrás do nosso cochichavam. A dado momento ouvimos-lhes a dizer: inje vata pfula caixão!?”, num tom céptico, cínico e suspeitoso de quem duvidava se o caixão seria aberto. Os sussurros aumentaram de tom e encheram a arca do Templo, até que o oficial da cerimónia pegou no microfone e lembrou aos presentes: “Bom dia, meus irmãos. Quero lembrar-vos que além de estarmos na casa de Deus estamos numa cerimónia fúnebre. Quem não consegue cantar connosco, que se mantenha calado, por favor. Obrigado.”Foi quando demo-nos conta que, afinal, lá dentro estávamos divididos. Uma parte ia com toda a sinceridade solidarizar-se com a família Guebuza, mas outra era a ala representativa de Tomás, esse apóstolo que exigia a prova material da ressurreição do Filho do Carpinteiro de Nazaré. Afinal em que mundo vivemos!? Porquê nós, moçambicanos, tornámo-nos perniciosos!? Hoje em dia é difícil contarmos com pessoas autênticas. Nós não éramos assim! Agora, vivemos num mundo de mentiras, falsos sentimentos, atitudes forçadas, hipocrisia. Um mundo montado, um mundo de pura ficção. Um mundo de sorrisos fingidos, um mundo onde se respira um ar contaminado pela crueldade. Tanta maldade e tanta falsidade. Como é que alguém vai a um velório apenas para se certificar da morte de outrem!? William Shakespeareescreveu um dia: os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são”. Ao Presidente Guebuza e à mamã Maria da Luz, eu e a minha família, desde o dia que tomámos conhecimento deste infortúnio, oramos para que Deus lhes dê forças, sabedoria e coragem para seguir em frente. Neste momento de tanta tristeza e consternação, deveis estar lembrados que a vida é o bem mais valioso que temos, e mesmo diante da morte, precisamos de nos mantermos firmes em honra e memória da vossa e nossa pequena yunValentina. Deus ilumine as vossas vidas e conforte os vossos corações. São os nossos humildes mas sinceros pêsames. Até sempre, pequena Valentina! Kandiyane e família.

Kandiyane Wa Matuva Kandiya
nyangatane@gmail.com

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