
Mais de 12 mil grupos comunitários de Poupança e Crédito Rotativo (PCRs) existentes no país estão a movimentar mais de 360 milhões de meticais, conforme refere o Fundo de Apoio à Reabilitação Económica (FARE), entidade do Estado que procura aproximar estas agremiações aos serviços financeiros formais.
Dados em nosso poder indicam que este valor correspondente a um crédito activo estimado em mais de 140 milhões e a um fundo social de 25 milhões de meticais, 99 por cento do qual circula fora do sistema financeiro formal.
Para analisar os caminhos que podem ser seguidos para integrar estes grupos no sistema financeiro convencional, o FARErealiza no próximo mês de Fevereiro de 2017, o IX fórum de operadores de Associações Cooperativas de Crédito, no distrito de Marracuene, província de Maputo, subordinado ao lema “Inclusão da Mulher no sistema Financeiro de Moçambique”.
Neste encontro prevê-se, entre outros, analisar as estratégias para a construção de um sistema de financiamento com processos de desenvolvimento sustentável, especialmente direcionado às mulheres das zonas rurais economicamente vulneráveis, muitas da quais associadas aos grupos de PCRs.
Por outro lado, pretende-se avaliar os constrangimentos que se apresentam para a inclusão financeira de diferentes seguimentos sociais, com vista a aumentar a participação das entidades organizacionais na gestão do sistema de micro créditos e poupanças empreendidas pelos bancos, assim como das actividades de micro-finanças desenvolvidas pelas agências ou cooperativas, associações e organizações governamentais e não-governamentais.
Este Fórum será organizado pelo “Task Force” dos operadores de PCRs em Moçambique, e nela participarão instituições públicas, privadas e da sociedade civil que intervêm no desenvolvimento e promoção de serviços financeiros para as populações de baixa renda, nomeadamente provedores de serviços de grupos de poupança, organizações não-governamentais nacionais e estrangeiras, programas e Projectos de desenvolvimento, Bancos Comerciais, Micro-bancos, entre outras instituições.
domingo apurou que após o evento espera-se que os participantes estejam munidos de conhecimentos sobre o desenvolvimento, promoção e actividades de Instituições Financeiras de Base Comunitária ou PCRs, para além de potenciar aos provedores de serviço capacidade de intervenção inovadora e sustentável para consolidar e expandir grupos de poupanças.
Consta ainda que os provedores de serviços tem estado a actuar junto dos grupos de PCRs na componente de alfabetização financeira e, por via disso, estão a contribuir, ainda de forma dispersa, para a inclusão financeira através de ligação de membros e grupos ao sistema financeiro formal incluindo “mobile banking”, que permite o acesso, o uso de serviços e produtos financeiros através do telemóvel. Para além de se aumentar serviços financeiros formais em qualidade e quantidade.
No entanto, o sector financeiro tem estado a desenvolver plataformas inovadoras do sistema de transacções financeiras através do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC's), "branhless approach",banca móvel e moeda electrónica.
Para dar azo ao lema, o FARE pretende empoderar as mulheres para que participem massivamente na vida económica do país, para se estabelecer uma sociedade estável. No caso das actividades geradoras de rendimento nas zonas rurais, destaca-se que 80 por cento da participação nos grupos de Poupança e Crédito Rotativo é feita por associações de mulheres.
O nosso jornal ficou a saber que as mulheres têm tido dificuldades no uso de serviços financeiros formais, acesso ao crédito, falta de informação sobre a educação financeira, entre outros factores que tem contribuído negativamente no desenvolvimento económico.
Entretanto, um dos desafios que os provedores de serviços dos grupos de PCR enfrentam está ligados à criação de metodologias para sanar a deficiência na gestão e acesso à informação sobre a situação actual dos referidos agrupamentos. Para tal, será preciso actualizar e mapear o desempenho dos grupos, muni-los em literacia financeira para promover cada vez mais a inclusão financeira e uso consciente dos valores gerados nos grupos.
“Há necessidade de se identificar e promover pacotes de oportunidades de negócio ao nível dos membros e ajusta-los ao plano estratégico de desenvolvimento distrital e a introdução de elementos inovadores na promoção e gestão dos grupos”, refere Augusto Isabel, director geral do FARE.
Num outro desenvolvimento, domingo soube que os grupos de poupança continuam a enfrentar problemas de segurança do dinheiro poupado, excesso de liquidez derivado de membros que não pretendem obter crédito, ausência de instrumentos e facilidades para legalização e formalização.
Também apuramos que o movimento dos PCRs iniciou nos finais dos anos 80 por iniciativa da CARE, uma organização internacional que capacitou organizações nacionais para continuar a massificar a iniciativa. A metodologia sofreu modificações e actualmente muitas organizações implementam este programa em todas as províncias.
Segundo apuramos, a partir deste pequenos grupos é possível criar de Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME´s). Para além disso, estes melhoram a habitação dos seus membros, apoiam na educação de jovens e crianças, e garantem segurança alimentar.
De referir que o FARE é um fundo público do Governo de Moçambique, criado com o mandato de concentrar e reproduzir recursos provenientes do Estado, entre outros, com a finalidade de apoiar o desenvolvimento económico do país, em particular nas zonas rurais, assegurando o incentivo à bancarização rural e por via desta, financiar actividades produtivas e empresariais.
Por outro lado, o FARE financia instituições e serve como intermediário financeiro na expansão de operações e na oferta de serviços assente na inovação de programas relacionados com o empreendedorismo nas zonas rurais.
Para tal, criou-se o Projecto de Empoderamento da Mulher e Desenvolvimento de Habilidades Femininas Fase-II, que está sob gestão e coordenação do Ministério do Género, Criança e Acção Social (MGCAS), financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo Governo de Moçambique, que visa consolidar as intervenções de dois projectos recém- terminados, nomeadamente (WESDP I e RUFISP – Rural Finance Intermediary Support Programme).
No rol de actividades realizadas durante a primeira fase, o Projecto de Desenvolvimento de Habilidades Femininas teve a duração de quatro anos (2008-2013) e foi implementado em oito distritos das províncias de Manica e Sofala, nomeadamente Sussundenga, Gondola, Báruè e Guro (em Manica), Gorongosa, Dondo, Caia e Nhamatanda (em Sofala) respectivamente.
A segunda fase, terá a duração de três anos (2015 á 2017) em que o FARE terá a responsabilidade de implementar a componente que tem a ver com Acesso aos Serviços Financeiros “Mainstreaming Women's Access to Finance” no que concerne a consolidação dos grupos de PCRs. Dados Recentes indicam que o Projecto foi estendido para ser implementado até Dezembro de 2018.



