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Egipto para onde vais?

Por admin
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Um Egipto economicamente falido, há muito deixou de ser um polo firme com poder de decisão no Médio Oriente. Depois das manifestações de protesto que levaram à queda de Hosni Mubarak, com os militares a serem acusados de matanças a centenas de civis, a reputação do Egipto continua em declínio e a confiança internacional no regime nunca foi restabelecida.

Para país muçulmano, mais de 90 por cento da população, com uma elite culta e educada e outra secular, as ideias fundamentalistas islamitas nunca foram de todo permeáveis, e sempre que se manifestaram foram politicamente silenciadas por militares

A eleição de Mohamed  Morsi, líder da Irmandade Muçulmana, organização que havia sido ostracizada pelo regime,  parecia que iria colocar a situação nos devidos eixos, na esperança  que o país após eleições democráticas regressasse à estabilidade desejável; infelizmente a situação de incerteza económica foi despoletando uma reacção de descontentamento aproveitada por militares para impor a sua agenda política.

Ninguém parece ter pena do destino dado até ao momento a Mohamed Morsi, senão os seus correligionários. Morsi, a despeito das suas convicções fundamentalistas islâmicas, é um homem sério e até acreditava que poderia levar o Egipto a bom porto. Mas os militares,  habituados ao poder  nos tempos de Mubarak, foram alegando que Morsi se preparava para islamizar a Constituição e depuseram o seu governo. Em seu lugar os militares constituíram um governo transitório que, pelas indicações dadas, até ao momento é anti-islâmico, preparando-se inclusive para libertar o antigo presidente Hosni Mubarak da prisão, onde como é sabido se encontra a cumprir a pena por corrupção.

Morsi, desde então, se encontra detido na prisão, situação essa que veio activar os ânimos dos islamitas. Os seguidores de Morsi estão indignados com a deposição do presidente. Se Morsi pretendia islamizar a Constituição fica por se saber, o que se sabe é que desde que foi detido o Egipto tem sido um vulcão incandescente. Para um país que vive de turismo, as manifestações de protesto e mais matanças da população levadas a cabo por militares, foram afastando o turismo. Na semana em quem que em quatro dias foram mortas mais de 900 pessoas, incluindo 100 polícias, o quadro político económico e social adensou ainda mais e a tensão está instalada. No Cairo vive-se a confrontação diária entre forças de segurança e apoiantes de Morsi, tendo 24 polícias egípcios sido mortos numa emboscada perto do Sinai por islamitas. O país vive na incerteza com os militares a prender e, segundo se diz, a executar os expoentes líderes e seguidores de Mohamed Morsi. De facto milhares de seguidores de Morsi encontram-se detidos enquanto os outros continuam a manifestar-se contra a arbitraridade imposta e contra o derrube de um governo eleito legitimamente. Na media e na rua fala-se na ilegalização da Irmandade Muçulmana, mas será essa a via que mais interessa ao Egipto actual?

Não viveu a Irmandade Muçulmana na ilegalidade mais de uma década no tempo de Hosni Mubarak?

A confiança da União Europeia e dos Estados Unidos nos militares desvaneceu e Washington pede contenção. Para Washington o Egipto já não é considerado um parceiro de confiança. A União Europeia, por seu lado, ameaça cortar todo apoio financeiro e económico ao Egipto, e, enquanto isso, a Arábia Saudita se transforma no parceiro mais sólido dos Estados Unidos e do ocidente em geral na região.

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