Desde há algumas décadas que a cidade de Maputo enfrenta um problema grave. Trata-se da recolha do lixo. A situação tem conhecido altos e baixos. Por vezes melhora, depois volta a ser pior demais.
Ao que parece, se a memória não nos trai, melhoria significativa foi registada com a introdução dos sacos de plástico na zona urbana. Mas terá sido uma medida aplicada durante curto espaço de tempo. E que quando parecia começar a dar resultados positivos, foi abandonada. De novo se voltou à “estaca zero”. Ao lixo acumulado. Montes de lixo aqui, montes de lixo acolá. A uma quase sempre excedente quantidade de lixo em relação ao número de contentores disponíveis. Uma nova tentativa para resolver o problema está em curso. Foi contratada uma nova empresa de recolha. Adquiridos mais meios circulantes e mais contentores. Que por serem de plástico parecem destinados a terem um tempo de vida útil bastante reduzido. Por deficiente manuseamento e por, em vários locais, ter-se instalado o mau hábito de lançar fogo ao lixo. De qualquer forma, façamos votos para que, desta vez, tenha sido encontrada uma solução duradoura. Definitiva.
Quando muitos de nós poderia pensar que o recurso ao voluntarismo fazia parte da história, da nossa história recente, ele parece estar de volta. Trazido pela “mão” do Conselho Municipal. Sobre a matéria, o jornal “Notícias”, edição da passada quarta-feira (página 3), titula: Uma nova acção para melhorar imagem da cidade. E, a seguir escreve que Residentes do Distrito Municipal Ka Mpfumo da zona baixa da cidade de Maputo e catadores (sic) de lixo estão desde segunda-feira envolvidos num trabalho de limpeza nas vias consideradas críticas da capital, numa iniciativa do Conselho Municipal de Maputo que pretende envolver novos actores na gestão dos resíduos sólidos. Segundo a local, A ideia enquadra-se nos esforços visando reduzir a proliferação e acumulação de resíduos sólidos e criar um ambiente mais saudável no espaço da autarquia. O projecto é financiado pelo município em parceria com a Agência Japonesa para Cooperação Internacional (JICA). Se me é permitida uma opinião, trata-se dinheiro mal gasto. Pela simples razão de que estamos perante um paliativo. Que parece resolver mas que nada resolve. Já numa segunda peça sobre o mesmo tema, publicada na mesma página, sob o título Travar ácido úrico e queimadas de lixo, pode ler-se que Uma das batalhas que o município de Maputo e as associações que trabalham em prol do meio ambiente devem travar tem a ver com a proliferação do ácido úrico nos contentores de lixo e a queima do lixo. Segundo um técnico do Conselho Municipal, este fenómeno poderá resultar na destruição dos actuais recipientes que estão a ser colocados na via pública, uma vez que são plásticos. Quer isto dizer, pelo que se pode deduzir, que, mais uma vez, o problema da recolha do lixo não foi resolvido. No mínimo, terá sido adiado. Ou seja, poderá ter sido resolvido o problema dos recipientes. Mas foi criado o da possibilidade da sua rápida destruição. O que, salvo melhor opinião, não se resolve com multas nem penalizações. Dizer, a terminar, que recolher o lixo em todo o território municipal é uma responsabilidade do respectivo Conselho. E que é para isso que todos nós pagamos a chamada taxa do lixo. As responsabilidades não se endossam. As responsabilidades não se alienam.



