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DE QUANDO O FASCÍNIO PELAS “VERDES” VIRA DOENÇA

Por admin
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“Mas os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas (…) na perdição e ruína” 1Tm 6:9

Foi com um misto de amargor e de jucundidade que tive um reencontro com Guilherme Benedito Mahonyole, meu amigo de infância, com o qual me separara havia mais de meio século. “Arrastado” pelos missionários para a vida eclesiástica no final da década sessenta do século passado, e ele, descobrindo-se sem vocação, e já com uma bagagem que lho permitisse viver folgado, decidiu assentar arraiais nas Europas, onde, um pouco por todo lado foi deixando rebentos, sem nenhum compromisso “prisional” com as respectivas “incubadoras”, pois ganhara o mau hábito, diga-se de passagem, que muitos da sua classe têm, de comer o “fruto proibido”, limpando depois a boca com o pulso, aparentemente sem deixar rasto. Faço-me entender? Estou a dizer que muitos sacerdotes faziam (fazem) filhos sem tomar conta deles alegadamente devido à sua condição de “escravos” fiéis ao Filho do Carpinteiro de Nazaré. (Entenda-se Presbíteros Católicos Apostólicos Romanos). Mas, hoje não é disso que quero falar. Quero-me referir, isso sim, à excêntrica existência do meu antigo condiscípuloGuilherme Benedito Mahonyole. Hoje vivendo numa mata a cerca de trinta quilómetros, desde há uns três anos no interior da vila-sede do nosso distrito, encontrámo-nos imprevistamente na semana passada na vila, quando para lá me desloquei para o lançamento do meu livro. Ele saira da mata em busca de alguns mantimentos não aráveis no seu reduto, nomeadamente: açúcar, óleo e arroz, recolhendo-se depois para a mata, onde vive rodeado de galinhas (não frangos), coelhos, codornizes, algumas gazelas, numa casota de paredes de zinco e cobertura também de zinco em voga lá na terra, bebendo da água dum posso cavado com uma enxada de cabo curto, num espaço de cinco hectares. Sem mulher e tendo como única companheira a “Shi Tzu”, uma raça de cães de estimação comum modo de andar distintamente arrogante, com a cabeça bem erguida e a cauda curvada sobre as costas.É com ela que compartilha o leito feito de um colchão em cima de quatro estacas (“txikolokolo”). O meu ex-condiscípulo das missões, depois de adquirir vários ramos do saber e ensinar em várias universidades do mundo, decidiu dedicar o seu maior amor às notas verdes, sem no entanto tirar proveito visível das mesmas. Todos nós, ou pelo menos muitos letrados sabem as dificuldades que o Homem tinha antes da invenção do dinheiro. As trocas eram directas: trocava-se um produto por outro, embora com muitas dificuldades levantadas pelas diferenças entre eles. A sua invenção (dinheiro) veio facilitar as trocas – todos estavam dispostos a trocar o que tinham por esse “dinheiro”, pois sabiam que com ele poderiam depois comprar, isto é, usá-lo como meio de pagamento, aceite pela comunidade. Só que, hoje em dia, odinheiro pode ser encarado de modo diferente de pessoa para pessoa e, mesmo assim, uma coisa é certa: odinheiro é a energia vital que movimenta a vida na dimensão física ou terrena. Com dinheiro temos uma vida boa, sem ele, temos privações. Não somente porque pode suprir as necessidades da vida, mas também porque pode simbolizar sucesso, poder, posição social e segurança emocional. Só que recentes pesquisas à volta dele (dinheiro) concluíram que o amor excessivo por ele pode ser a raiz de todo o mal. Comodisse há dois anos o Papa Francisco numa das suas frequentes homilias:“Quando o dinheiro se torna um ídolo, ele comanda as escolhas do Homem. E assim ele arruína o homem e o condena. Faz dele um escravo", disse o papa. Um dos exemplos mais flagrantes da nocividade do amor pelo dinheiro édo filho do carpinteiro de Nazaré, que foi traído por um dos seus melhores amigos (senão o melhor), que O entregou aos soldados romanos em troca de algumas moedas de prata.Quanto valeriam hoje essas trinta moedas de prata ao câmbio corrente!? É quase impossível estabelecer um valor definitivo – o máximo que se pode fazer é comparar, naquele tempo e nos dias de hoje, o poder de compra do “taku“ que Judas facturou. O meu ex-condiscípulo disse-me estar ligado a um projecto de uma ONG internacional de criação de várias espécies de animais e plantas que lhe rendem a invejável soma de vinte e cinco mil dólares por mês. É isso que o fez largar o conforto das grandes cidades europeias aos setenta e cinco anos para tornar-se num ermitão, arriscando a saúde para receber a “módica” quantia de vinte e cinco mil dólares americanos por mês! Sem televisão, sem jornais, sem rádio, sem companhia duma mulher, amealhando apenas os verdes na sua conta nos bancos europeus. Aos setenta e cinco anos não é isto sinal de doença mental pelos “verdes” americanos!? Eu nunca faria isso.

Kandiyane Wa Matuva Kandiya

nyangatane@gmail.com

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