
Os rios Limpopo e Save estão desde a passada quinta-feira a transbordar, causando inundações nas províncias de Gaza, Inhambane e Sofala. Campos agrícolas ficaram inundados nos distritos de Guija, Chókwè, Govuro e Machanga.
Dados fornecidos pela Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos indicam que inundações nos diferentes pontos do país, com maior destaque para as regiões sul e centro, são resultado da chuva que está a cair internamente, assim nos países vizinhos, nomeadamente Africa do Sul e Zimbabwe.
O fenómeno propicia o enchimento fora do normal de algumas bacias. Em consequência, a estrada que liga o distrito de Guija e Chibuto estava até ontem interrompida e o Posto Administrativo de Mubangoene, em Guija, estava isolado.
As inundações estão a constranger as autoridades e comunidades locais, pois ocorrem numa altura em que os camponeses estavam a lançar sementes a terra, depois da primeira época ter sido arrasada.
Em Chókwè zonas agrícolas foram tomadas pela corrente de água e em Sofala, a onda da água tomou a vila-sede de Machanga, totalmente isolada.
Equipas posicionadas nos distritos afectados estão desdobrar esforços nas comunidades, sensibilizando-as para fixarem-se em zonas seguras. Em alguns pontos estão posicionados barcos para garantir a travessia de pessoas e bens, caso haver necessidade de emergência.
No distrito de Chókwè, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, colocou em Nganhane, na passada sexta-feira, três barcos, cuja capacidade é de transportar 12 pessoas.
CERCA DE 423 HECTARES
INUNDADOS EM MASSANGENA
Gracinda Macamo, administradora do distrito de Massangena, província de Gaza, disse que a chuva que caiu na passada segunda-feira inundou cerca de 423 hectares de milho e hortícolas.
Acrescentou que nenhuma infra-estrutura habitacional ou de serviço público ficou afectada, porque o fenómeno assolou somente na zona onde se desenvolve somente a actividade agrícola.
Segundo a administradora a situação tende a normalizar-se, uma vez que o nível do rio Save tem vindo a baixar desde o passado dia 2 de Março corrente.
Ainda em conversa telefónica com Gracinda Macamo, ficamos a saber que a subida do nível do rio Save que verificou em Janeiro já tinha inundado 296 hectares de campos agrícolas.
Mesmo assim refere que a situação não afectou negativamente a produção agrícola na presente campanha, visto que a esperança reside na segunda que época, já está em curso.
No distrito de Buzi, em Sofala chegam informações segundo as quais não ‘e possível a circulação, por batelão, entre Guara Guara e Banduapor causa da descarga das águas a partir do Zimbabwe.
A administradora do distrito, Maria Bernardete disse que a situação tende a normalizar-se.
Em Govuro, província de Inhambane, a administradora Maria do Céu disse que está a trabalhar nas comunidades desde quarta-feira, com vista a mobiliza-las para se transferirem para as zonas seguras, face a subida do nível do rio Save.
As autoridades locais identificaram a zona km 18, que dista 38 quilómetros a sede do distrito, como ideal para a fixação das residências. Para o efeito, foram demarcados mais de 1000 talhões.
MACHANGA ISOLADO
A vila sede do distrito de Machanga, província de Sofala, está desde a última sexta-feira isolada com o resto do distrito, assim como da província. Em consequência 5104 famílias foram afectadas.
Em conversa telefónica com o administrador do distrito de Machanga, Tomé José, ficamos a saber que 5912 alunos de 13 escolas ficaram sem aulas na última sexta-feira.
Não houve perdas de vidas humanas porque tivemos a informação atempadamente que o rio estava a subir. Sensibilizamos as famílias para procurarem se fixarem em zonas seguras, e graças a Deus acataram a informação, e conseguiram retirar os seus bens antes da onda da água abater a zona, disse.
O distrito de Machanga está sem a corrente eléctrica desde a última sexta-feira, porque o poste que transporta a corrente a partir de Inhambane foi derrubado pela força das águas.
BEIRA ARRASADA
Bairros periféricos da cidade da Beira estão de rastos devido as enxurradas provocadas pela precipitação que caiu em apenas três dias. Os estragos causados por este fenómeno natural atingiram vidas humanas. Duas crianças morreram por afogamento e centenas de famílias deslocadas.
As zonas de Ndunda e Mungassa são as mais afectadas tendo por isso causado milhares de deslocados que encontraram albergues em escolas e outras áreas consideradas seguras, concretamente nos bairros de cimento daquela urbe.
O sistema de drenagem do rio Chiveve, que foi recentemente inaugurado pelo primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário, não foi accionado a tempo para evacuar as águas pluviais porque se temia que a maré alta invadisse o continente, pois a cidade da Beira está abaixo do nível das águas do mar.
O drama humano que se vive na periferia da cidade da Beira obrigou as estruturas administrativas accionasse o Centro Operativo de Emergência (COE), estando os seus membros neste momento a trabalharem no processo de salvamento e garantias da integridade física do cidadão.
Tanto as estruturas administrativas, como as autárquicas, estão, em diferentes frentes, a criar mecanismos para minimizar o sofrimento dos cidadãos.
O administrador da Beira, João Oliveira, anunciou quinta-feira última a provisão de víveres para 74 famílias em Ndunda e Mungassa, com ração para sete dias, constituída por 950 quilogramas de arroz e 100 de feijão.
Por seu turno, o edil da Beira, Daviz Simango, também percorreu os bairros e a sua instituição accionou igualmente o apoio com alimentos e vestuário aos moradores de bairros afectados.
O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) está por outro lado com diferentes activistas, com destaque da área de saúde a solicitarem as famílias para que não permaneçam em áreas de perigo.
O director do INGC na Beira, Bento João, disse ao Jornal domingo que a sua instituição está ainda a efectuar o levantamento das pessoas assoladas pelas enxurradas. Tal exercício está ocorrer no meio de muitas dificuldades por causa da intransitabilidade das vias.
Por exemplo, o posto administrativo de Nhangau está isolado da cidade da Beira porque as águas separaram terras firme destes dois pontos.
Os técnicos do INGC que se esperam reforçado por INGC central estão a percorrer quilómetros a pé no meio das crateras para ver se resgatam mais pessoas.
Entretanto, a governadora de Sofala, Maria Helena Taipo, visitou sexta-feira última as zonas afectadas pelas enxurradas. Durante o seu demorado trabalho confortou as vítimas e orientou o seu executivo a redobrar suas actividades por forma a salvar mais vidas.
Recorde-se que no ano passado, Taipo havia ordenado o inquérito para apurar as circunstâncias das mortes de 11 crianças que ocorreu na época chuvosa. Na ocasião a chefe da província de Sofala aludia uma certa negligência por parte das autoridades municipais, que segundo ela, não exerciam com zelo as suas obrigações de defender o cidadão.
em Inhambane depois do “Dineo”
Texto de Aminosse Moisés
Depois de cerca de duas semanas de paralisação devido à destruição de salas e outras infraestruturas na sequência do ciclone Dineo, estão a retomar as aulas em quase todas as escolas afectadas por este fenómeno na província de Inhambane.
Dados fornecidos pelo Departamento de Planificação na Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano indicam a destruição de mais de duas mil e duzentas salas de aula das 526 afectadas nos distritos de Massinga, Funhalouro, Morrumbene, Homoine, Jangamo e cidades de Inhambane e Maxixe.
Localmente, foram encontradas alternativas para garantir o reinício das aulas sobretudo nas classes com exame, enquanto decorre o processo de planificação para se garantir a reabilitação definitiva das infraestruturas escolares destruídas pelo ciclone do passado dia 15 de Fevereiro.
António Rafael Mendes, chefe de Planificação na Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano em Inhambane, sublinhou que tudo está sendo feito no sentido de, os alunos não ficarem prejudicados.
Texto de Abibo Selemane



