Estamos a um passo do fim. Chegados aqui, parece que a crise de que estamos a falar não deve alarmar os moçambicanos a modos que mereça ser cantada no dia-a-dia de cidadãos, sobretudo na capital do país, onde agora resido.
Primeiro porque não se aproxima àquela que atingiu todo o mundo por volta dos anos 2007/8 (para não recuar mais), que, mesmo assim, não justificava os problemas que enfrentávamos nas nossas casas/empregos, razão por que em alguns lares não havia sal, caril, escola para a criança, etc.
Não há, nem havia, razão para debitar a maior parte dos nossos problemas à crise, longe de ser o motivo da nossa improdutividade, da nossa falta de critério na gestão das nossas casas e, consequentemente, do nosso bem público. A nossa incapacidade ou incompetência não moram e nunca moraram numa hipotética crise, seja ela actual ou histórica.
Segundo, porque aceitar que as condições em que vivemos (hoje e no tempo a que nos referimos atras) pressupõem uma crise, então a maior parte do nosso país sempre viveu em crise, por múltiplas razoes, entre as quais podemos adiantar algumas:
É dizer que se é crise o facto de as pessoas serem transportadas em viaturas a que em Maputo se chama “My Love”, doía a quem e como doer, em largas regiões do nosso país, nunca foram transportadas doutra maneira. E desde Julho de 1978 que, por exemplo, a Méti, posto administrativo do rico distrito de Lalaua, da riquíssima província de Nampula, não se vai de um meio de transporte colectivo coberto ou fechado.
Pedro Nacuo



