
Texto de Rodrigues Luís
– Jorge Mamad
Consideram-no embondeiro da música ligeira moçambicana. Jorge Mamad ou simplesmente Mamad, compositor e intérprete baseado na cidade da Beira, disse em entrevista ao domingo que apesar de ostentar mais de 40 anos na carreira musical não se sente realizado no que diz respeito à gravação dos seus discos porque não encontra financiamento.
Com 55 anos de idade, Mamad toca viola baixo e iniciou-se na música com apenas 12 anos. Durante a sua carreira gravou a solo três discos designadamente: “Malária ngapere” que traduzido em Cindau para Português significa “que se erradique a malária; “Com amor e carinho” e Madjolidjo.
Mamad deseja publicar mais obras discográficas. Entretanto, enfrenta a barreira financeira – uma batalha que tem travado há vários anos.
“Tenho muito para oferecer aos moçambicanos. Muito potencial mas faltam meios financeiros para concretizar a exposição da minha criação artística ao público”, disse o autor de “Ndalota ndjandje ya Sena”, que traduzido de língua Cisena quer dizer “Sonhei a linha férrea de Sena”.
O entrevistado diz que tem se encontrado com várias pessoas que lhe exigem novidades musicais, e a resposta tem sido a mesma – problemas financeiros.
“Lancei o meu último disco em 2007. E é com muita tristeza que vejo o tempo passar sem ter que realizar o sonho de mais um disco. Já fiz de tudo. Já bati portas do empresariado local e de outras províncias, assim como as empresas. Mas a resposta tem sido negativa. Contudo, não paro de bater as portas até que um dia se abram”, acredita Mamad.
Questionado se com os seus rendimentos não se podia auto-financiar, o afirmou que o músico naquela parcela do país não tem muitas alternativas para ganhar dinheiro.
“É difícil dar uma resposta porque neste momento sem ajuda é difícil avançar. A produção de um disco de qualidade requer fundos que ao meu nível não consigo sustentar. Nas condições em que trabalho é difícil gravar um disco”, disse Mamad acrescentando que precisaria de 400 ou 500 mil Meticais para levar aos moçambicanos uma obra-prima.
Jorge Mamad afirmou que muitos poderão dizer que os valores mencionados são altos, mas justifica que a obra que está a projectar não é qualquer. Poderá ser acompanhado por bandas de cujos compositores vivem noutras províncias, por exemplo Maputo, além de que é preciso pagar os estúdios.
“Para um produto final de qualidade é preciso que se invista. É por isso mesmo que digo que a produção chega a custar aproximadamente 500 mil Meticais”.



