Já lá se vão anos desde que assumi que entendia muita coisa a partir de vários ambientes de socialização por que passei ao longo das quatro décadas da minha existência. Uma das coisas que estive convencido de saber, e que ousava explicar sobre ela a outros concidadãos, na minha óptica, menos esclarecidos, era esta coisa que agora não entendo mais, chamada ACADÉMICOS.
Ao longo destes anos de vida os meus pais esforçaram-se por me dar, entre outras coisas, a escola.
À medida que evoluia nesta “carreira” fu i estabelecendo referências daquilo que deveria ambicionar. Embora essas referências sejam e tenham rigorosamente que ser ideias abstractas, sempre busquei exemplos concretos, em homens vivos, de carne e osso, como eu, sem me importar pelas suas cores políticas, suas origens étnicas ou de outra natureza, nem mesmo a cor da pele.
Como ambicionei, algum dia ser académico, escolhi, neste percurso, algumas figuras que me pareciam dignas disso, por aquilo e como falavam, escreviam e faziam e tomei-as como referências. Dentre tais figuras, eu tinha um canto reservado para o Dr. Carlos Nuno Castel-Branco.
Reunia, na minha leitura sobre estas figuras, a ideia de pessoas íntegras, coerentes, dotadas de conhecimentos e experiências científicas, moldadas por valores e cultura de Estado, respeitadoras da dignidade e dos símbolos de uma nação, imbuidas de bom senso, frequentemente informadas sobre o que se passa não só na sua aldeia mas também no resto do mundo e, mesmo defendendo ideias contrárias às dos outros, o fazem com respeito pela diferença.
Se calhar alguma paixão move o meu raciocínio nestas linhas que procuro colocar aqui. Mas depois de ler a carta dirigida ao Presidente da República, por aquele que eu inclua na célebre lista de académicos moçambicanos, perguntei-me n vezes o que estará errado? Será que é a lista que eu fiz? Ou será o conceito de académico que desenvolvi?!
Não venho aqui em defesa do cidadão Armando Emílio Guebuza, nem do senhor Presidente da República de Moçambique, que coincide serem a mesma pessoa. Até porque como cidadão moçambicano e patriota deveria defender o Presidente da República, enquanto símbolo da unidade dos moçambicanos. Acho até bom que haja visões críticas em relação à Governação pois elas alimentam a dinâmica democrática. Aliás, só não concordando com o que foi escrito naquela carta ajudo a manter em vida um certo debate. No entanto, julgo que ao questionarmos alguém devemos manter o respeito pela sua dignidade humana e, acima de tudo, quando se trata do mais Alto Magestradio da Nação.
Diga-se que já vi, ouvi e lí muitas ofensas e, passe o termo, asneiras, ditas sobre o Chefe do Estado, que muitas vezes não reage como que a dizer “perdoe-os Pai, não sabem o que fazem”. Mais ainda, há instituições responsáveis por fazer cumprir a lei, que estou seguro que prevê medidas específicas para esses casos. Eu também nunca antes reagi por acreditar que , como uma vez disse Anibal Cavaco Silva em resposta a uma pergunta de jornalistas sobre apoio de Portugal à guerra de Savimbi: “há algumas asneiras que não merecem comentário”, mas tenho mil e uma razões para pensar que a carta do Dr Castel-Branco não podia, de modo algum, ser uma asneira, não pelo conteúdo, mas pela dignidade do destinatário e porquê não, do remetente também. É possível que me engane mas preferi manter a “presunção de inocência”até ver o conteúdo que me deixou tão perplexo e incapaz de qualifica-la.
Até aqui lí, com alguma atenção, as reacções dos cidadãos Gustavo Mavie e Gabriel Muthisse, em relação à aludida carta, que mais sabe a um manifesto de uma imatura oposição política, do tipo não importa a coerência dos argumentos desde que consiga mobilizar todos os incautos contra uma certa posição. Ou ainda, tudo vale para tirarmos este do poder, mesmo não tendo a mais pequena noção do rumo a tomar. Pode ser que eu esteja enganado, haja um rumo muito bem traçado, não sei por quem, e o que me aparece em missivas desta natureza sejam munições dos soldados de uma grande batalha sem trincheiras, ou com trincheiras bem ocultas.
Seja como for, tanto quero estar errado para não ter que dizer Adeus às minhas referências sobre académicos.



