Ya, há gente má, apesar de ser lógico, desde que haja gente boa! Há esse tipo de gente, em tudo, mesmo do ponto de vista profissional. Percebi essa obviedade, infelizmente, mais uma vez, nas últimas duas semanas, por causa de três acontecimentos que se nos ligam, para não dizer, favorecem, o nosso país.
A primeira é a notícia de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não vai exigir mais medidas correctivas a Moçambique. A informação consta de um comunicado daquela instituição financeira planetária que também saúda as medidas em curso para introdução de reformas no sentido de melhorar a gestão da dívida e reforço de requisitos para a emissão de garantias para empréstimos, bem como o melhoramento da transparência na contratação de tais empréstimos públicos.
Refiro-me ao facto de o FMI ter dito que as autoridades moçambicanas acataram a sua exortação relativa à implementação de medidas já acordadas de forma abrangente e em tempo útil, desde Abril de 2016 e que por isso decidiu que não exigirá nenhuma outra acção correctiva a Moçambique e reiterou o compromisso de prosseguir com o apoio na retoma ao crescimento do país.
Alguma imprensa moçambicana, coincidentemente aquela mais barulhenta, absteve-se literalmente de alimentar os seus leitores do que foi dito. Não fez nenhum esforço para desmentir de que faz mais barulho o tambor vazio do que cheio. Não achou nisso nada de especial, porque fala bem do seu país. Ficou zangada, tal como o fizeram os assíduos analistas da economia de Moçambique, que têm sido fontes “insuspeitas” que vendem a nossa má imagem à estranja.
Não estamos a pedir que aplaudam o Governo do seu país e a flexibilidade do seu Presidente da República por aquilo que fez depois que as águas turvas atravessaram a todos nós, nem estamos a sugerir que venham com uma linha a dizer que valeu a pena ter-se encarado o problema de frente, cabeça fria e erguida em defesa de todos nós.
Estamos a dizer que não houve simplesmente as manchetes que só aparecem quando o país se arrasta impotente, quando é maldito por instituições estrangeiras e quando o povo “leva porrada”, ainda que a partir de alguns moçambicanos que teimam em que os consideremos patriotas. Por melhores motivos, nenhuma manchete saiu. Nenhuma voz especializada e “avisada” saiu a aplaudir o bem comum. Ficaram aqueles jornalistas não-activos e a nossa sociedade civil ficou, curiosamente, zangada.
Dá nojo o patriotismo desta estirpe! O mesmo aconteceu quando a notícia do começo da exploração efectiva do gás do Rovuma veio ao de cima, semana antes desta em análise. A mudez ficou apalpável em alguns sectores da nossa massa crítica. Parece que é proibido dizer viva! Aplaudir….
Do mesmo modo que não gostaram que Armando Guebuza tivesse ido, calmamente, à audição parlamentar para esclarecer o ópio que se apossou da maioria dos moçambicanos, intoxicados pela mesma imprensa e sociedade civil inerte quando o país funciona normalmente.
Guebuza condenado pela opinião pública em função do caminho traçado pela imprensa e críticos livres e independentes, que nem esperam, provavelmente, ouvir que não houve nada, senão uma questão de procedimentos…
Assim se vai construindo o nosso país, numa espécie de pátria, quiçá, sem patriotas.
Pedro Nacuo
nacuo49nacuo@gmail.com



