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Utentes satisfeitos com a reabertura da via

Por admin
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Os utentes da estrada que liga Boane com os distritos de Namaacha, Matutuine, Goba, e países vizinhos, como África do Sul e Suazilândia, através do “drift” de Boane sobre o rio Umbeluzi, declararam que estão satisfeitos com a reabertura da via, depois de quase dois anos de grandes sacrifícios.

O “drift” de Boane, inaugurado na última segunda-feira, cujas obras iniciaram em Março do ano corrente, tinha sido destruído pelas águas da chuva que fustigou o país nos princípios do ano de 2012.

A infra-estrutura foi edificada para garantir a circulação de pessoas e bens para diferentes pontos da província de Maputo e países vizinhos, enquanto se espera pela ponte definitiva, que está contemplada no grande projecto da Ponte da Catembe.

Grande calvário

Até a um passado recente, várias famílias encontravam-se desesperadas, visto que para chegarem aos seus destinos precisavam fazer grandes “gincanas”. Os automobilistas, esses, optavam por seguir por via Mafuiane ou arriscar-se, colocando as suas viaturas nas águas de Umbeluzi que escorrem pela ponte abaixo, enfrentando todos os perigos. Vezes havia em que a situação se complicava, sobretudo quando durante a travessia, um carro avariava no meio das águas.

Como contaram alguns utentes da via, para se chegar, por exemplo, aos Pequenos Libombos, Goba, Matutuine gastava-se entre quarenta e sessenta minutos, usando vias alternativas. Agora, a situação mudou positivamente. Desde a semana passada, só gastam metade desse tempo.

Sobre os custos, os comerciantes que exercem a sua actividade, por exemplo, nos bairros de Massaca I e II, pagavam entre 10 e 30 meticais para fazer atravessar apenas um volume da sua mercadoria, através do rio. Actualmente, segundo afirmaram, as despesas não passam dos 15 meticais. Até porque apanham um único carro até ao seu destino.

Refira-se que as obras de reabilitação do “drift” de Boane, infra-estrutura com 220 metros de comprimento e sete de largura, custaram aos cofres do Estado cerca de 40 milhões de meticais. A mesma foi concebida para a circulação de viaturas com a capacidade máxima até 35 toneladas. Contrariamente à estrutura anterior, a actual conta com 26 bocas de betão contra 20 de chapa para o escoamento das águas.

QUEREMOS LOMBAS OU PASSADEIRAS

Mesmo satisfeitos com a nova infra-estruturas que permite a circulação tranquila dos carros, os utentes reclamam o facto de o “drift” não ter espaço para a circulação de peões.

Os automobilistas antevêem que esta situação poderá semear luto nas famílias, e principalmente, porque, segundo relatos, alguns condutores passam por ali a grande velocidade e sem nenhum cuidado face à realidade daquele local.   

Um dos condutores que falou para domingo é Abílio Muiambo, que reforçou esta preocupação, não obstante ter louvado a acção que veio para facilitar a vida das pessoas. “Acho anormal os peões compartilharem a mesma rua com os carros. A ponte é muito estreita, então, as pessoas correm risco de serem atropeladas”. Para o nosso entrevistado, a colocação de lombas não é solução. “Deviam colocarpassadeiras, poisse continuar assim muita gente vai morrer”, alertou.  

Já Augusto Tabula, condutor dos semi-colectivos de passageiros, no troço Boane-Massaca, defende a colocação, urgente, de lombas naquele “drift”, para diminuir o risco de os peões serem atropelados. “As lombas podem ajudar a abrandar a velocidade, talvez para pelo menos 10 quilómetros hora. A ponte é bem-vinda, mas é preciso resolver esse problema”, considerou Tabula.

Por sua vez, Félix Vasco, professor da Escola Primária 25 de Junho, em Boane, revelou que a entrada em funcionamento da ponte sobre o rio Umbeluzi, em Boane, vai criar uma outra dinâmica na vida da população daquele distrito, que, por causa da distância, era obrigada a comprar produtos alimentares e de limpeza a preços muito altos, uma vez que os vendedores vendiam para compensar os gastos da viagem.

“E por causa das condições da ponte, alguns produtos escasseavam nos mercados dos bairros e os poucos que existiam eram a preços altos”, contou.

O professor lembrou que, por exemplo, para transportar o material escolar para as escolas usava-se a via da barragem dos Pequenos Libombos ou tinha que se carregar de cabeça.

“A situação interferia até nas aulas, particularmente do curso nocturno, pois bastavam ser 18 ou 19 horas os alunos abandonavam as aulas, porque não tinha transporte para lhes levar para os seus bairros”, disse.

Por seu turno, Armando Chauque lembrou que no passado era um sofrimento circular naquela via. “Só para ir a Massaca, era um grande sacrifício. Tínhamos que dar a volta até Mafuiane ou tínhamos que entrar na água. Isso estragava os rolamentos das viaturas. Agora estamos bem, pois já encurtamos a distância”, disse.

Outro entrevistado é Afonso Domingos Cossa, que começou por dizer que, no passado, “os nossos carros sofriam muito. Agora chegamos, inclusive, em pouco tempo a Goba. Dantes fazíamos essa distância em uma hora, agora são 10 a 15 minutos”, elucidou.

Para Cossa, com o bom funcionamento do troço, as receitas poderão melhorar,  e a estradas irá, igualmente, permitir o escoamento de produção agrícola para diferentes partes da província e cidade de Maputo.

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