
Dados apresentados, sexta-feira última, na cidade de Maputo, pelo Ministério de Saúde (MISAU), durante uma palestra enquadrada nas comemorações do Dia Mundial de combate à Tuberculose, comemorado a 24 de Março, apontam para uma subida em 18 por cento nos casos de doentes de Tuberculose (TB) no país, quando comparados os anos de 2015 e 2016.
Conforme foi referido, no ano de 2016, foram registados 73.572 casos, contra 61. 559 casos em 2015, o que indica um crescimento nos números, sendo que, de acordo com informações avançadas pelo sector da saúde, a maioria dos doentes iniciou o tratamento da doença.
Um importante ganho destacado na palestra, que decorreu sob o lema “Unidos para Acabar com a Tuberculose” e serviu para assinalar os 135 anos após a descoberta da bactéria que causa a doença, é a melhoria dos mecanismos de diagnóstico e tratamento em todo território Nacional e a consciência das comunidades rurais em relação à importância de se dirigirem aos hospitais para cumprirem o tratamento.
Outros dados avançados indicam que no ano passado o país diagnosticou 9.283 casos de crianças infectadas pela TB, contra 6.559 do ano anterior, representando 12 por cento das estatísticas gerais. Ainda em 2016, o MISAU registou 911, contra 646 casos de tuberculose resistente aos medicamentos, o que significa um aumento em 38 por cento, comparado com 2015.
O Vice-ministro da Saúde, Mouzinho Saide, intervindo no local, explicou que os resultados acima referenciados foram alcançados devido a conjugação de esforços por parte dos vários intervenientes, a começar pelo empenho que o governo tem feito no combate à doença, passando pela intervenção de toda a comunidade e dos profissionais da saúde no geral.
Acrescentou ainda que o governo, através do MISAU, vai acelerar os mecanismos para dar resposta àquele problema de saúde pública.
Entretanto, mineiros, prisioneiros e profissionais da saúde são o foco populacional que domina as estatísticas de pessoas que sofrem de TB.
INTENSIFICAR
DIAGNÓSTICO
NAS COMUNIDADES
Os intervenientes no local sublinharam a importância de intensificar o diagnóstico nas comunidades, onde se presume que haja maior número de infectados.
Cláudia Mutaquiha, do Ponto Focal Nacional de Tuberculose Resistente ao nível do MISAU, defendeu, portanto, a extensão de cobertura da rede hospitalar com capacidade para efectuar diagnósticos avançados.
Só para se ter uma ideia, são apenas três hospitais centrais, ao nível do país, que fazem teste e tratamento avançados da doença ao nível do país e 367 laboratórios para o diagnóstico de tuberculose não resistente.
Entretanto, defendeu a capacitação os médicos tradicionais em matéria de doenças, especialmente, a tuberculose, uma vez que é facto a ter em conta que a comunidade recorre àqueles como primeira opção para a resolução dos seus problemas de saúde. Sublinhou também a necessidade de financiamento de projectos desenhados para contribuir na disseminação da informação nas comunidades.
Texto de Pretilério Matsinhe



