
A cidade de Maputo é anfitriã entre quarta e sexta-feira próximas da Conferência Nacional de Saneamento do Meio que vai decorrer no Centro de Conferências Joaquim Chissano e que vai contar com a participação de representantes dos órgãos centrais, provinciais e municipais, quadros dos ministérios das Obras Públicas e Habitação (MOPH), Saúde (MISAU), Coordenação e Acção Ambiental (MICOA), Administração Estatal (MAE), Educação (MINED) e parceiros de cooperação.
Um dos objectivos do encontro é encontrar respostas para melhor coordenação das actividades, pois quer o MICOA, MISAU e MOPH são actores activos e chaves do processo. Porém, há que encontrar uma liderança e responsabilização do processo. Segundo Daúde Carimo, técnico da Direcção Nacional de Águas (DNA), envolvido nos trabalhos preparatórios da reunião, o Estado moçambicano gasta com o saneamento do meio, em média, por ano, quatro mil milhões de meticais, ou seja, quatro biliões de meticais (antiga família), o equivalente a 1,2 por cento do PIB.
Cerca de 600 milhões de meticais são gastos em outros projectos também ligados ao saneamento, como manutenção, edificação de novas estruturas. Contudo, como fez questão de frisar Daúde Carimo, os benefícios são ainda poucos.
Entretanto, e apesar dos obstáculos, o saneamento urbano – cidades e vilas -, melhorou na ordem de 41 por cento. Todavia, a ambição era que por esta altura o mesmo estivesse acima de 50 por cento. Já o nível de realização do saneamento rural é de 9 por cento.
“Revemo-nos no slogan que diz que é necessário melhorar o saneamento do meio em cerca de um terço para as populações carenciadas. Aliás, essa é uma das Metas de Desenvolvimento do Milénio, que emana que se deve reduzir para a metade o número de pessoas que devem beneficiar do saneamento”.
PRETENSÃO
Acredita-se que os participantes no seminário de Maputo vão encontrar respostas para melhor realização dos trabalhos e políticas do sector. Afiguram-se como desafio, no tocante ao saneamento do meio, uma maior abrangência.
“Gostaríamos que cada família tivesse um saneamento adequado e seguro e que as doenças resultantes do fecalismo a céu aberto acabassem. Refiro-me concretamente à cólera e diarreias, isto em relação ao saneamento rural”, disse Carimo.
No tocante ao saneamento urbano, a aspiração é de que as pessoas ao caminharem pelas ruas e passeios não tenham que disputar protagonismo com água de esgotos, tudo isso para evitar doenças.
Estudos indicam que por cada dólar aplicado no saneamento oferece como ganho a poupança de nove dólares em saúde.
“Poupamos nos medicamentos. As campanhas de saúde são diferentes. Há menos absentismo laboral, porque as pessoas adoecem menos e, por conseguinte, não necessitam de ir aos hospitais., disse Carimo.
A RAZÃO DA PRESENÇA
DAS ENTIDADES MUNICIPAIS
A presença dos gestores municipais no seminário a ter lugar nas instalações do Centro Joaquim Chissano visa envolvê-los melhor naquilo que se pretende que seja o saneamento do meio em todo o país, aliás uma experiência que vai já na terceira ronda.
“Inicialmente, discutimos com 23 municípios. Depois passamos para 33. Agora estamos em 53. É importante que os próprios munícipes comecem a perceber que têm de participar na actividade de saneamento e a coordenação dentro da cidade é feita pelo município”, acrescentou.



